quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Liquidação do Banco Pleno enterra Indusval e Voiter, que passaram por tentativas de reestruturação, OESP

 A liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central, na manhã desta quarta-feira, 18, enterra uma longa história de tentativas de salvamento da instituição financeira nascida como Indusval, no fim dos anos 60.

Inicialmente uma corretora de valores forte no Rio de Janeiro, o Indusval foi criado a partir da união da corretora do também liquidado Comind com a Baluarte, uma marca importante em São Paulo, em 1970. A licença para se tornar banco veio em 1991.

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Voltada ao chamado middle market (segmento do mercado financeiro para empresas de médio porte), a instituição foi comandada por alguns nomes mais tradicionais do mercado financeiro e de capitais. Por décadas, esteve nas mãos das famílias Ciampollini e Mazagão Ribeiro, que deixaram o controle de maneira definitiva em 2020.

Antes disso, houve tentativas de fortalecer ou solucionar crises enfrentadas pelo negócio. Em 2003, o banco se juntou ao Multistock, comandado pelo então presidente da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto. Ele passou a ser o principal nome do Indusval, que viveu seus anos mais pujantes, com a abertura de capital em 2007.

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Com a crise financeira global de 2009, começaram a aparecer os primeiros sinais de que os negócios não andavam bem. Com o rebaixamento de suas notas de crédito pelas agências de classificação de risco, o Indusval se associou ao fundo norte-americano Warburg Pincus e os empresários Jair Ribeiro e Alfredo de Goeye. Além de aportes financeiros, o banco buscava novas frentes de negócios.

Em 2013, foi a vez de buscar uma saída para a corretora do Indusval, que dava prejuízo, transformando-a em Guide Investimentos. A operação seria vendida, em 2018, para o conglomerado chinês Fosun.

Em 2020, houve uma nova tentativa de reestruturação do banco. Como mostrou o Estadão, a instituição passou às mãos de Roberto de Rezende Barbosa, então um dos principais acionistas da Cosan. Nesse movimento, o Indusval foi transformado em Voiter e teve seu capital fechado. As famílias fundadoras deixaram o negócio.

No fim de 2023, foi anunciada a venda do banco para a Capital Consig, mas o negócio não foi adiante. A compra do Voiter pelo Master foi anunciada no início de 2024. Pouco depois, Augusto Lima anunciaria sua saída do Master e, no acordo, levou consigo a licença do Voiter, que se tornaria o Pleno.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Juiz do Trabalho que recebeu salário de R$ 94 mil em dezembro é afastado por ‘baixa produtividade’, OESP

 Notícia de presente

O juiz substituto do Trabalho Rerison Stênio do Nascimento, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), em São Paulo, acusado de baixa produtividade e acúmulo de centenas de processos, foi afastado por 30 dias das funções pelo Conselho Nacional de Justiça. O colegiado reabriu Processo Administrativo Disciplinar e modificou a sanção aplicada anteriormente pelo TRT-2 ao magistrado, que havia recebido uma advertência. O processo tinha sido encerrado porque não houve maioria absoluta de votos para a aplicação da penalidade.

No julgamento do PAD sobre a conduta de Rerison, 37 desembargadores votaram pela advertência e 31 pela absolvição. Na sessão de 8 de novembro de 2021, o procedimento foi arquivado por falta de maioria absoluta para impor a sanção.

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Estadão pediu manifestação do juiz. O espaço está aberto.

Em dezembro, Rerison Stênio do Nascimento recebeu R$ 94,7 mil líquido de salário.

Investigado desde dezembro de 2020 pelo TRT-2, Rerison teria acumulado “processos pendentes de sentença por mais de 60 dias, por alegada negligência, além de descumprir de forma reiterada os planos de trabalho estabelecidos” pela Corregedoria do tribunal.

Sérgio Rodrigues - De repente, 'Quando eu tiver 64' é agora, -FSP

 

Trecho do vídeo da música 'When I'm 64'
Imagem do vídeo da música 'When I'm 64' - Reprodução

Estou fazendo 64 anos e, para lidar com o absoluto pasmo desse evento banal, penso: é uma idade que não tem nada de mais. Ou não teria, se não fosse o Paul McCartney. Pode não parecer, mas faz diferença.

Começa que 64 não é uma data redonda, como 60, nem de redondez quebrada ao meio, como 65: fica numa posição menor, indecisa. O que pode ter de especial?

À primeira vista, nada. O cidadão, tendo feito 63, e antes disso 60 —o tempo, ele voa—, está farto de saber que não é jovem mais. Que, tecnicamente, até a meia-idade já ficou no passado. E que nunca adiantou alegar que se sente congelado desde sempre numa espécie de 32.

Capa do disco de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" - Reprodução

O álbum em que a mais famosa melô do vovô veio ao mundo é o festejado "Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band". Que, para multidões de fãs da época, teria ficado melhor sem ela.

Canção de music hall, melódica e ligeira, com clarinetes no limite da cafonice, é um tipo de artefato pop que Paul sempre cultivou. Num disco de sabor psicodélico destoa um pouco mesmo, embora o ecletismo seja parte da proposta.

Só agora, ao cruzar esse marco irônico de senectude cravado no coração dos anos 60, me ocorre que aquela geração tinha motivos extramusicais para implicar com a faixa.

Em 1967, estufado de juventude, o pessoal queria quebrar tudo em todas as formas de expressão artística e comportamental da Terra. A tirada de Paul era quase um memento mori, um lembrete de finitude: um dia você vai ter 64.

E não deu outra. A garotada que fazia fila na porta da loja para esperar o próximo disco dos Beatles cruzou esse marco –quer dizer, os que tiveram a sorte faltante a John Lennon, assassinado aos 40. O próprio Paul está com... 83! Não há motivo para pânico.

Eu tinha 5 quando "Sgt. Pepper’s" foi lançado. Só vim a saber do fato muitos anos mais tarde –a música que rolava lá em casa era outra.

O autor de "When I’m Sixty Four" não teve netos chamados Vera, Chuck ou Dave. Transpôs seu próprio marco, bem de saúde e cheio de trabalho, em 2006, quando minha filha mais nova é que ia fazer 5.

O tempo, pois é. O truque é manter a calma, ir à academia, não abusar de alimentos gordurosos. Não tenho aqueles medos do Paul, como o de chegar em casa tarde e descobrir que a mulher passou o trinco na porta.

Trecho do vídeo da música 'When I'm 64'
Imagem do vídeo da música 'When I'm 64' - Reprodução

Só o que me assusta é um pesadelo linguístico: ser rebaixado a diminutivo pela brava turma da enfermagem brasileira, viciada em tratar o pessoal de 64 como se tivesse 60 a menos: "Dá o bracinho, fofinho. É só uma picadinha".

Isso não, por favor! O resto, pode mandar vir.