quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Ruy Castro - Cartas para o Além, fsp

 Nunca na história trocamos tantas mensagens como hoje. Na verdade, não fazemos outra coisa o dia inteiro. São tantas que, para apressar nossa capacidade de comunicação, estamos desenvolvendo um novo vocabulário composto só de consoantes. Exemplos: v (você), blz (beleza), pfv (por favor), fds (fim de semana), pdc (pode crer), tlgd (tô ligado), mds (meu Deus), plmdd (pelamor de Deus), vpqmvcn (você pensa que malandroaqui vai cair nessa?) e vlw (valeu). A maioria termina com uma saraivada de kkkkkkkkkkkk, em que o número de kk depende da graça que achamos da nossa própria mensagem.

Pois, não contentes em nos comunicarmos freneticamente com os vivos, agora podemos fazer isso com os muito vivos —os mortos. É o que nos prometem sites especializados em relações com o Além. Segundo eles, é possível escrever uma carta para um ente querido já falecido e, através de médiuns de confiança, receber resposta. Tudo por módicas quantias, abaixo de R$ 100. Como, ao morrer, as pessoas nem sempre deixam o novo endereço, é a nossa chance de retomar o contato com elas e botar o papo em dia.

O escritor maranhense Humberto de Campos (1886-1934)
O escritor maranhense Humberto de Campos (1886-1934) - Reprodução

Não é de hoje que vivos e mortos fazem negócios. Um caso famoso foi o do escritor Humberto de Campos, autor de mais de cem livros em vida e que, ao morrer, em 1934, passou a publicar livros psicografados uns atrás dos outros. Sua viúva não gostou e entrou com um processo dizendo que os livros eram fraudes, que seu marido não poderia escrever depois de morto. E que, se continuassem a sair, a família exigia receber direitos autorais.

A Justiça foi chamada a decidir pela autenticidade dos livros. Isso significava que lhe cabia decretar se havia ou não vida depois da morte. A solução foi brilhante: os livros poderiam continuar saindo, sem dinheiro para a família, desde que não assinados por Humberto de Campos. Nasceu então o best-seller Irmão X.

Esse correio do Além também acabará na Justiça. Os sites recebem o dinheiro e garantem que enviam as cartas, e não têm culpa se os entes queridos não escrevem de volta.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Menos agências, mais custos, The News

 

Os bancos estão cada vez menos presentes nas esquinas, e mais no seu celular. Mas isso não significa necessariamente custos menores…

Os três maiores bancos privados do país — Itaú, Bradesco e Santander — fecharam 2.334 agências e postos de atendimento em 2025, acelerando uma tendência que já dura anos. Em uma década, o Brasil perdeu mais de um terço das agências bancárias.

  • Bradesco: fechou 1.356 unidades (-28,2%)

  • Santander: fechou 579 unidades (-25,6%)

  • Itaú: fechou 399 pontos (-13,6%)

A lógica é simples. Reduzir o chamado “custo de servir” e competir com fintechs e bancos digitais, como Nubank, Inter e C6, que já somam mais de 180 milhões de contas no país.

O mais curioso é que, mesmo com os fechamentos de agências, os custos dos bancos continuam crescendo.

No ano passado, o Bradesco aumentou suas despesas operacionais em 8,5%, chegando a R$ 64 bilhões. Já no Itaú, os gastos cresceram 7,5%, para R$ 66 bilhões.

Na prática, os bancões estão trocando aluguel e manutenção de prédios por investimentos em sistemas, dados e pessoas de tecnologia — para evitar que os concorrentes mais novos ocupem ainda mais o mercado que sempre dominaram.

Um susto positivo nas maternidades, The News



 
BRASIL

Um susto positivo nas maternidades

(Foto: Marcos Moura)

Depois de 6 anos de silêncio nas maternidades, o choro de bebê voltou a ecoar com mais força. Em 2025, os cartórios brasileiros registraram 2,51 milhões de nascimentos, um salto de 2,3% vs 2024.

É a primeira vez desde 2018 que a curva aponta para cima, quebrando uma sequência de quedas que parecia infinita.

Na média, 2025 teve 1,7 nascimento para cada 1 morte. Esse número, chamado de “taxa de reposição”, era de 1,6 em 2024. O motivo não foi uma queda nas mortes (que estacionaram em 1,5 milhão), mas o aumento real de partos.

Mas o que causou essa alta? Analistas sugerem que estamos vivendo uma "compensação" pós-pandemia. Muitos casais que adiaram o filho por insegurança sanitária e econômica entre 2020 e 2022 decidiram tirar os planos do papel agora.

  • Apesar do respiro de 2025, a tendência de longo prazo é implacável. Especialistas projetam que a população total começará a encolher entre 2039 e 2042, com a taxa de reposição abaixo de 1,0.

No fim do dia, pense que a quantidade de nascimentos está diretamente relacionada ao ritmo de envelhecimento da população. Se nasceu muita gente hoje, o país terá uma grande população economicamente ativa daqui a 18 anos, e vice-versa.

Curiosidade: Dá para dizer que o Brasil, na verdade, são vários países em um só. Enquanto 4 bebês chegam para cada morte no Amazonas e no Amapá, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul esse número fica quase empatado no 1 para 1.