O Brasil fechou 2025 coma marca histórica de produção média de 3,77 milhões de barris depetróleopor dia, um aumento de 12,3% sobre o recorde anterior de 2023. Em plena era de transição energética, o país ainda conta com resultados assim para atrair divisas e reduzir os déficits persistentes nas transações com o exterior e no Orçamento público.
As exportações do produto alcançaram US$ 44,6 bilhões no ano, liderando a pauta nacional. Esse sucesso se deve em grande parte ao saneamento financeiro e operacional da Petrobras após a dilapidação da estatal nas gestões petistas anteriores, marcadas por investimentos perdulários, endividamento excessivo, corrupção e desvios estratégicos.
A partir de 2016, a companhia revisou drasticamente seus negócios, desinvestiu em ativos não essenciais e concentrou recursos em exploração e produção. Com contas em ordem, mais enxuta e eficiente, no ano passado a Petrobras adicionou 1,7 bilhão de barris às reservas, descobrindo 1,7 barril para cada barril produzido —o suficiente para quase 13 anos de extração no ritmo atual.
O foco em maximizar a eficiência de extração em campos petrolíferos já descobertos, como Tupi, Búzios, Mero e Itapu, permitiu elevar a produção em bases financeiramente saudáveis, sem os excessos do passado.
Os recordes também irrigam as contas públicas. Royalties e participações especiais representam parcela relevante das receitas federais e, sobretudo, dos estados e municípios produtores. Esses recursos financiam saúde, educação e programas sociais, demonstrando que o petróleo, quando bem gerido, ainda pode contribuir diretamente para o bem-estar da população.
Outro aspecto positivo é a participação crescente de empresas privadas no setor. Em dezembro de 2025, a Petrobras respondeu por menos de dois terços da produção total, o que prova o acerto da abertura, iniciada com o fim do monopólio estatal em 1997 e depois aprofundada, apesar das resistências ideológicas do PT.
Não se pode ignorar, entretanto, o contexto global de busca por energia não poluente. Investimentos futuros precisam avaliar cuidadosamente a viabilidade econômica à luz da descarbonização, e as divisas obtidas devem ajudar a financiar a transição.
Tudo indica que, enquanto houver demanda mundial, o que persistirá por décadas, o Brasil continuará apostando em combustíveis fósseis. Novas fronteiras —com destaque para a margem equatorial, na bacia da Foz do Amazonas— atraem a cobiça de governantes e investidores.
Compreende-se que uma economia de renda média não pretenda abrir mão de seus recursos naturais, porém cumpre planejar o futuro. A crença no desenvolvimento à base de receitas do petróleo explorado pelo Estado, espalhada da esquerda à direita no país, já se mostrava obsoleta antes mesmo das preocupações globais com a crise climática.
Ele, que estava descrente que o tema pudesse sequer entrar em pauta neste ano, agora crê que há uma razão para o Parlamento votar a matéria.
Pedro Paulo (PSD-RJ) é o relator da reforma administrativa na Câmara. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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“O ambiente que você tinha no passado, que você tinha ontem, da política querendo empurrar para frente, ‘vamos falar depois da eleição’, a decisão do ministro Dino pode ir ao contrário e acelerar essa discussão”, afirmou.
O texto da reforma administrativa prevê o fim dos penduricalhos e um limite no salário de funcionários públicos. Benefícios fora do teto deverão ser transitórios e pagos em situações excepcionais, e não mais a todos os servidores de uma categoria de forma indistinta e generalizada, como acontece hoje. Nesse caso, as verbas que podem ser pagas fora do limite deverão ser aprovadas em lei pelo Congresso Nacional.
Pela decisão, os pagamentos de adicionais que não estão previstos em lei devem ser suspensos após 60 dias. Até lá, os Três Poderes deverão rever todos os itens pagos como adicionais salariais e que acabam contribuindo para que vencimentos no funcionalismo ultrapassem o teto que é o salário de um ministro do STF, equivalente hoje a R$ 46,3 mil.
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Dino defendeu que o Congresso regule uma lei que defina quais são as verbas indenizatórias “realmente admissíveis como exceção ao teto e ao subteto”.
Ele intimou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que tomem as medidas políticas para suprir a omissão inconstitucional.
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A decisão de Dino foi bem recebida por Pedro Paulo. Ele acredita que uma ação “excepcional, moralizadora, provoca o debate e é corajosa”. “Fiquei feliz que ele traz no texto elementos que tratei na reforma”, afirmou. “Essa decisão reflete a indignação da sociedade.”
Para o parlamentar isso também é fruto da indisposição da elite do funcionalismo público em dialogar com o Congresso para encontrar uma solução pelo consenso no Legislativo.
“Essa negativa da política (por representantes da elite dos servidores públicos brasileiros) em negociar dá nisso. Veio aí uma decisão extemporânea. Se não foi por bem, vai à força, ao invés de fazer no ambiente do Parlamento. A negativa desses segmentos não quererem negociar acaba nisso”, afirmou.
Ele acredita que haverá reação e por isso a determinação é “corajosa”. “O ministro jogou uma granada. Jogou uma bomba com efeito nuclear. A quantidade hoje dessa elite do servidor que recebe esses penduricalhos é muito grande. Vai ter uma fortíssima reação. Por isso é corajosa. Aliás a decisão é mais radical que um texto, que tem um aspecto negociado”, disse.
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Antes da determinação, Paulo acreditava que a reforma dificilmente avançaria na Câmara, e que em ano eleitoral dificilmente os parlamentares vão querer tratar de temas espinhosos que envolvem corte de supersalários e penduricalhos do funcionalismo público.
Entre os governistas, a determinação do ministro do STF foi celebrada. “Nós aplaudimos a decisão do ministro Flávio Dino, e ele na verdade se antecipa a uma decisão que o presidente Lula já tinha tomado, de vetar todos os aumentos acima do teto, seja do Judiciário, do Legislativo. Essa coisa o presidente ia fazer. Nós da bancada temos uma proposta, para que nenhum servidor ganhe acima do teto e a sociedade vai aplaudir”, afirmou Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi líder do PT na Casa até o final de janeiro.
O líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG) vê com bons olhos a decisão do ministro Flávio Dino e crê que pode dar impulso para a reforma administrativa neste ano. “Eu acredito que pode ajudar a avançar a reforma administrativa. Agora é um texto difícil, porque interesses de tudo quanto é Poder. E quando tem muito interesse, tem muita dificuldade de concatenar interesses e sair uma coisa razoável. Mas de certa forma possibilita avanço”, afirmou.
A determinação teve boa repercussão até mesmo na oposição. “É uma avaliação correta, da transparência, da moralidade e do cumprimento daquilo que está previsto na Constituição. Sempre se cria uma artifício para furar esse limite”, disse o deputado federal Mendonça Filho (União-PE), que fez críticas ao governo. “O governo do PT nunca olhou pra isso, deixou isso de lado.”
Já o senador Carlos Portinho (RJ), líder do PL no Senado afirmou que é uma “decisão que tem que ser elogiada”. “Temos cobrado, eu pessoalmente na CCJ, em todas as reuniões, o avanço do fim dos penduricalhos”, afirmou. Um projeto sobre o tema tramita nessa Casa – essa matéria já tinha sido aprovada na Câmara em 2021 e está travada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desde aquele ano.
“A decisão vem em boa hora e obriga o Parlamento a se manifestar, a avançar num projeto de lei. Não dá”, disse o senador.
A avaliação inicial de outros líderes da Câmara é que não deverá haver maior reação do Parlamento dada a popularidade do tema do fim dos supersalários e pelo entendimento que o Congresso Nacional não é o maior beneficiário disso.
Apesar dos pontos elencados, nesta última terça-feira, 3, um projeto de lei que concede reajuste “fura-teto” no salário de servidores da Câmara e outra proposta que estabelece um novo plano de carreira para servidores do Senado, também com reajustes na remuneração.
Não há quem não tenha visto, ao ir ou voltar da Baixada Santista, um conjunto de oito grandes tubulações que se fundem à paisagem e desce uma encosta íngreme de 720 metros da Serra do Mar, desembocando em Cubatão. É uma imagem impactante. Intriga os adultos e impressiona as crianças. Fica fácil perceber que se trata de uma obra de engenharia grandiosa.
A usina hidrelétrica Henry Borden, cuja primeira unidade entrou em operação em 1926, foi construída pela Light para atender à demanda imediata e futura por energia em São Paulo. A cidade crescia velozmente, se aproximava de 700 mil habitantes e todos queriam luz elétrica.
A água da Billings passa pela casa de válvulas da usina, desce do alto da serra e chega em Cubatão. - Zanone Fraissat/Folhapress
No artigo "São Paulo às Escuras", publicado no site do Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, o historiador da UFF (Universidade Federal Fluminense) Paulo Brandi diz que, naquela época, São Paulo havia ultrapassado o Rio de Janeiro como maior centro industrial do país e o número de consumidores da Light na cidade já passava de 55 mil, entre residências, estabelecimentos comerciais e industriais. No final da década chegou a 140 mil.
A Henry Borden foi a resposta da Light a uma crise de energia causada por uma estiagem prolongada em 1924 e 1925. A cidade ficou no escuro e houve um longo racionamento. Brandi conta que, em abril, "São Paulo estava à beira do colapso energético":
O reservatório de Guarapiranga registrava apenas 10% de sua capacidade e o de Itupararanga, 4%, tendo a vazão do rio Sorocaba baixado 62%. As duas hidrelétricas da Light, Parnaíba e Itupararanga, e a termelétrica Paula Souza conseguiam gerar somente 43 MW para uma demanda de quase 60 MW.
Vista da usina em 1966 mostra o declive acentuado da Serra do Mar e a sequência de tubulações - Correio da Manhã/Arquivo Nacional
A nova hidrelétrica veio no momento certo. A empresa já vinha estudando o projeto desde 1920 e ele foi concluído em tempo recorde. Estava muito acima do padrão das usinas que já alimentavam São Paulo, tinha dez vezes mais potência. Era a maior obra do seu tipo feita no Hemisfério Sul. Em 1932, na Revolução Constitucionalista, foi bombardeada.
A Henry Borden nasceu com capacidade instalada de 469 MW, número de metrópole. Ao longo dos anos 1950 foram feitas obras de ampliação. A usina ganhou seis condutos subterrâneos e teve sua capacidade elevada para 889 MW, suficiente para atender uma cidade de dois milhões de habitantes.
Para conseguir água para mover sua usina, a Light fez um projeto que envolveu a inversão do curso do rio Pinheiros.Em vez de desaguar no Tietê, passou a se dirigir para a represa Billings, por meio das usinas elevatórias da Traição e de Pedreira, e fornecer água para o sistema. A represa também foi projetada pela empresa. Por causa da poluição, desde 1992, o Pinheiros só pode se conectar com a Billings em razão das cheias.
Central de controle da Henry Borden pode elevar produção de 19 MW para 889 MW em 10 minutos. - Zanone Fraissat/Folhapress
A usina continua tendo função estratégica para o sistema elétrico da Região Metropolitana de São Paulo e da Baixada Santista. Até os anos 1970, fornecia metade da energia da cidade e hoje garante a segurança energética e atende demandas de pico de consumo regularmente. É uma usina de emergência, um backup do SIN (Sistema Interligado Nacional), capaz de sair de 19 MW para 889 MW em cerca de 10 minutos.
A primeira usina a abastecer São Paulo com eletricidade foi a de Parnaíba, hoje conhecida como Edgard de Souza, no rio Tietê. Inaugurada em 1901, tinha capacidade inicial de produção de 2 MW. Foi construída pela Light para movimentar seus bondes, que começaram a funcionar na cidade um ano antes.
Entre 1911 e 1914, a Light ergueu a usina de Itupararanga, que tem três unidades geradoras, com capacidade instalada de 37,5 MW. Ela aproveita o potencial energético do Salto do Itupararanga, no rio Sorocaba.
O aumento de capacidade das usinas da Light que atendem São Paulo ao longo do tempo, de Parnaíba a Henry Borden, reflete a expansão vertiginosa do consumo de eletricidade em São Paulo na primeira metade do século. Também é um importante indicador de desenvolvimento urbano.