quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Deputado assassinado hospedou Lula após prisão, FSP

 Mônica Bergamo

O ex-deputado estadual Paulo Frateschi (PT-SP), morto nesta quinta (6), hospedou o presidente Lula em sua casa em Paraty, no Rio de Janeiro, logo depois que o petista deixou a prisão, em 2019, por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula tinha ficado 580 dias na Superintendência da Polícia Federal, e escolheu a casa do amigo na cidade histórica para ficar alguns dias antes de voltar à atividade política.

"Essa casa do Paulo Frateschi serviu de refúgio para eu descansar nos primeiros dias depois que eu saí em liberdade", afirmou o petista ao conversar com pessoas da cidade quando já estava indo embora.

As cenas foram resgistradas em vídeo.

Assessores interromperam a agenda de Lula na COP30 para avisá-lo da tragédia da morte de Frateschi. Ele foi esfaqueado na manhã desta quinta (6) em São Paulo pelo próprio filho, Francisco Frateschi, 34.

Segundo apurações iniciais da polícia, o jovem teve um surto psicótico e agrediu também a mãe, Iolanda Maux, que fraturou um braço e foi socorrida em uma UPA no bairro da Lapa.

Ex-presidente estadual do PT de São Paulo, dirigente histórico do partido e amigo pessoal de Lula, Frateschi iniciou sua atuação política durante a ditadura militar, quando integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN). Foi preso em 1969, aos 19 anos. Com a volta da democracia, foi anistiado.

Foi ele o organizador das caravanas que Lula fez pelo país antes de ser preso, em 2018. Ao ser solto, em 2019, o presidente passou alguns dias na casa de Frateschi em Paraty (RJ).

O presidente já foi avisado da morte e enviou emissários para acompanhar a família.

Frateschi já tinha perdido dois filhos e estava se recuperando de um câncer.

Em 2002, seu filho Pedro Frateschi, de 7 anos, morreu em um acidente na rodovia Carvalho Pinto, no município de Guararema (a 76 km de São Paulo). Ele estava voltando com a família de Parati. O carro era dirigido pela mulher de Frateschi, Iolanda.

Um ano depois, outro filho, Júlio Frateschi, de 16 anos, morreu também de acidente de carro.

O adolescente, segundo a Polícia Rodoviária Federal informou na época, dirigia um carro que capotou com ele e mais três pessoas por volta de 4h30 da quinta-feira passada, no quilômetro 572 da rodovia Rio-Santos, entre Parati e Angra dos Reis, no litoral fluminense.
No carro, também estavam a irmã de Júlio, Luiza Viana Frateschi, 19, e mais dois primos.

O velório de Júlio foi acompanhado por Lula e pelos então ministros Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil), a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, e o então presidente nacional do PT, José Genoino. Frei Betto, frade dominicano e então assessor da Presidência, fez uma celebração com a presença de Lula.


Juca Kfouri - Um sonho chamado de SAFiel, FSp

 Sonhar ainda não paga impostos, como o andar de cima também não paga no Patropi.

O que os proponentes da SAFiel apresentam é tão bem costurado, e com envolvimento pleno da Fiel, que soa como utopia, capaz de mobilizar a torcida e apavorar os detentores do poder viciado e maligno que há décadas contamina o Corinthians, vaca leiteira dos piores interesses, de uns tempos para cá alvo da cobiça de organizações criminosas.

Da máfia russa, via MSI, no começo do século 21, ao internacionalizado PCC, que apostou em cartolas medíocres até para roubar.

A bela ideia da SAFiel é baseada em métodos bem-sucedidos do futebol do Bayern de Munique e do futebol americano do Green Bay Packers, que pertence à comunidade.

A proposta está tão bem desenhada que um gavião a entende e aprova, embora seja entendida, também, pelos vampiros que habitam o Parque São Jorge e de lá insistam em não sair.

Significa dizer: o que para uns, verdadeiramente apaixonados pelo Corinthians, é saída, para outros, exploradores da paixão, é o fim da mamata.

Enquanto os segundos levaram o clube aos R$ 3 bilhões em dívidas obscuras, que financiaram até gastos pessoais com cartões corporativos, os primeiros propõem o saneamento das finanças, sem dar calote em ninguém.

Quem gosta verdadeiramente do Corinthians não quer ganhar nada do Corinthians, quer apenas que o Corinthians ganhe, com o que todos os corintianos ganharão.

Ganharão taças, não dinheiro.

Repitamos: o Corinthians é o clube de maior torcida no maior mercado do país, com seus torcedores concentrados em São Paulo, de fácil acesso, diferentemente do Flamengo, com a Nação espalhada pelo Brasil.

Grande grupo de torcedores vestidos com camisas pretas e bonés pretos em arquibancada de estádio, muitos com braços erguidos em comemoração ou apoio.
Torcida do Corinthians na partida contra o Grêmio, em Itaquera - Jean Carniel - 2.nov.25/Reuters

Trazer o torcedor de Sapopemba para o Parque São Jorge, ou Itaquera, é incomparavelmente mais fácil do que trazer de Teresina para a Gávea ou Maracanã.

Hoje, sem ser SAF, o rubro-negro explora seu potencial muito melhor, porque pode até ser comandado por cartolas vaidosos, mas honestos, fiscalizados por ferramentas estatutárias que os impedem de roubar.

O Corinthians, com dívida colossal, perdeu a chance do saneamento no atual modelo associativo.

A solução é óbvia e soa ingênua, porque tudo o que os detentores do poder em Parque São Jorge temem é serem afastados de suas regalias indecentes.

O fiel desconfiado, com carradas de motivos para a desconfiança, argumenta ainda que o Corinthians não deve ter donos, mesmo que os tenha desde sempre, em personagens variados, do desclassificado Wadi Helu, passando pelo tosco apaixonado Vicente Matheus e culminando com deletérios Alberto Dualib e Andrés Sanchez.

Augusto Melo é de outro patamar, pé de chinelo do que há de pior na sociedade, sem o português melífluo de Duílio Monteiro Alves, péssimo encantador de serpentes.

Ou o Corinthians abraça a solução que ora se apresenta, sem fórmulas milagrosas, apenas pragmáticas e autossustentáveis, ou permanecerá atazanado por transfer bans da Fifa e calotes nos credores até virar massa falida e manchetes do noticiário policial.

O velho Neco, Cláudio Christóvam de Pinho, Luizinho, Baltazar, Roberto Rivellino, Basílio, Doutor Sócrates, Wladimir, Zé Maria, Casagrande, Rincón, Cássio e Renato Augusto merecem a virada de página do passado para o futuro.

O ex-lateral Zé Maria inaugura seu busto no Parque São Jorge - José Manoel Idalgo - 11.nov.21/Corinthians

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Tremembé' é diversão e risos com a tragédia alheia, Mauricio Stycer, FSP

 Apesar de trazer no título uma referência a um conhecido presídio, a série "Tremembé" não está preocupada em discutir ou mesmo expor questões sobre um sistema carcerário conhecido, entre outros problemas, pela superlotação, más condições de higiene e saúde, violência, corrupção e assistência jurídica inadequada aos presos.


"Tremembé" está a serviço exclusivamente do entretenimento, turbinada pelo fato de ser inspirada "em fatos reais". Os protagonistas da produção do Prime Vídeo são, em sua maioria, pessoas que cometeram crimes bárbaros, de enorme repercussão, e tiveram suas trajetórias esmiuçadas à exaustão pela mídia.

Marina Ruy Barbosa em cena da série 'Tremembé', do Prime Video
Marina Ruy Barbosa em cena da série 'Tremembé', do Prime Video - Divulgação


A ação gira em torno de três detentas. Suzane von Richthofen, condenada por planejar e ajudar a executar o assassinato dos pais, Elize Matsunaga, que matou e esquartejou o marido, e Ana Carolina Jatobá, condenada pela morte de Isabela Nardoni, sua enteada de cinco anos. Esses crimes ocorreram entre 2002 e 2012.

A série também se volta para a ala masculina do presídio, enfocando os irmãos Cravinhos, cúmplices de Richthofen, Alexandre Nardoni, pai de Isabela, e o médico Roger Abdelmassih, condenado por violência sexual contra dezenas de pacientes, cuja primeira de várias prisões ocorreu em 2009.

Longe do mal-estar que um relato mais realista poderia causar, "Tremembé" investe num roteiro que a todo momento roça num fetiche, o sexo na prisão, e flerta com o escárnio. Com edição ágil, cortes espertos e cenas não intencionalmente cômicas, é uma série que se consome com o pote de pipoca na mão.

Há algo de "Orange is the New Black" no tom de "Tremembé", mas o humor ácido da série americana não se escora em pessoas conhecidas. A série de 2013 da Netflix é baseada na experiência de uma mulher bissexual, criada numa família de elite, que passou 15 meses presa por lavagem de dinheiro. Piper Eressea Kerman ficou famosa depois de publicar a sua história.


Suzane, numa interpretação canhestra de Marina Ruy Barbosa, é descrita como uma pessoa que dedica 100% do seu tempo à sedução. Sem dificuldades, ela conquista Sandrão, que era namorada de Elize. Esse triângulo ficou famoso depois que Gugu Liberato entrevistou Suzane em Tremembé. Outro trio amoroso descrito pela série envolve Cristian Cravinhos, uma namorada que o visita na prisão e um detento por quem ele se apaixona.

"Tremembé" evoca, de passagem, um bom assunto, que é a transformação de assassinos em celebridades, que lucram com essa exposição. Segundo a série, Suzane ganhou R$ 120 mil pela entrevista à Record conduzida por Gugu, em 2015. Já Elize teria faturado um valor milionário, não detalhado, pelo depoimento que deu para uma outra produção. O nome não é citado, mas tudo indica se tratar de referência a uma série lançada pela Netflix em 2021.

A produção dirigida por Vera Egito não consegue evitar, ela própria, o sensacionalismo. Ao contrário, com o retrato sem nuances dos protagonistas, apenas reforça ideias preconcebidas.

HBO Max contra Netflix
Ao aceitar a ingerência da Senna Brands na realização de uma minissérie sobre Ayrton Senna, a Netflix abriu o flanco para a concorrência. "Meu Ayrton por Adriane Galisteu", que a HBO Max lança nesta quinta-feira (6), vai ser o assunto dos sites de fofocas e celebridades pelas próximas semanas, talvez meses. É uma vingança, como se diz, com requintes de crueldade.