segunda-feira, 14 de julho de 2025

Trump diz que celebrará 250 anos de independência com um show de gladiadores, Juliano Spyer, FSP

 Trump afirmou que, no dia 4 de julho de 2026 —feriado da independência dos EUA—, haverá um evento do UFC (Ultimate Fighting Championship) dentro da Casa Branca. Não é qualquer aniversário: o país completará 250 anos. O presidente prometeu um ano inteiro de celebrações, mas escolheu justamente essa data para marcar o dia com um show de gladiadores.

A imprensa americana consultou o UFC, que confirmou a realização do evento.

Trump não está apenas reinventando o governo e a economia dos EUA. Ele também está mudando o cenário esportivo ao voltar os holofotes presidenciais para um esporte relativamente novo —promovido, em seus primórdios, como "a coisa mais próxima de uma briga de rua" que se podia ver na TV.

A imagem mostra uma cena de uma luta de MMA dentro de um octógono. Dois lutadores estão em combate, um deles está em pé e parece estar tentando derrubar o outro, que está agachado e segurando a perna do oponente. Ao fundo, há uma grade de proteção e espectadores assistindo à luta, incluindo uma pessoa com um terno escuro e gravata. A iluminação é intensa, destacando os lutadores e a ação.
O presidente americano Donald Trump assiste ao combate entre os lutadores Bryce Mitchell e Jean Silva pelo UFC 314 em Miami, na Flórida - Nathan Howard - 12.abr.2025/Reuters

O MMA, ou artes marciais mistas, é o esporte favorito do presidente. Dana White, CEO do UFC, é seu aliado há mais de 20 anos.

No início dos anos 2000, o UFC era uma organização quase falida, proibida na maioria dos estados americanos. O então senador John McCain, candidato à Presidência pelo Partido Republicano, chegou a descrevê-lo como "rinha de galo humana". Mas Trump abriu para White as portas de suas propriedades e frequentou os primeiros eventos como fã, ajudando a atrair a atenção da mídia para o esporte.

Hoje, o UFC é avaliado em cerca de US$ 7 bilhões (R$ 39 bilhões) e se consolidou como um espaço onde jovens e adultos, especialmente das camadas trabalhadoras —eleitores de Trump—, se reúnem para celebrar valores como meritocracia, oportunismo, resiliência e masculinidade.

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Por que Trump está projetando o MMA dessa forma? São vários os motivos. Com o UFC, o presidente se aproxima de eleitores jovens, incluindo latinos e negros, desinteressados em política, que contribuíram para sua vitória.

A imagem mostra duas pessoas em um evento. À esquerda, um homem com cabelo raspado e uma jaqueta escura, sorrindo. À direita, um homem com cabelo loiro e uma gravata vermelha, parecendo sério. O fundo é desfocado, com várias pessoas visíveis.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o evento UFC-316, ao lado de Dana White - Frank Franklin II/Reuters

Além disso, o UFC é a maior organização do setor e controla todos os aspectos do espetáculo: da contratação dos atletas à realização das lutas e à geração das imagens. É como se, no futebol, uma única entidade reunisse as funções da Fifa, dos clubes e das produtoras de conteúdo. E trata-se de um esporte global, com audiência internacional consolidada.

Segundo o Ariel Helwani Show, principal veículo de cobertura de MMA na América do Norte, o evento deve ocorrer nos jardins dos fundos da Casa Branca. A expectativa do presidente é reunir cerca de 25 mil pessoas no local.

A maré é favorável para o UFC e para Dana White, que negociam atualmente os direitos de transmissão dos eventos pelos próximos cinco anos. A Netflix, que transmitiu ao vivo a luta entre Mike Tyson e o youtuber Jake Paul no ano passado, está entre os potenciais parceiros. Se confirmado, o evento na Casa Branca pode se tornar o maior espetáculo esportivo de 2026.

Há expectativa de que lutadores apoiadores de Trump, como Michael Chandler, Sean Strickland, Colby Covington e Jon Jones, participem. Este último é a maior estrela do esporte nos EUA e acaba de anunciar sua aposentadoria sem jamais ter sido derrotado. Ele já teria um oponente, o inglês Tom Aspinall, atual campeão interino dos pesos-pesados.

Imaginem: um inglês e um americano lutando no jardim da Casa Branca para celebrar o fim da guerra de independência entre os dois países?

Sorte de Lula volta a atacar, Hélio Schwartsman, FSP

 A proverbial sorte de Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar. O cenário que se desenhava para sua reeleição em 2026 era desafiador. A popularidade da administração vinha em queda e não se via no horizonte nenhum projeto que poderia converter-se em marca eleitoral muito poderosa.

Não dava, é claro, para considerar Lula carta fora do baralho. Incumbentes, salvo raras exceções, costumam ser candidatos pelo menos competitivos. A situação do petista, contudo, estava longe de confortável.

A imagem é uma montagem com três fotos de um homem idoso com barba e cabelo grisalho, vestindo uma jaqueta escura. Ele está em um ambiente ao ar livre, com árvores ao fundo. Na primeira foto, ele faz um gesto com a mão e diz 'EU VOU LEVAR'. Na segunda, ele menciona 'JABUTICABA PARA VOCÊ'. Na terceira foto, ele aponta para si mesmo e diz 'TRUMP'.
Vídeo postado pela primeira-dama, Janja, mostra o presidente Lula comendo jabuticaba e ironizando o tarifaço do presidente Donald Trump

Foi nesse contexto que ele ganhou de Donald Trump o tarifaço, que tem potencial de tornar-se um ótimo mote de campanha. Lula, porém, precisará jogar com habilidade. Ondas de popularidade nacionalista provocadas por "inimigos comuns", que em ciência política levam o nome de efeito "rally ‘round the flag", costumam ser passageiras.

Se o pleito fosse em semanas, ele estaria com a vida ganha, mas o encontro do eleitor com as urnas só ocorrerá dentro de um ano e três meses. É tempo suficiente para a popularidade subir e murchar.

Para evitar isso, Lula poderia ver-se tentado a perenizar a contenda com Trump, mas essa é uma aposta de alto risco. Não porque opor-se ao Agente Laranja faça mal. Já há uma pequena lista de líderes mundiais que foram eleitos justamente por contrapor-se a Trump.

O problema de Lula é que, se as tarifas punitivas contra o Brasil forem de fato implementadas, elas produzirão efeitos econômicos que não beneficiam o candidato incumbente. O principal deles é a inflação (pela via do câmbio), que Lula já experimentou na própria pele.

O melhor cenário para o petista seria agora encetar negociações com os EUA e obter da Casa Branca algum tipo de recuo ou alívio nas tarifas, que ele pudesse vender como uma vitória.

O melhor cenário para o Brasil seria os principais pré-candidatos de direita se darem conta do caráter tóxico de Jair Bolsonaro e decidirem de comum acordo livrar-se de sua tutela, afastando um pouco o país do extremismo anti-institucional. Difícil que aconteça.

Chantagem de Donald Trump impulsiona a idiotia nacional, Alvaro Costa e Silva, FSP

 As duas frases, citadas nem sempre ao pé da letra, se tornaram virais e, coisa rara, o crédito dos autores é respeitado, embora às vezes surja um H a mais no nome do semiólogo italiano. "O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade" —Umberto Eco. "Os idiotas vão dominar o mundo"— Nelson Rodrigues.

A de Eco se confirma a cada checada no dispositivo do celular. A de Nelson, escrita antes do advento da internet, é ainda mais abrangente, pois mira o mundo real, a vida como ela é, na figura do burro sublimado pela própria ignorância, que se entrega ao rebanho de ódio e frustração das redes.

Um homem está olhando para a câmera, usando um boné vermelho com a frase 'MAKE AMERICA GREAT AGAIN' em letras brancas. Ele tem cabelo curto e uma expressão neutra. O fundo é claro, possivelmente uma parede branca.
Tarcísio de Freitas com boné MAGA (Make América Great Again) em apoio a Donald Trump, em janeiro de 2025

A bandidagem de Trump —que ameaça o país com sanções econômicas para que o Judiciário desista do processo contra Bolsonaro— é um combustível perfeito para ampliar o campo de ação dos imbecis. E de quem se faz passar por imbecil para influenciar a bolha lobotomizada.

Pegue-se um único exemplo, entre tantos, da idiotia programada que substitui a razão. Flávio, o filho 01, sugeriu que o Brasil, se não aceitar a rendição e garantir a anistia para os participantes da tentativa de golpe em 2022-2023, poderá ser vítima do arsenal nuclear norte-americano. "A gente vai continuar com o nosso orgulho? Mas como é que se resolve essa situação? Se você olhar para a Segunda Guerra Mundial, o que os Estados Unidos fizeram com o Japão? Lançaram uma bomba atômica em Hiroshima para demonstrar força", argumentou o senador da República.

Visto como bolsonarista moderado —uma contradição em termos—, Tarcísio de Freitas telefonou ao STF, pedindo autorização para que o ex-presidente, cujo passaporte está apreendido, viajasse aos EUA e negociasse a sobretaxa. A proposta, além de inconstitucional, é cínica. Se a corte caísse na enrolação, seria o mesmo que permitir uma fuga. Trump praticamente ofereceu asilo a Bolsonaro, ao inventar que ele é perseguido político.

Pressionado, Tarcísio resolveu tomar uma atitude de estadista. Apagou o post em que aparecia com o boné MAGA.