segunda-feira, 1 de junho de 2026

Suspeita de lavagem e confusão patrimonial: o que levou a polícia até a produtora de ‘Dark Horse’, OESP

 Por Marcelo Godoy e Fausto Macedo

Atualização:

Além das supostas fraudes no contrato de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil, a Polícia Civil também investiga a suspeita de “desvio de finalidade e confusão patrimonial” para a lavagem de dinheiro envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up Entertainment. Karina recebeu R$ 1 milhão de uma emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias (PL-SP).

Policiais deixam à Secretaria de Inovação Tecnológica, na Rua Libero Badaró, na região central da capital paulista, carregando documentos apreendidos durante a Operação WI-FI, deflagrada para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB)
Policiais deixam à Secretaria de Inovação Tecnológica, na Rua Libero Badaró, na região central da capital paulista, carregando documentos apreendidos durante a Operação WI-FI, deflagrada para investigar a suspeita de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) Foto: Werther Santana/Estadao

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A decisão judicial que autorizou a Operação Wi-Fi cita a ligação de Karina Gama com a realização do filme Dark Horse. Há suspeita de repasse indireto de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento audiovisual para o filme. A Prefeitura já negou que o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro tenha recebido recursos municipais.

Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira, a administração municipal afirmou que “repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos”, sustentando que o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil “seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

A reportagem procurou a Go UP, o ICB e Karina, mas não conseguiu localizar suas defesas. Em oportunidades anteriores, Karina, o instituto e a Go Up negaram qualquer irregularidade O espaço segue aberto.

Entre as inconsistências investigadas está a apresentação de quatro faturas emitidas pela empresa Make Onde Tecnologia Digital Ltda, totalizando R$ 8,5 milhões sem a emissão das respectivas notas fiscais ou recolhimento tributário. As faturas têm numeração sequencial, mesma data de emissão e vencimento. Além disso, os valores teriam sido artificialmente fracionados, o que sugeriria possível montagem para justificar saídas ilícitas de recursos financeiros.

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Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente no filme Dark Horse, o deputado e roteirista Mario Frias e o diretor Cyrus Nowrasteh
Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente no filme Dark Horse, o deputado e roteirista Mario Frias e o diretor Cyrus Nowrasteh Foto: Mario Frias via X

A Make One foi uma das empresas contratadas pelo ICB para a execução dos 5 mil pontos de Wi-Fi na periferia da cidade, contrato que está no centro da Operação desencadeada nesta segunda-feira, dia 1.º, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Ela foi um dos alvos das buscas. A reportagem não conseguiu localizar seus sócios bem como sua defesa. O espaço segue aberto.

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Além da Make One, a investigação também apura notas fiscais emitidas pela empresa Complexys Soluções Integradas no valor de R$ 2 milhões, que foram canceladas no mesmo dia da emissão, mas que foram usadas para justificar despesas em prestação de contas apresentada à Prefeitura. Outra empresa que teria sido usada para justificar os gastos do ICB foi a JR Feijão Ltda, com sede no Ceará, que teria recebido R$ 406 mil em 2024.

Haveria ainda a suspeita de autofaturamento por meio de notas fiscais emitidas pelo ICB de mais de R$ 1,4 milhão e duplicidade de faturas no valor de R$ 925 mil, conforme parecer da própria secretaria municipal, que teria concluído pela gravidade das irregularidades financeiras na execução do contrato.

Favela Conectada

Por fim, há suspeitas em relação à subcontratação da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, atualmente denominada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. Contratada pelo ICB por R$ 12 milhões, a Favela Conectada teria recebido R$ 2 milhões até dezembro de 2025.

Polícia faz buscas sobre fraude da Prefeitura de São Paulo em prédio da Secretaria de Inovação Tecnológica
Polícia faz buscas sobre fraude da Prefeitura de São Paulo em prédio da Secretaria de Inovação Tecnológica Foto: Werther Santana/Estadão

A polícia chegou a constatar a ausência de dados essenciais no contrato do ICB com a Favela, como o nome completo do representante da empresa contratada, identificado apenas como Alex. A polícia constatou que se trata de Alex Sandro Bispo dos Santos, preso por feminicídio. Após sua prisão, a empresa foi transferida para uma mulher que declarou morar no mesmo endereço do ex-proprietário.

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O Estadão não conseguiu localizar as defesa da Complexys, da JR Feijão, bem como da Favela Conectada e de Bispo dos Santos. O espaço segue aberto.

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