sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Anonymous declara guerra cibernética à Rússia após invasão da Ucrânia, OESP

 Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2022 | 12h36

O grupo hacker Anonymous declarou em rede social, nesta quinta-feira, 24, que está “oficialmente em guerra cibernética contra o governo russo”. Cerca de 30 minutos depois, o coletivo anunciou que derrubaram o site do canal de RT News, rede de televisão estatal da Rússia - que voltou ao ar ao meio dia desta sexta-feira, 25 - e que as forças armadas russas estavam preparando um bombardeamento em grande escala em Kiev, capital da Ucrânia.

Nesta quinta-feira, 25, o grupo retornou para as redes para afirmar que derrubaram um segundo site russo: do Ministério da Defesa, que ainda permanece fora do ar.

Os impactos da 'guerra cibernética’ passaram a ser comparados com as consequências das guerras tradicionais com o avanço da tecnologia, uma vez que os conflitos virtuais podem afetar diretamente empresas estatais e privadas com roubos de dados e até mesmo perda de dinheiro.

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O grupo hacker Anonymous declarou que está “oficialmente em guerra cibernética contra o governo russo”. Foto: Reprodução

Anonymous é um coletivo descentralizado que se formou em 2003 que é conhecido por usarem a máscara do soldado britânico que inspirou o protagonista de "V de Vingança". Guiado pelo hackativismo, eles entendem a ação hacker como uma forma de ativismo político e social. Depois de um hiato, o grupo voltou à ativa com a divulgação uma suposta ação judicial contra o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado por estupro e abuso sexual.

No Brasil, o Anonymous ficou conhecido por divulgar, em 2020, supostos dados do presidente Jair Bolsonaro, de seus filhos e de integrantes do governo brasileiro como a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Meio, Sobre a Invenção de Putin

 Em finais do século 20, o cientista político Gleb Pavlovsky encomendou ao diário russo Kommersant uma pesquisa eleitoral. Queria saber quem as pessoas gostariam de ver como sucessor do presidente Boris Yeltsin. Mas era uma pesquisa diferente — Pavlovsky não buscava sugestões de políticos. Queria personagens da ficção. E o segundo colocado das preferências populares imediatamente lhe chamou a atenção: Stierlitz.

Um dos homens que os russos exaustos com a corrupção, a crise econômica, o caos de um Estado ausente e as beberragens de Yeltsin era este tipo sisudo, um agente secreto da KGB, protagonista de uma popularíssima minissérie da TV soviética nos anos 1970. Uma versão mais contida e reflexiva de James Bond — só que comunista.

Com o perfil traçado, o marqueteiro contratado pelo oligarca Boris Berezovsky tratou de buscar quem pudesse se encaixar naquele perfil. Não precisou ir longe. O diretor da FSB, a agência sucessora da KGB, era um sujeito baixo e discreto que tinha todos os trejeitos de Stierlitz. Possivelmente nem era sem querer. Vladimir Vladimirovich Putin havia ingressado na agência de espionagem soviética poucos anos após a série ir ao ar. Toda sua geração tinha naquele homem um ideal.

Pavlovsky buscava um produto de marketing, um ator para o personagem que estava criando. Berezovsky queria um fantoche para presidir o país que ele controlaria de fora.

Putin está faz 22 anos no poder — não era um ator, tampouco fantoche, e nenhum dos homens mais poderosos da Rússia percebeu que o discreto agente sempre teve a habilidade de ir se encaixando, sem que lhe dessem propriamente valor, que tinha também uma ideia de Rússia, outra de mundo.

O caos passou, em seu governo. Os oligarcas que tentaram resistir a ele com suas imensas fortunas, também. Nunca conseguiu erguer a economia, mas mantém um rígido controle do país, das liberdades.

E agora quer reescrever as regras pelas quais o mundo funciona. Fazer do século 21 um pouco mais parecido com o 20. Um tempo em que guerras de conquista voltam a fazer parte do jogo e democracias não são a norma.

A história, a formação e o mistério de Vladimir Putin — este é o tema da Edição de Sábado do Meio. O fundador da nova direita autocrática no mundo.

Slides sociais, Josimar Melo, FSP

 As novas gerações escaparam deste flagelo: sessões de slides dos retornados de suas férias.

A própria palavra "slide" —do inglês, com pronúncia idem— caiu em desuso. Em português seria diapositivo: foto em filme transparente que se colocava no projetor para exibir em telas grandes. Muito útil em aulas ou palestras; um martírio na parede do vizinho, do tio, do cunhado, acompanhado da entusiasmada narração dos que viveram, ou fingiam viver, aquelas alegrias.

As gerações atuais escaparam dos slides pós-viagem, mas não da sua essência sádica. Esta apenas se transferiu para a tela do celular, no mundo de fantasia das redes sociais.

Há uma vantagem nos novos tempos: ninguém precisa se submeter ao festival de ostentação, basta ignorar a rede social. A parte ruim é que é tudo instantâneo.

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Ronaldo Bastos, Sofia Carvalhosa e Josimar Melo passeiam em Nova York, em 1990 - Bob Wolfenson/Arquivo Pessoal

Mas... quem não olha as redes? São o ringue perfeito para o encontro de duas popularíssimas perversões
humanas: o exibicionismo e o voyeurismo. Todos querendo ser vistos no centro do picadeiro, e ao mesmo tempo, todos xeretando a vida alheia.

Antes este momento acontecia no escurinho da casa do vizinho, só depois da viagem; hoje, é à luz do dia, e o dia todo.

Além de detestar exibir minha vida pessoal, mais ainda fuxicar a de terceiros, eu tenho um bom motivo para evitar este show de horrores: sou um péssimo fotógrafo, seguramente o pior que eu conheço.

E, como a ostentação requer imagens que provoquem acessos de inveja e ódio em quem nos segue (e, se seguem, os merecem), não é possível fazê-lo com imagens pavorosas como as que, apesar de a câmera do celular se encarregar de praticamente tudo, eu perpetro (apenas para meus arquivos particulares).

A bem da verdade, alguém famoso conseguiu me superar —e em público— na incompetência fotográfica. Foi a apresentadora de TV americana (e também editora de revistas e livros) Martha Stewart. Em seus programas e publicações sobre culinária, arrumação de mesas, decoração de festas, tudo é lindo, de acabamento impecável.

Mas uns dez anos atrás ela resolveu entrar no Twitter. E, meio sem noção (pela idade —hoje tem 80 anos— ou por falta de assessoria que uma celebridade costuma ter), começou a publicar fotos do que comia. Comoção na internet: como é possível que ela, justo ela, exibisse fotos tão horríveis que chegavam a ser nojentas?

Por estas e outras é que eu não caio na armadilha. Sei que fotografar direito, até para não profissionais, requer certo talento e intuição que não tenho. Cito uma prova, embora pareça covardia, por se tratar de um fotógrafo gigantesco.

Estava passeando em Nova York em 1990 com Sofia Carvalhosa, gravidona da minha filha, hoje cantautora, Marina Melo, o amigo Ronaldo Bastos, compositor que faz parte da história da nossa música, e à época sósia do outro companheiro de passeio, o fotógrafo Bob Wolfenson.

De repente Bob disse "vou fotografar vocês". Pegou minha "câmera" (daquelas de plástico, descartáveis); acionou o "flash" (uma luzinha de nada, em pleno dia luminoso); começou a andar de costas, voltado para nós, e fez um clique. UM ÚNICO CLIQUE.

Semanas depois, filme revelado, vimos a foto. Neste único clique, estávamos quase no ar, leves, soltos. Zero ostentação: legítima felicidade, captada em cada milímetro do passo acima do solo, em cada ruga de alegria no olhar.

Jamais conseguiria fazer isto, nem que treinasse a vida toda. É por isto que não me chamo Bob; ele é tão bom que faz de equipamento seu próprio corpo: o olho atilado, o dedo preciso, sem falar da cabeça brilhante (no caso, refiro-me à sua testa exuberante, mais eficaz que qualquer refletor de estúdio...).