terça-feira, 27 de novembro de 2018

BR 18 ACM Neto dispara contra novo governo


Após declarar apoio ao então candidato Jair Bolsonaro no segundo turno, o presidente do DEM, ACM Neto, fez várias críticas nesta terça, 27, ao futuro governo em entrevista à rádio Metrópole, da Bahia. “Sou contra a discussão da Escola Sem Partido. Alguns falam que os professores estão militando em sala de aula. São exceções que devem ser tratadas como exceções. Mas censurar é completamente descabido”, afirmou o prefeito de Salvador.
Sobre o futuro do Itamaraty, ACM Neto disse que “nada justifica que se imprima uma ideologia de direita no ministério. É um ministério que tem que ter uma visão pragmática”. Já com relação à possibilidade de Bolsonaro ver a prova do Enem antes de aplicada, o prefeito disse que “isso não existe”.

Os blogueiros estão chegando, FSP

Futuros ministros revelam seu pensamento em páginas da internet

No auge da sua popularidade, durante a primeira década do século, alguns sábios acreditaram na hipótese de que os blogs poderiam substituir o jornalismo, em especial a mídia impressa. Não rolou. Eles não acabaram, nem provavelmente vão acabar. Procurando bem, alguns são excelentes. Mas sua importância, repercussão e audiência declinaram. Foram derrotados dentro da própria internet, pelo avanço de novas mídias sociais. 
Jair Bolsonaro, no entanto, parece depositar uma fé cega neles. Já são dois os ministros blogueiros. Ernesto Araújo lançou em setembro, no início da campanha eleitoral, o Metapolítica 17: Contra o Globalismo. Ricardo Vélez Rodríguez mantém desde 2009 o Rocinante. Como no jogo do bicho, vale o escrito. 
Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores - Adriano Machado/Reuters
Araújo, o novo chanceler, bate-se contra conceitos tão esdrúxulos que nem ele sabe explicar direito do que tratam: “Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural. (...) A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante”. Lembra um profeta de praça, Bíblia na mão.
Vélez Rodríguez, o futuro ministro da Educação, mostra em suas postagens que está a ponto de iniciar uma cruzada contra os “catecismos” de Carlos Zéfiro. Simpático à monarquia, afirma que a ditadura militar é fato a ser comemorado. Combate a “índole cientificista” no ensino, mas nada comenta sobre jovens que têm dificuldade em interpretar textos ou fazer simples operações de soma e subtração. 
Responsável pelas duas indicações ao primeiro escalão do governo, o guru Olavo de Carvalho entende como ninguém o espírito que impulsionou o fenômeno dos blogs. “Eles leem as coisas que eu escrevo e levam a sério”, revelou em recente entrevista ao jornal O Globo, acrescentando que se acha “irresistível”. Eu, hein, Rosa! 
 
Alvaro Costa e Silva
Jornalista, atuou como repórter e editor. É autor de "Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro".

Velho Congresso faz queima de estoque para salvar a própria pele, FSP

Ainda no intervalo entre os dois turnos da eleição, o chefe de um dos partidos tradicionais do Congresso procurou Michel Temer para propor um pacto. O plano era fechar um acordo e aproveitar os meses finais do ano para votar a jato um projeto que desse anistia a quem recebeu dinheiro por caixa dois.
A proposta seria pautada na Câmara e no Senado às vésperas do feriado da proclamação da República. A trama naufragou após a hesitação de alguns líderes e com a escolha de Sergio Moro, detrator do financiamento eleitoral “por fora”, como próximo ministro da Justiça.
Os políticos que não tiveram o passaporte carimbado para continuar no poder em 2019 ficaram com os sentidos de autopreservação aguçados. A renovação dos quadros do Congresso pode fazer com que as semanas finais do ano sejam a última oportunidade para emplacar artimanhas para proteger alguns deles.

O futuro ministro Sergio Moro, que pede sensibilidade aos parlamentares - Carl de Souza/AFP
A anistia ao caixa dois não foi adiante, mas PP, PR e companhia ainda tentam articular a votação de um projeto que afrouxa a punição a alguns crimes, incluindo corrupção. A Folha revelou que essas siglas pressionam o presidente da Câmara a pautar o texto até dezembro.
Moro criticou a ideia e disse confiar que os parlamentares tenham “a sensibilidade de aguardar o próximo governo para uma matéria tão importante”. É exatamente o contrário.
No Congresso de hoje, o espírito de corpo é capaz de unir até partidos tão distintos quanto DEM e PC do B. No próximo ano, deputados e senadores devem ter mais dificuldade para convencer os novatos a aprovarem medidas que se choquem com o discurso de combate à corrupção que ajudou a elegê-los.
No pacote de fim de ano, os congressistas também tentaram reduzir o tempo pelo qual ficam inelegíveis alguns políticos enquadrados na Lei da Ficha Limpa, mas a ideia saiu de pauta. Só teve sucesso no saldão o aumento de salário de ministros do STF e juízes. A turma de Brasília não quer ficar mal com aqueles que poderão julgá-los daqui por diante.


Bruno Boghossian
Jornalista, foi repórter da Sucursal de Brasília. É mestre em ciência política pela Universidade Columbia (EUA).