segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Bruno Dantas renuncia ao TCU, e Rodrigo Pacheco assumirá cargo- FSP

 

O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas enviou nesta segunda (31) ao presidente do órgão, Vital do Rêgo Filho, comunicado de que está renunciando ao cargo "em caráter irretratável".

Homem de terno preto, camisa branca e gravata roxa sentado com as mãos cruzadas no colo, olhando para o lado direito, com fundo azul uniforme.
O ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas - Eduardo Knapp - 25.ago.25/Folhapress

Ex-presidente do tribunal, ele afirma que a decisão "é pessoal e voluntária, amadurecida ao longo dos últimos meses".

Ele pede também que "a declaração de vacância e correspondente ato de exoneração produzam efeitos a partir de 9 de setembro de 2026".

O substituto deverá ser indicado pelo Congresso Nacional, e já está escolhido: o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que deverá ser aprovado nas próximas semanas pelos parlamentares.

Ele tem apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que neste ano tentou emplacar seu nome para ser ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula, no entanto, preferiu indicar o advogado-geral da União Jorge Messias para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso do tribunal.

O presidente acabou derrotado pelos senadores e o posto segue vago até hoje.

Dantas abrirá uma empresa estruturadora de projetos de investimentos e já pediu à OAB a reativação de sua carteira de advogado para exercer a profissão.

O agora ex-ministro, de acordo com interlocutores, conversa com o escritório de advocacia novaiorquino White&Case e também deve atuar, ao lado do jornalista Leandro Colon, no setor de Compliance, Gestão de Crise e Reputação.

Leia, abaixo, a nota de Bruno Dantas:

Nota Pública

"Hoje protocolei meu pedido de renúncia ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União para me dedicar a novos projetos na próxima etapa da minha vida profissional.

São quase três décadas devotadas integralmente ao serviço público, iniciadas em 1998. Foi nesse tempo que aprendi quase tudo o que sei sobre o Brasil, suas instituições e o que significa, na prática, servir.

Encerro este ciclo com a serenidade de quem cumpriu, com lealdade e dedicação, todos os mandatos que me foram confiados. E com a convicção republicana de que a rotatividade nos altos cargos do país é uma virtude. As instituições se fortalecem quando seus quadros sabem chegar e sabem partir.

Aos 48 anos, depois de presidir o Tribunal em anos de grande projeção institucional, sentia que estava na hora de novos desafios.

Sou, por temperamento, intelectualmente inquieto — sempre fui. E encontrei, nos projetos que pretendo abraçar, o feixe de motivação de que precisava: iniciativas de interesse nacional em áreas estratégicas, a continuidade da minha dedicação à vida acadêmica e a participação no debate público — agora a partir de outro ponto de observação.

É a essa agenda plural que dedicarei minhas melhores energias na próxima etapa profissional de minha trajetória.

Mas antes de seguir, quero registrar alguns agradecimentos, a parte mais importante deste anúncio.

Aos colegas ministros e, de modo muito especial, aos auditores do Tribunal de Contas da União: convivi com vocês nos anos mais intensos da minha vida pública, e foi com vocês que aprendi o que é o serviço público em sua expressão mais nobre. Devo a vocês — e ao Tribunal — parte essencial do que carrego comigo para o resto da vida.

À minha equipe de colaboradores, dentro e fora do gabinete: vocês souberam, dia após dia, transformar ideias em resultado concreto. O que foi feito é obra de vocês.

Ao Senado Federal — Casa que me acolheu aos 25 anos como consultor legislativo aprovado em concurso público, formou o profissional e acadêmico que sou, e abriu, nos anos seguintes, todas as portas que percorri na vida pública. Foi ali que tudo começou.

E à minha família: vocês são, sempre foram, a base sobre a qual tomei cada decisão importante da minha vida. Esta também é, antes de tudo, uma decisão amadurecida com vocês.

Brasília, 31 de agosto de 2026.

Bruno Dantas"

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