Agropecuária, resíduos e energia contam com um cardápio de 37 soluções que podem ajudar o Brasil a reduzir as emissões de metano (CH4) no curto prazo, segundo um estudo lançado nesta terça (18/8) pelo Observatório do Clima. Parte delas passa pelo biogás. A intenção do documento é apresentar estratégias já existentes, com relação custo-benefício, para que produtores, municípios e gestores públicos em geral possam fazer escolhas mais conscientes, explicaram os pesquisadores durante evento de apresentação a jornalistas nesta manhã. O Brasil faz parte, ao lado de outros mais de 150 países, do Compromisso Global de Metano para reduzir as emissões em 30% em relação aos níveis de 2020 até 2030. Mas está aumentando seu impacto climático com o gás. Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg), em 2024, o Brasil lançou na atmosfera 21 milhões de toneladas de metano, puxadas pela agropecuária, com 75% desse volume. Em segundo lugar está o setor de resíduos, com 16% do total emitido (3,3 milhões de toneladas em 2024). Uma parte importante da solução está associada ao aproveitamento energético, a exemplo da captura do biogás gerado em aterros e sistemas de esgoto. O biogás, aliás, aparece também como um caminho para reduzir emissões na agropecuária e no setor de energia, com a substituição de lenha na cocção por biodigestores. Entre os exemplos citados pelo mapeamento está a Central de Tratamento de Resíduos Macaúbas, em Sabará (MG). A recuperação energética no aterro é feita por meio da captura e queima de biogás para a geração de energia elétrica. A termelétrica a biogás instalada no local possui capacidade de 7,1 MW, o suficiente para abastecer cerca de 31 mil residências. Enquanto isso, no Aterro Metropolitano Centro (AMC), em Lauro de Freitas (BA), recebe uma média de 3 mil toneladas de resíduos por dia vindos da capital Salvador e cidades vizinhas e os transforma em energia na termoelétrica Termoveder Salvador equivalente ao consumo de cerca de 200 mil habitantes. Em outra frente, o programa lançado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para levar biodigestores a cozinhas solidárias aparece como uma alternativa para reduzir o consumo de lenha e as emissões associadas no setor de energia. O avanço dessas soluções, no entanto, depende de uma série de fatores como planos para resíduos sólidos, financiamento e apoio político. |
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