quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Heinz Dieter Oskar August Fill (1937 - 2026) Mortes: Engenheiro foi referência em hidrologia e geração de energia, FSP

 

Curitiba

Temido nas bancas pelo rigor técnico-científico, o professor Heinz Dieter Oskar August Fill era famoso no mundo da engenharia. Exigente, aplicava trabalhos detalhados aos alunos da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Quando reclamavam, ele dizia: "É por isso que se chama trabalho".

Seu lado sério contrastava com a personalidade alegre e colaborativa. Generoso e humilde, oferecia sua casa para orientandos tirarem dúvidas e entregarem trabalhos atrasados.

Docente na UFPR de 1985 a 2008, integrou a primeira turma de engenharia mecânica e foi um dos fundadores do programa de pós-graduação em engenharia de recursos hídricos e ambiental da instituição.

Homem idoso com barba e cabelo grisalhos veste smoking preto com gravata borboleta cinza, segurando microfone em ambiente interno com cortinas e janelas ao fundo.
Heinz Dieter Oskar August Fill (1937 - 2026) - Arquivo pessoal

Seu trabalho o tornou uma das maiores referências nas áreas de hidráulica, hidrologia e energia do Brasil. Ele escreveu um livro sobre a hidrologia do rio Iguaçu, bacia hidrográfica no Paraná à qual dedicou grande parte de suas pesquisas.

Presença certa em simpósios brasileiros sobre o tema, Fill era querido por alunos e colegas. "Fiquei impressionado com a destreza com a qual ele conduzia os trabalhos", diz Daniel Detzel, que trabalhou ao seu lado em um projeto internacional sobre impactos das mudanças climáticas na geração de energia hidrelétrica na bacia do rio da Prata.

Sua paixão pela natureza e sua elevada capacidade de memória o permitiram aliar conhecimentos técnicos e práticos, diz o também colega Cláudio Kruger. "Sua memória e compreensão matemática dos vários campos permitiam saber tudo ‘na ponta da língua’, escrevendo equações e métodos de resolução de problemas, de cabeça."

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Fill trabalhou na Copel (Companhia Paranaense de Energia) de 1968 a 1996, e, mesmo mestre em engenharia nuclear, sempre valorizou a geração de energia sustentável, tornando-se doutor em engenharia ambiental pela Universidade Cornell (EUA).

Seu trabalho inspirou e transformou muitas vidas, como a de Cristovão Fernandes, ex-aluno que se tornou colega e amigo. "Ensinava que tudo devia ter impacto de transformação na sociedade e produziu soluções de engenharia para o desenvolvimento energético no Brasil, em especial, na bacia do rio Iguaçu."

Nascido em Wiesbaden, na Alemanha, em 1937, Fill teve quatro irmãos e chegou a São Paulo aos 13 anos, passando por Santa Catarina e Paraná, onde morou em Maringá e depois em Curitiba. Casou-se com Diva Campos e teve três filhos e quatro netos, tornando-se um pai e avô atencioso e sempre disposto a ajudar.

"Foi um pai sensacional, alegre, dedicado, inteligente, com uma força de vontade imensa", conta o filho Guilherme.

Gostava de reunir amigos em casa para um churrasco e fazer caminhadas e montanhismo, como trilhas na serra do Mar ou no pico Marumbi, o qual subiu inúmeras vezes. "Adorava tomar banho de cachoeira", recorda o filho.

Com um ditado para cada situação, Fill reforçava aquele que diz: "O trem se espera na estação". O engenheiro morreu em 6 de agosto, aos 88 anos, de falência múltipla de órgãos.

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