quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Alexandria Ocasio-Cortez decide congelar óvulos enquanto hesita sobre candidatura à Presidência, FSP

 "Ela vai ou não vai?" é uma pergunta que consome Washington. Uma nova pesquisa no estado de New Hampshire, terceiro no calendário de eleições primárias da campanha de 2028, colocou Alexandria Ocasio-Cortez no topo entre potenciais candidatos democratas a presidente.

Aos 36 anos, a deputada nova-iorquina do bairro do Bronx, que só perde para o senador Bernie Sanders em popularidade nacional entre os eleitores de esquerda, ultrapassou a barreira de idade mínima —35— para se candidatar à Presidência.

A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez durante manifestação no Capitólio - Alex Wroblewski - 22.jan.26/AFP

Portanto, quando a deputada conhecida como AOC gravou o primeiro de uma série de anúncios, no domingo (9), a caminho de uma entrevista para um programa político, qual não foi a surpresa de seus 9,6 milhões de seguidores no Instagram quando ela entrou no estúdio da rede ABC, colocou uma bolsa térmica na mesa ainda não ocupada pelo âncora e retirou vários itens médicos.

Em seguida, ela levantou a blusa e começou a se injetar hormônios, explicando que estava no segundo dia do processo que espera levar à produção de óvulos para serem congelados.

Na publicação, AOC lembrou que, há apenas oito anos, estava trabalhando como garçonete e precisou economizar para iniciar todo o processo —não bancado pelo seguro de saúde— que pode levar a uma futura gravidez. A deputada informou que vai gastar inicialmente US$ 9.000 (R$ 46,4 mil) e mais US$ 1.200 (R$ 6,2 mil) em aluguel anual ao banco de óvulos congelados.

A imprensa política da capital, que, às vezes, mal se distingue da mídia de fofocas, começou a caçada febril para confirmar se AOC terminou o noivado que anunciou em 2022 com Riley Roberts, um taciturno desenvolvedor de websites. Eles se conheceram e começaram a namorar na faculdade há 17 anos. Primeira dica para os Sherlocks: a noiva não usa o anel que ganhou do pretendido há mais de dois anos.

À repórter de um tabloide que a seguiu na rua em Nova York, AOC respondeu apenas: "Não comento sobre a minha vida pessoal". Espera aí, o que é mais pessoal do que gravar um vídeo aplicando hormônios na região abdominal? Deixo a discussão sobre a fronteira do pessoal e do político para outra ocasião.

Mas a série de vídeos explicativos, que AOC continua a postar sobre o tratamento, depois de provocar o previsível ataque de nervos entre trolls habituais, está sendo elogiada como um exemplo de clareza didática sobre o desafio solitário enfrentado por tantas mulheres, com ou sem companheiros.

No domingo, AOC disse ao entrevistador da ABC apenas que o foco no momento é se reeleger deputada em novembro, mas não eliminou a chance de uma candidatura a presidente, em 2028, ou uma corrida para despachar Chuck Schumer, o geriátrico líder democrata no Senado, no mesmo ano.

No momento, ela passa parte do tempo desmontando propaganda que iguala social-democracia a comunismo e explicando que é afiliada apenas ao agrupamento nova-iorquino da organização Democratic Socialists of America —mas não é endossada pela ala nacional, que a rejeitou, entre outros motivos, por não ser contra Israel o bastante.

Observando a evolução da jovem cuja vitória estremeceu o establishment do Partido Democrata em 2018, arrisco apostar que o apetite legislativo de AOC, especialmente em saúde e ambiente, vai aproximá-la de uma corrida ao Senado, uma plataforma inicial melhor para saltar para a Casa Branca e mais estável para contemplar a maternidade.

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