segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Álvaro Costa e Silva, O Rio dos megashows, helicópteros e aluguéis por temporada- FSP

 

Rio de Janeiro

Mestre e doutora em Letras pela PUC-Rio, a professora e atriz Teresa Montero conduz, desde 2008, passeios culturais que exploram a presença da literatura nas ruas do Rio de Janeiro. Uma espécie de pequeno turismo na cidade que, hoje, é pensada e planejada não mais para os seus moradores —e sim para o turismo de massa, para os megaeventos.

Os passeios idealizados por Teresa já renderam os livros "O Rio de Clarice" (2018) e o recém-lançado "O Rio de Fernando Sabino", ambos publicados pela Autêntica. São dois guias íntimos e afetivos, que recomendo não só aos visitantes da cidade como àqueles que se interessam pela sua transformação ao longo do tempo.

Fernando Sabino e Clarice Lispector
Os escritores Fernando Sabino e Clarice Lispector - Acervo Fundação Casa de Rui Barbosa

A viagem em torno de Fernando Sabino mostra que o romancista e cronista mineiro –que viveu no Rio durante 56 de seus 80 anos– virou um carioca da zona sul, com a típica aversão a vestir terno e engravatar-se para ir ao centro. Mais especificamente, um homem de Copacabana, bairro que se tornara uma obsessão e um ideal de vida desde os tempos de adolescente em Belo Horizonte.

Nas últimas páginas do romance "O Encontro Marcado", o protagonista Marciano –que não esconde as tintas autobiográficas– retrata a atmosfera copacabanense nos anos 1940: "ônibus, cheiro de óleo queimado, maresia".

Nas crônicas, são citados o edifício Elizabeth, na avenida Nossa Senhora de Copacabana, onde o escritor morou; o apartamento de Carlos Drummond de Andrade; o "quartinho" de Paulo Mendes Campos; a paróquia São Paulo Apóstolo; o clube dos Marimbás. O cronista atual que seguir os passos de Sabino não terá dificuldade para achar o bar Bico (o cafezinho continua excelente) nem os restaurantes Alcazar e Lucas, com os nomes infelizmente trocados para Meiuca e Garota de Copacabana.

O ambiente, no entanto, é outro: nas areias da praia, megashows para 2 milhões de pessoas; os céus tomados por helicópteros de turismo desviando-se para não colidir; um apartamento de dois quartos na rua Siqueira Campos com aluguel por temporada ao custo surreal de R$ 23 mil.

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