segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Haddad rebate discurso de Tarcísio de que cracolândia acabou: 'Vai lá no Brás hoje à noite'- FSP

 

São Paulo

Candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, o ex-ministro Fernando Haddad rebateu nesta segunda-feira (24) o discurso da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) de que a cracolândia acabou.

"Vai lá no Brás hoje à noite. Convido as pessoas a dar uma caminhada no Brás depois das 20h, 21h da noite para ver se a cracolândia acabou. O fato de as pessoas mudarem de lugar para consumir crack não significa que não há consumo de crack na cidade de São Paulo", disse.

A declaração foi dada em sabatina promovida por Folha e UOL, a primeira sabatina do ciclo para a disputa paulista. A conversa foi conduzida por Fabíola Cidral e Josias de Souza, do UOL, e por Bruno Ribeiro, da Folha.

Seis imagens mostram um homem de meia-idade com cabelo grisalho curto, vestindo camisa branca e paletó escuro, em um ambiente interno neutro. Ele apresenta variações de expressão facial, incluindo fala, atenção e reflexão.
Montagem com frames da sabatina com o ex-ministro e candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad - Reprodução/UOL no YouTube

A gestão do atual governador tem afirmado que a cracolândia acabou na capital paulista. A narrativa aparece até na proposta do candidato à reeleição registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Haddad chamou o discurso de "absurdo" e disse que reportagens já mostraram, inclusive com imagens, o consumo de crack fragmentado pela cidade. O ex-ministro citou o envio de equipes para Brás, Itaquera, Marginal Tietê e Marginal Pinheiros, em um sinal de como o tema deve ser empregado na campanha.

O petista foi questionado sobre tratamento dado pelo governo ao tema e sobre se voltaria com o programa Braços Abertos, criado por ele quando era prefeito para oferecer moradia, alimentação, atendimento em saúde e trabalho remunerado a usuários.

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O ex-ministro reforçou que a abordagem sanitária é importante e disse ser necessário abordar essas pessoas para tratá-las. Ele propôs uma divisão de tarefas em que o governo estadual combate o tráfico e as prefeituras focam a questão do usuário. "Se você não der o tratamento para essas pessoas, essas pessoas não vão deixar de consumir. Elas precisam de uma saída."

Como mostrou a Folha, o plano de governo registrado pelo ex-ministro não cita a cracolândia na capital paulista nem o problema das drogas no estado. A equipe de Haddad afirma que essa proposta não é a versão final, e sim diretrizes. Segundo a campanha, o ainda texto definitivo vai ser divulgado, e o tema da cracolândia estará presente no eixo de saúde, que será lançado em breve.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) aponta 45% das intenções de voto para Tarcísio no primeiro turno, contra 27% de Haddad —diferença que garantiria a vitória do governador na primeira etapa, já que ele soma 52% dos votos válidos. Em eventual segundo turno, o levantamento indica vitória de Tarcísio por 54% a 35%.

Indagado sobre o desempenho das pesquisas, Haddad minimizou. Disse que, matematicamente, só há segundo turno com três candidatos competitivos e que existe diferenças em relação aos levantamentos.

Em um momento, o candidato se irritou com as perguntas: "Eu tenho 50 minutos para falar do estado, porque que eu sou oposição ao atual governo, e falar das propostas para corrigir isso. Nós estamos há 13 minutos já falando de pesquisa e de uma eleição que vai ser difícil. Eu não estou negando. Nunca dei uma entrevista dizendo que era uma eleição fácil (...). Nós podemos ficar 50 minutos discutindo isso aqui —talvez, não sei se é isso que o assinante aqui do UOL espera, mas está dito: é uma eleição difícil".

No final da sabatina, Haddad foi convidado a responder a provocações rápidas, com sim ou não, a favor ou contra ou apenas uma palavra.

Entre a Prefeitura, Ministério da Fazenda ou Ministério da Educação, todos lugares onde já esteve no comando, ele afirmou gostar dos três e disse "tudo".

Sobre câmeras nos uniformes da polícia, afirmou "ininterrupta", em referência à sua proposta de voltar a gravações em 100% do tempo.

Também disse ser a favor do Smart Sampa, sistema de monitoramento da prefeitura, desde que com o uso de inteligência artificial para processamento de dados.

Haddad ainda afirmou ser "desnecessário" o voto impresso, ser "totalmente contra" bets e a favor da proibição do Discord no Brasil.

Quanto à legalização do aborto, redução da maioridade penal e anistia total a condenados pelo 8 de Janeiro, se posicionou de maneira contrária.

Questionado sobre sua posição da descriminalização do porte e uso de maconha para uso pessoal, respondeu ser a favor da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Não recomendou uso de inteligência artificial na campanha eleitoral e se posicionou a favor da regra de reeleição.

Citou a disciplina como uma qualidade e afirmou ter muitos defeitos, mas não citou nenhum.

Haddad, 63, nasceu em São Paulo capital em 25 de janeiro de 1963. Tem graduação em direito, mestrado em economia e doutorado em filosofia, todos pela USP, onde é professor do Departamento de Ciência Política desde 1997.

Na carreira pública, foi subsecretário de Finanças de São Paulo (2001-2003), assessor especial do Ministério do Planejamento (2003-2004) e secretário executivo do Ministério da Educação (2004-2005) antes de assumir a pasta como titular até 2011.

Foi prefeito de São Paulo de 2013 a 2017. Em março de 2026, deixou o Ministério da Fazenda do governo Lula para confirmar a pré-candidatura ao Governo de São Paulo. Concorre por uma coligação de sete partidos, contra os dez que integram a chapa de Tarcísio.

Seu vice na chapa é Márcio França (PSB), ex-governador de São Paulo, ex-prefeito, ex-secretário de Estado e ministro em duas pastas.

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