A maior Cuba libre de que se tem notícia foi preparada em Havana, em 2018. Foram 540 litros do famoso coquetel, num copo de quase dois andares de altura. Embaixo, duas torneiras apenas faziam o contraste.
Cerca de 20 bartenders se dedicaram à tarefa. Vieram de várias partes das Américas para um encontro internacional de coquetelaria. Da escadaria do hotel Habana Libre despejaram no copão mais de cem garrafas de rum e 200 litros de Coca-Cola, além de quilos de gelo e limão.
Nunca saberemos se, no entusiasmo da ação descomunal, caíram na mistura abotoaduras, pares de óculos, chicletes mascados, cigarros acesos e cartões-chave de quartos.
O último dia 13 marcou o centenário de Fidel Castro. Brindes mundo afora certamente foram feitos para o histórico líder cubano. Muitos terão bradado "Viva la revolución!", alguns com nostalgia, outros com fervor. (Veteranos da esquerda talvez tenham brindado com o copo vintage da ilha, que traz imagens de Fidel, Che, Cienfuegos e o menos conhecido Manuel Urrutia).
O fervor tomara conta do hotel Habana Libre —então Hilton— na derrubada da ditadura de Fulgencio Batista, em 1959. Há uma foto impressionante com os guerrilheiros armados da Sierra Maestra ocupando o lobby do hotel, totem do capitalismo. Oito dias antes, o Ano-Novo havia sido comemorado ali, com empresários, políticos corruptos e mafiosos festejando os lucros que, mal sabiam, cessariam em breve.
Por cerca de três meses, a franquia Hilton serviu de quartel-general da revolução. Prático e simbolicamente perfeito. Fidel ficava na suíte La Castellana, de onde fazia reuniões e pronunciamentos, dava entrevistas e se encontrava com políticos estrangeiros. Por um período, o hotel também abrigou a embaixada da União Soviética, que apoiava política e economicamente o novo regime.
O que o carismático líder barbudo bebia? Gostava do óbvio Cuba libre, de uísque e também, ao que parece, de uma versão do mojito que leva refrigerante de limão no lugar da água com gás. Era o mojito del Che. (No fim da vida, Fidel alertou para os malefícios do álcool.)
Em 1959, ele bebia com a jovem Marita Lorenz, de 19 anos. Filha de um capitão de navio alemão e uma francesa que foi da Resistência, era sua amante e também secretária. Num episódio meio nebuloso, ela tentou matar o comandante na suíte do Habana Libre. Cooptada pela CIA nos EUA, voltou para Cuba com duas cápsulas de veneno, que derreteram, escondidas num pote de creme. Ela confessou o malogro a Fidel, que, surpreendentemente, a perdoou.
Existe um coquetel chamado Fidel Castro. Junta rum escuro, limão e ginger ale. A receita pede o Havana Club, tradicional marca criada em 1934, nos tempos em que a capital cubana era uma "Las Vegas tropical". A marca foi nacionalizada pelo governo comunista, logo depois da revolução.
A primeira menção ao El Presidente surgiu no "Manual del Cantinero", na Cuba de 1915. O presidente da época era um capitalista conservador e o país vivia à sombra dos EUA. A licença poética/revolucionária da inversão Hilton-Habana Libre permite que o coquetel sirva de homenagem ao centenário de Fidel.
El Presidente
- 45 ml de rum
- 22,5 ml de vermute bianco
- 7,5 ml de licor de laranja
- 10 ml de suco de limão
- 5 ml de grenadine
- Mexa os ingredientes com gelo e coe para uma taça coupe. Decore com uma cereja marrasquino

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