"Nenhuma mulher envelhece na TV". Joanna de Assis, 45, faz essa reflexão ao falar sobre a sua recente demissão da Globo, onde trabalhou por 20 anos.
Em conversa com o F5, a jornalista afirma que não acredita que o etarismo tenha sido a razão de seu desligamento, mas reconhece que o episódio pode transmitir uma mensagem que considera ruim para as mulheres que desejam construir carreira no jornalismo esportivo.
"Muitas pessoas entenderam a minha saída como etarismo, porque realmente nenhuma mulher do esporte consegue envelhecer em paz no vídeo. Mas eu sinceramente não acho que isso aconteceu comigo", diz.
Apesar de parte do público nas redes associar sua saída à idade, Joanna afirma não acreditar que tenha sido esse o seu caso, mas faz uma ponderação. "Embora eu não relacione essa questão à minha demissão, me preocupo com a mensagem passada. Espero que isso mude."
Joanna conta se sentir responsável por reforçar a presença feminina no setor e por brigar para passar a mensagem de que as mulheres podem, existem e vão "continuar incomodando".
"Não quero que as meninas que sonham em ser jornalistas esportivas pensem que elas têm validade", afirma. Ela diz que justamente por isso quis evitar o tom melancólico que costuma acompanhar anúncios de despedida. Assim, transformou nesta quarta-feira (19) um vídeo sobre o tema numa publicidade com uma empresa de carnes. "Melancolia não combina muito comigo".
Com a marca, fez da saída uma mensagem de afirmação e criou a campanha "Mulheres não choram, elas lucram e fazem churrasco", como uma maneira bem-humorada de reagir ao momento.
A demissão, no entanto, não deixou de ser um choque. "Eu estava apurando na Redação. Tomei um susto", relata. Segundo ela, a conversa com a Globo foi breve e a empresa apenas informou que não pretendia dar continuidade ao ciclo.
A jornalista afirma que recebeu a decisão com maturidade. "Aceitei. Foi tudo muito adulto, sem indignação nem perda do tom. Como tem que ser qualquer fim de relação, concordando ou não."
Joanna estava na Globo desde 2006, quando entrou como setorista. Dois anos depois, passou a trabalhar na televisão após participar do Redação SporTV e ser convencida pelo diretor Emanuel Castro.
Desde então, cobriu diferentes modalidades e competições, participou do Bem, Amigos!, foi correspondente da emissora em Nova York e se tornou um dos nomes mais experientes do jornalismo esportivo da casa.
Em 2025, ela ganhou a primeira oportunidade como titular de um programa esportivo, ao assumir o comando do Tá On, no SporTV, além de participar do rodízio de apresentadores do Globo Esporte SP aos sábados.
Entre os trabalhos que destaca na carreira estão a investigação sobre abusos sexuais na ginástica, que teve repercussão internacional e recebeu prêmios, e o podcast Nos Armários dos Vestiários, projeto que, segundo ela, foi resultado de 15 anos de dedicação.
Agora, Joanna pretende continuar na comunicação, mas diz não ter pressa para definir o futuro. "Estou ouvindo as propostas, como tem que ser, com muita calma para o próximo passo. Só quero que seja um desafio grande, porque é disso que eu gosto."
Para ela, a saída da Globo encerra um ciclo importante, mas não define o que vem pela frente. "Estou lotada de energia aqui. E meu currículo sou eu."

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