São raros os debates presidenciais que mudaram o curso de uma eleição. O caso sempre citado é o do embate entre Kennedy e Nixon em 1960. O republicano foi mal. Não tanto pelo que disse, mas por exalar nervosismo. Suava profusamente enquanto seu adversário foi capaz de projetar uma imagem de dinamismo. No Brasil, temos o confronto entre Collor e Lula em 1989. Além do conteúdo do debate propriamente dito, pesou a edição pró-Collor que a Globo fez do evento.
Mais recentemente, em 2024, tivemos Trump versus Biden, que custou ao então presidente sua candidatura. O democrata estava tão confuso e fragilizado que deflagrou em seu próprio partido um movimento para substituí-lo por Kamala Harris.
Com um histórico desses, dá para entender por que candidatos bem posicionados nas pesquisas hesitam em participar de debates, especialmente os de primeiro turno. As perdas podem ser catastróficas. Mas esse é o cálculo dos candidatos. Do ponto de vista do eleitor, debates são uma das poucas oportunidades em que é possível avaliar os postulantes em ambientes sobre os quais não exercem tanto controle, mostrando-se sob condições mais próximas às da vida real. Basta lembrar de um dos debates na disputa de 2024 pela prefeitura paulistana, em que um dos candidatos jogou uma cadeira contra um dos adversários. Tal destempero, inegavelmente uma informação útil, na nunca apareceria na propaganda de TV e material que vai para as redes sociais.
Nunca comprei a versão romântica de debates como o espaço em que candidatos apresentam suas propostas a um eleitor perfeitamente racional que as compara e forma seu juízo. Em geral, o eleitor escolhe um postulante por motivos emocionais e depois produz uma racionalização para justificar o voto.
Mas, num mundo que se torna cada vez mais editado e roteirizado, precisamos tentar manter algumas janelas em que as pessoas que querem nossa confiança se apresentem com menos filtros. É pena que os debates estejam sendo esvaziados.

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