quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Cezinha de Madureira fez contrato para comprar 4% de instituto de André Mendonça, FSP

 Mônica Bergamo

O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) assinou um contrato de opção de compra futura de 4% de participação no Iter, o instituto jurídico lançado pelo ministro André Mendonça em novembro de 2023, depois que já integrava a corte.

O documento foi encontrado no material apreendido pela PF em operações de busca e apreensão contra o parlamentar e a advogada Valéria Linhares determinadas pelo ministro do STF Flávio Dino.

Homem de cabelos curtos grisalhos veste toga preta e camisa branca com gravata verde, sentado em cadeira marrom clara, gesticulando com a mão direita estendida enquanto fala. Microfone e laptop estão à sua frente em ambiente interno com fundo desfocado.
O ministro André Mendonça, do STF - Antonio Augusto/STF

Dino autorizou a operação contra Cezinha e a advogada no dia 14 de setembro, em investigação que apura suspeita de comercialização de influência junto a ministros de tribunais superiores.

Um mês antes, agentes apreenderam no aeroporto de Congonhas uma bagagem de mão com R$ 510 mil levada por Valéria, que é namorada de Cezinha.

Em março do ano passado, o parlamentar mediou um encontro entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro André Mendonça.

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De acordo com a assessoria do magistrado, Cezinha não foi e nunca poderá ser sócio do Iter.

Segundo o relato, o parlamentar assinou um contrato de opção de compra futura de 4% do instituto. Depositou ao ministro em caução o equivalente a 1% das ações, ou R$ 19.353. Os outros 3% seriam vendidos a ele por outros sócios do Iter.

Mendonça e Cezinha, ainda segundo a explicação, tinham combinado que a compra só seria efetivada se o parlamentar deixasse a política. A previsão era de que isso acontecesse em 2027, quando ele já não seria mais deputado.

O ministro Flávio Dino pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que o encontro de Mendonça com Vorcaro e atos jurídicos dele sejam apurados.

No mesmo mês do encontro com Vorcaro mediado por Cezinha, Mendonça pediu vista de um processo que envolveria interesses do conglomerado do Banco Master em concessões de cemitérios privados em SP.

Quando o julgamento foi retomado, em abril de 2025, ele votou contra a manutenção de uma decisão individual de Dino que estabelecia restrições às concessionárias de cemitérios.

Diante do que considera "quadro indiciário suficientemente relevante" na atitude de Mendonça, o ministro Dino pediu a Fachin que as atitudes sejam analisadas pelo STF.

A assessoria de Mendonça afirma que ele votou em uma tese para decidir se pode haver ou não concessão em serviços públicos de manutenção de cemitérios, e não em caso de interesse específico de Vorcaro ou de qualquer outra empresa.

Safári, Flávio Bolsonaro e a fraude do INSS - Rômulo Saraiva - FSP

 O safári é uma atividade de lazer, mas envolve riscos inerentes à proximidade com animais selvagens em seu habitat natural. A aproximação excessiva dos predadores pode causar problema. Em foto divulgada pelo jornal O Globo, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numa savana na África do Sul, sorridente e relaxado, quando deveria se preocupar com o seu entorno.

Na foto não se enxergam predadores. Só humanos. Mas há uma fauna que causa embaraço. Como diferentes espécies uniram-se na mesma programação de lazer? Era melhor Flávio ter ficado perto dos leões.

Homem veste camisa amarela com detalhes verdes e é cercado por microfones de diferentes emissoras, incluindo SBT e METRÓPOLES, enquanto fala com jornalistas em ambiente interno.
Flávio Bolsonaro durante evento de campanha em Natal (RN) - Alexandre Lago - 21.set,26/Reuters

Embora o candidato prometa em seu plano de governo que não poupará "esforços para coibir qualquer nova tentativa de roubar o dinheiro dos aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)", Flávio aparece ao lado de investigados pela Polícia Federal por escândalos de corrupção do INSS, do Banco Master, da CPI da Covid e até com aliado político do seu arquirrival Lula (PT).

Flávio saiu para a savana com o advogado Willer Tomaz, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o empresário Carlos Alberto Sá.

Segundo a revista Piauí, a foto foi enviada em março de 2025 do celular de Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por desvios no INSS. Em uma das fases da Operação Sem Desconto, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, destacou que a estrutura ligada ao advogado "funcionaria como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico", posto à disposição de beneficiários, dentre os quais estaria o senador Weverton Rocha.

Flávio é velho amigo de Willer, que emprestou seu apartamento em São Paulo para o candidato usá-lo na campanha. Por coincidência, esse mesmo imóvel era de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, que o vendeu ao advogado por R$ 2 milhões a menos do que seu valor de mercado.

Procurado por esta coluna, o advogado ponderou que "não há nenhuma ilegalidade em viajar com amigos para a África ou para qualquer outro lugar. A viagem foi custeada com recursos próprios, sem dinheiro ou interesse públicos envolvidos."

Em terra africana, Flávio não hesitou em aparecer ao lado do senador Weverton Rocha, do PDT, histórico aliado do PT e vice-líder do governo Lula no Senado. Em suas redes sociais, o maranhense aparece de rostinho colado ao petista se derretendo: "vote em quem nunca abandonou o Lula".

Weverton está ligado a pessoas que são pivôs do escândalo dos aposentados. Adroaldo Portal, ex-assessor do senador, foi o número dois da Previdência na gestão de Carlos Luppi, também do PDT. Adroaldo está preso por acusação de envolvimento com o Careca do INSS.

Não bastasse isso, Weverton tem currículo conturbado no Supremo. Desde 2013, há diversos processos na corte decorrentes de inquéritos policiais que apuraram crimes relativos a desvio de verbas, estelionato, apropriação indébita, peculato, corrupção ativa e passiva. Tais processos estão arquivados.

Em nota, o senador afirmou apenas que "Willer Tomaz é meu compadre e amigo há muitos anos e já fizemos várias viagens juntos em família. São relações privadas, que não envolvem dinheiro ou interesses públicos". Nada falou sobre Flávio e os demais.

A Polícia Federal também investiga o senador Weverton por ser o suposto responsável por "formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais" no contexto da fraude no INSS.

Na mesma foto na savana aparece o empresário Carlos Alberto Sá, sócio da empresa VTCLog, que constou em 2021 no relatório da CPI da Covid para ser indiciado pelos crimes de corrupção ativa e improbidade administrativa.

Sobre as amizades da viagem estarem envolvidas em investigação, Flávio disse que "a relação de amizade entre as famílias é legítima e qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos".

Se Flávio promete ser uma espécie de caçador da corrupção, não faz sentido ele aparecer ao lado de investigados em escândalos de corrupção. Se eleito, terá isenção para tomar medidas contra as amizades do último safári? Não basta ser correto, é necessário também aparentar sê-lo.

CNJ acolhe pedido da AGU, cancela precatórios e determina devolução de R$ 4,7 bi aos cofres públicos- FSP

 

Brasília

O corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, determinou o cancelamento de 16 precatórios do setor sucroalcooleiro e a devolução de R$ 4,7 bilhões que estavam retidos em contas judiciais desde 2023.

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Jorge Messias da AGU (Advocacia-Geral da União), durante a GlobalFact, com a presença virtual da ministra Cármen Lúcia e do ministro Alexandre de Moraes, no auditório da FGV (Fundação Getulio Vargas), na praia de Botafogo, no Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli - 25.jun.25/Folhapress

Na decisão, o CNJ reconheceu que havia risco de dano ao erário e determinou que os valores retornem aos cofres públicos com rendimentos, atendendo a um pedido feito pela AGU (Advocacia-Geral da União).

Os precatórios tinham sido expedidos antes do trânsito em julgado, na modalidade conhecida como "precatório bloqueado". Com esta decisão, em dois anos, o governo já conseguiu reverter R$ 18,2 bilhões.

"Ao assegurar que o pagamento de condenações judiciais somente ocorra após o trânsito em julgado das ações, protegemos as contas públicas contra desembolsos ilegalmente antecipados", disse o advogado geral da União, Jorge Messias.

Após a determinação do CNJ, o restante que estava depositado em contas judiciais deve ser imediatamente desbloqueado e retornará à conta do Tesouro Nacional.

A decisão também proíbe qualquer levantamento, transferência, expedição de alvará ou destaque de honorários sobre esses recursos até que a restituição seja concluída.

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"Com isso, resguardamos a segurança jurídica, a ordem cronológica de pagamento dos precatórios e a isonomia entre os credores da Fazenda Pública", afirmou.