Algumas semanas atrás, estive em São Paulo por dois dias —a viagem mais curta que fiz ao Brasil em cerca de uma dúzia de idas à Terra do Samba desde os anos 1990. São nove horas e meia de voo noturno partindo de Washington, mas, ao contrário de uma viagem de oeste para leste, não há o terrível jet lag de cruzar muitos fusos horários.
Estive na cidade para participar da comemoração dos 50 anos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), uma ocasião esplêndida e equilibrada. Na manhã do primeiro dia, alguns liberais fizeram discursos justificando o liberalismo e, em seguida, três esquerdistas discursaram justificando o esquerdismo econômico. A maioria dos cursos de economia nas universidades brasileiras é de esquerda, incluindo o pós-keynesianismo e o marxismo.
Mas, você sabe, um grande número de jovens no Brasil se inclina para o liberalismo —o verdadeiro liberalismo clássico, não o Partido Liberal de Bolsonaro. No segundo dia, passei pela reunião anual do Students for Liberty e fiz um pequeno discurso. O trajeto até a reunião foi longo. Experimentei novamente a imensidão de São Paulo.
Depois de outro longo percurso, encontrei-me por cerca de uma hora com meus colegas da Folha. Eu nunca tinha estado no prédio do jornal. Fiquei impressionada com a qualidade intelectual dos jornalistas que conversaram comigo —por exemplo, sobre a pressão da internet e, agora, da IA sobre o jornalismo impresso. Vocês não sabem a sorte que os paulistas têm de que a Folha, ao contrário de muitos jornais no mundo todo após o auge do jornalismo impresso, há 60 ou 100 anos, esteja financeiramente saudável.
Mais cedo, naquele mesmo dia, tive um longo e delicioso almoço num restaurante sofisticado da alta gastronomia brasileira com dois queridos amigos, Ramón e Ana. A última vez que os vi em São Paulo, há cerca de uma década, foi pouco antes do Carnaval, e numa noite fomos a uma escola de samba num ginásio de colégio. Foi uma experiência selvagem, louca e gloriosamente brasileira.
Ramón é um economista argentino que fugiu dos generais de lá e passou o resto da carreira no Brasil. Ele e eu compartilhamos o interesse pela metodologia econômica e pela história da ciência. Ana é professora de linguística e trabalha com uma das fascinantes línguas nativas do Brasil. Como sou uma grande fã de linguística, também adoro conversar com ela.
Ramón e Ana são esquerdistas moderados. Discordamos respeitosamente. Ramón está acostumado com meu liberalismo devido ao nosso longo convívio e não se surpreendeu com minhas opiniões liberais. Ana me conhece menos. Então, quando eu dizia coisas como "o grande perigo é o governo armado com armas, não as corporações como a Folha, armadas com publicidade", ela discordava. "E os ricos donos de corporações assumindo o governo?" "Bom ponto. Vamos parar com isso e ser democráticos. Mas os ricos sempre fizeram isso, não é?" "Claro."
Conversas respeitosas e verdadeiras. Precisamos de muito mais disso, independentemente de ideologias. Quando Ramón e Ana vierem a Washington e ficarem comigo, faremos isso. E também conversaremos sobre metodologia econômica e línguas nativas brasileiras.







