sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O corporativo precisa de oxigênio, Aziz Camali- FSP

 Aziz Camali

Idealizador do Oxigênio Ilhabela, incubadora territorial que potencializa a vocação criativa da ilha, fortalece a economia local e inspira novas relações entre territórios e marcas

Ninguém tem mais tempo. Não é uma metáfora. É uma realidade que atravessa empresas, lideranças e equipes. Quanto mais conectados estamos, menos tempo parece existir para pensar sobre o que realmente importa.

Estamos vivendo uma espécie de exaustão da disponibilidade. As pessoas querem curadoria, mas muitas vezes já não têm tempo sequer para construir o briefing do que precisam. Querem inovação, conexão, criatividade e vínculo —tudo ao mesmo tempo.

Talvez o que esteja faltando não seja mais uma solução. Talvez esteja faltando espaço. Espaço para sair do automático. Para conversar sem uma agenda de 30 tópicos. Para caminhar, ouvir ou sentir. Para fazer uma pergunta que não caberia em uma reunião.

A imagem mostra várias embarcações à vela navegando em um corpo d'água tranquilo. O reflexo do sol na água cria um efeito brilhante, enquanto ao fundo há uma vegetação montanhosa sob um céu escuro.
Movimentação na praia do Curral em Ilhabela, litoral norte paulista - Avener Prado - 07.jul.2013/Folhapress

Durante muito tempo, retiramos as pessoas de seus ambientes para colocá-las em salas, hotéis e centros de convenções, reproduzindo a mesma lógica de produtividade em outro endereço. Mas e se o território não fosse apenas o cenário do encontro? E se ele fosse parte da própria experiência?

Ilhabela oferece uma possibilidade original. Não como mais um destino para eventos corporativos que voam como ventos e logo passam, mas como um território capaz de funcionar como antídoto para o modus de trabalho que escolhemos.

Aqui, uma conversa estratégica pode acontecer velejando. Uma reunião pode começar na trilha. Uma experiência gastronômica pode aproximar pessoas que trabalham juntas há anos. Um parceiro de negócio pode deixar de ser apenas um contato e virar uma relação real.

Isso acontece porque Ilhabela não oferece apenas infraestrutura. Oferece território: natureza, mar, cultura, gastronomia, hospitalidade, comunidades tradicionais e uma rede local de serviços que conhece e vive esse lugar.

É essa perspectiva que orienta o Oxigênio Ilhabela: conectar empresas e grupos à potência do território para construir experiências que façam sentido.

Não se trata de oferecer um pacote pronto. Trata-se de construir uma experiência integrada ao lugar. Um grupo pode chegar sabendo o que precisa —ou justamente porque já não consegue formular essa resposta sozinho.

Podemos combinar encontros, natureza, movimento e para criar uma percepção diferente de tempo e espaço. Isso também nos obriga a repensar o próprio conceito de produtividade. Talvez produtividade não seja trabalhar mais horas. Talvez seja criar condições para voltar a pensar melhor.

Há pessoas trabalhando aos domingos porque acreditam que é quando conseguem produzir mais. Talvez o problema não seja trabalhar no domingo. Talvez seja termos perdido a capacidade de perceber quando estamos trabalhando e quando estamos vivendo.

E essa discussão é social. Quando o trabalho ocupa todo o espaço, não é apenas a agenda profissional que muda. Mudam as relações, a convivência, o tempo com os filhos, a capacidade de criar vínculos e até a maneira como ocupamos os territórios.

Por isso, precisamos de novos espaços de descompressão. Não para fugir do trabalho, mas para reconstruir nossa relação com ele. Ilhabela é um desses lugares.

A poucas horas de São Paulo, é possível mudar de ritmo sem desaparecer do mundo, combinando infraestrutura e conectividade com natureza, cultura e relações. Uma viagem corporativa pode também movimentar negócios locais, valorizar profissionais do território e criar novas conexões entre quem chega e quem vive aqui.

Talvez Ilhabela não precise ser apenas o lugar para onde se foge no fim de semana para descansar do trabalho. Talvez precise se tornar o lugar onde a gente se encontra —tirando a roupa do trabalho para voltar a encontrar as pessoas por trás dos cargos, as relações por trás dos negócios e a vida por trás da agenda.

E talvez seja disso que o corporativo mais precise agora: menos lugares para trabalhar e mais lugares para voltar a estar.


Estamos lascados , Helio Schwartsman, FSP

Não dá para a gente pular direto para a eleição de 2030? Pergunto porque, pelas opções que se nos descortinam agora, estamos lascados. O principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, dá diariamente mostras de que não tem condições de conduzir uma patinete por rua tranquila de cidade do interior. É preciso ter perdido o juízo para entregar-lhe a condução de um país com as complexidades do Brasil.

A suposta novidade no pedaço, Renan Santos e seu partido Missão, vendem-se como representantes do liberalismo, mas não desperdiçam nenhuma oportunidade de abraçar posições iliberais. Já o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva, está bem fora de forma e parece perdido em algum lugar entre o passado e o futuro. Com isso, quero dizer que não assimilou as lições do passado e apresenta uma visão de futuro bem obnubilada.

Cinco homens aparecem em retratos verticais lado a lado, cada um com expressão neutra. O primeiro usa chapéu preto e camisa azul clara, o segundo veste terno escuro e camisa branca, o terceiro tem cabelo grisalho e camisa azul clara, o quarto usa óculos redondos e camisa preta, e o quinto veste terno azul com gravata amarela.
Montagem com os candidatos à Presidência Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) - Montagem

Para um político que disputa sua sétima eleição presidencial, ele cometeu erro infantil ao afirmar não conhecer e jamais ter estado perto da lobista Roberta Luchsinger. Fotos que provam o contrário apareceram em minutos. Na mesma linha, custa crer que Lula, que já passou pelo mensalão e pelo petrolão e sofreu enorme desgaste por causa dos negócios do filho Fábio Luís não tenha tomado medidas preventivas para evitar que a vida empresarial do primogênito não voltasse a assombrá-lo. Algo parecido vale para o caso Marcola. Um presidente precisa saber o que ocorre na antessala de seu gabinete.

O mais desalentador foi a declaração do presidente de que a dívida pública não o preocupa. Deveria. No Brasil, a dívida mobiliária, dadas a reduzida poupança interna e as condições de rolagem, opera como uma âncora que puxa para baixo todas as variáveis necessárias para manter a economia crescendo por períodos mais longos, condenando-nos aos proverbiais voos de galinha. Nos últimos 30 anos, o PIB do Brasil cresceu 105%, pouco perto dos 165% da Colômbia ou 220% do Chile e uma piada diante dos 620% do Vietnã ou 1.200% da China.

Não ver um problema desse tamanho é grave.