domingo, 8 de fevereiro de 2026

Luiz Felipe Pondé - Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção, FSP

  

São Paulo

A área de estudos do futuro, muitas vezes, é tomada por delírios. Ou por agentes que querem vender seu peixe tecnológico. Ou por gente que quer ninar as almas assustadas. Essa área não pode ser edificante porque se assim o for, perde o foco.

Pensar o futuro é olhar as condições materiais, sociais e econômicas que determinam o mundo e checar se elas deverão sofrer alguma mudança significativa. Se não houver indícios de tais mudanças, a tendência em questão deve permanecer e, possivelmente, se radicalizar. Vejamos.

Diversos cromossomos estilizados em preto e cinza distribuídos em um fundo branco, variando em tamanho e espessura, organizados de forma dispersa sem padrão linear.
Ricardo Cammarota /Folhapress

As redes sociais estão causando transtornos nas democracias. Assim como a invenção da imprensa e a tradução da Bíblia para línguas vernáculas, por volta de 1500, foram algumas das causas das guerras religiosas na Europa, que, por sua vez, criaram condições materiais, sociais e políticas para o surgimento do Estado laico e da liberdade religiosa, depois de muito sangue derramado e destruição. O rádio catapultou o fascismo na primeira metade do século 20, e as redes estão estremecendo os mecanismos representativos nas democracias.

Esse processo vai mudar? Provavelmente não. O mundo digital está radicalmente monetizado e dificilmente deixará de existir. A tendência é que seus feitos sejam radicalizados e se frutifiquem em formas ainda desconhecidas.

Tentativas de regular implicam em perda de competitividade nas sociedades que reprimem os avanços na área. A Europa, em comparação com os Estados Unidos e a China, sabe bem disso. Esperemos, sim, mais transtornos, e a esperança de que alguma forma de acomodação ocorra.

É possível esperar que uma educação para esse impacto aconteça a curto prazo? Difícil crer. No Brasil, por exemplo, assim como na maior parte do mundo, a educação é um lixo em quase todas as áreas. Como esperar que crianças que mal sabem ler, escrever e contar possam enfrentar os transtornos sociais, econômicos e políticos que virão pela frente?

Com a entrada da inteligência artificial no mundo, em todas as suas esferas, inclusive na política, o processo tende a se agravar. Muito desemprego e muitas pessoas inutilizadas surgirão. O que fazer com elas? Ninguém sabe.

O mundo será dos idosos. Jovens serão raros. Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção. Desordem cognitiva. Incapacidade de lidar com um meio ambiente hostil —vale salientar que o meio ambiente sempre foi hostil, do contrário, não existiria seleção natural.

Instabilidade emocional. Insegurança estrutural. Radicalização de comportamentos contrários ao convívio coletivo. Redução drástica na capacidade reprodutiva e na habilidade de garantir a própria sobrevivência. Enfim, todo o processo de adoecimento mental das gerações mais jovens deveria ser analisado desde o ponto de vista da seleção natural e da decorrente extinção de espécies não adaptadas.

Claro que jovens em risco de extinção implicam também na extinção da própria espécie, da qual eles são o futuro. A espécie sapiens nunca deveria ter sido compreendida como uma espécie racional, mas, sim, como passionalmente desequilibrada e tendendo à entropia. Entropia esta que vemos hoje em dia.

Por sua vez, essa redução do número de jovens é consequência das decisões individuais de mulheres e homens que chegaram à conclusão de que filhos são ônus e não bônus, o que, por sua vez, é desdobramento histórico necessário da emancipação feminina que tem, como um dos seus pilares, a redução do número de filhos a fim de facilitar a sobrevida das mulheres no mercado de trabalho.

Causa deste fenômeno é, também, a decisão de jovens, homens e mulheres, acerca do grande estresse que são os compromissos amorosos e sexuais excessivamente sólidos. O amor atrapalha os negócios. Os departamentos de compliance sabem bem disso.

Esse fenômeno vai mudar? A emancipação feminina vai acabar? Evidentemente que não. A menos que uma catástrofe leve a humanidade de volta ao neolítico e, assim, as mulheres voltem a ficar grávidas todo o tempo devido ao aumento de atividade sexual voluntária ou involuntária.

Por fim, o capitalismo é um sistema baseado em contratos de concupiscências. Concupiscência é um termo teológico usado pelo filósofo Agostinho para descrever a tendência do comportamento humano a buscar furiosamente seus objetos de desejo. Concupiscências são destrutivas porque fazem dos seres humanos crianças velhas loucas para atingir o que desejam. O capitalismo é a política da concupiscência. Você acha que isso vai mudar? Não.

Tebet candidata em São Paulo? Dificuldade histórica da esquerda e voto ‘Lularcísio’ explicam a ideia, OESP

 

A ideia de lançar Simone Tebet (MDB) ao governo paulista está lastreada na dificuldade histórica do PT no Estado e na necessidade de Lula ter um palanque forte em São Paulo, capaz de levar a disputa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao segundo turno. O contexto político e o histórico eleitoral mostram que não será tarefa fácil: o PT nunca venceu em São Paulo e só chegou ao segundo turno duas vezes — em 2002, com José Genoino, e em 2022, com Haddad.

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A ministra do Planejamento já sinalizou que aceita transferir o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo e disputar o Palácio dos Bandeirantes. Ainda assim, setores do PT seguem trabalhando para que Haddad seja candidato ao governo e Tebet dispute o Senado.

São Paulo concentra o maior colégio eleitoral do país, com 33,6 milhões de eleitores, e é prioridade tanto para a esquerda quanto para a direita. Não por acaso, em 2022, estrategistas do então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) calcularam quantos votos seriam necessários no Estado para compensar a vantagem de Lula no Nordeste.

Para você

A meta do PT este ano é pelo menos repetir o desempenho que Haddad teve em 2022, quando somou 35,7% dos votos no primeiro turno e 44,73% no segundo. A direita, por sua vez, aposta que Tarcísio pode liquidar a disputa ainda no primeiro turno, cenário que seria prejudicial ao PT, pois deixaria o governador livre para apoiar um candidato contra Lula no segundo turno.

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Historicamente, o PT tende a perder no voto presidencial em São Paulo. A exceção foi 2002, na primeira vitória de Lula, quando ele superou José Serra. Para o partido, no entanto, o objetivo central não é vencer, mas impedir que a oposição abra larga vantagem. Em 2022, Lula ficou cerca de dez pontos percentuais atrás de Bolsonaro em São Paulo no segundo turno. Na avaliação das duas campanhas, essa diferença regional foi decisiva para garantir a apertadíssima vitória nacional do PT. Já em 2018, a distância entre Haddad e Bolsonaro no segundo turno em São Paulo foi bem maior: cerca de 35 pontos percentuais.

Embora o PT espere que Haddad repita o desempenho de 2022, o cenário atual traz diferenças relevantes que pesam contra a esquerda. Tarcísio agora é governador e mantém índices de aprovação na casa dos 60%. Além disso, não precisa mais enfrentar a barreira do desconhecimento e, até agora, não há outro adversário competitivo em seu campo. Em 2022, o então governador tucano Rodrigo Garcia disputava o eleitorado de direita com Tarcísio, o que fragmentou os votos da eleição e favoreceu Haddad.

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“O desafio do PT nas eleições de São Paulo é montar uma chapa capaz de superar a rejeição histórica do partido no estado e seu teto de votos”, diz o estrategista e consultor Felipe Soutello, que atuou em diversas campanhas vitoriosas do PSDB no Estado de São Paulo.

Hoje, parte dos petistas avalia que pode haver inclusive um voto “Lularcísio” no Estado — com paulistas votando em Lula para presidente e em Tarcísio para governador. Uma pesquisa do Instituto Travessia feita em dezembro do ano passado – e, por esse motivo, não registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – mostra que isso é possível: entre os eleitores que aprovam o governo Lula, 30,4% também avaliam positivamente a gestão de Tarcísio em São Paulo. Já entre os que aprovam o governador paulista, 20% fazem uma avaliação favorável do presidente.

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“A pesquisa mostra que há uma sobreposição entre os dois eleitorados e que Tarcísio pode surfar nos votos de Lula”, afirma Renato Dorgan, especialista em pesquisas eleitorais e CEO do Travessia.

Pesquisas mostram Tebet competitiva, mas PT prefere Haddad

Pesquisas internas encomendadas por aliados de Tebet indicam que a ministra pode ser um “fator surpresa” na disputa paulista, dificultando a reeleição de Tarcísio, principalmente por seu perfil mais ao centro e pelo ineditismo de uma mulher no comando do Estado. Um aliado de Tarcísio avalia que Tebet seria uma adversária mais difícil de enfrentar do que Haddad ou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que já governou São Paulo quatro vezes.

No PT paulista, a candidatura de Tebet não encontra resistência, mas a preferência segue sendo Haddad, sobretudo entre integrantes da direção nacional. Os defensores do ministro lembram que ele teve o melhor desempenho do partido na disputa estadual e é quem teria mais condições de defender o governo Lula no Estado.

Desde que o segundo turno passou a ser possível, São Paulo teve nove disputas, e o PT só chegou à etapa final em duas delas, com Haddad e Genoino. Haddad teve 35,7% no primeiro turno e 44,73% no segundo; Genoino obteve 32,45% e 41,36%.

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Nos últimos vinte anos, três das cinco eleições para o governo paulista foram decididas em turno único: José Serra, em 2006, e Geraldo Alckmin, em 2010 e 2014. Houve segundo turno em 2018, quando João Doria disputou contra o hoje ministro Márcio França (PSB), e em 2022, na eleição vencida por Tarcísio.

Estadão ouviu oito petistas sobre o tema, entre dirigentes da executiva nacional e do diretório paulista. Todos dizem que a decisão caberá a Lula, que tem sinalizado preferência pelo ministro da Fazenda. Embora Haddad resista à candidatura, a avaliação interna é de que ele pode acabar cedendo. Tebet, por sua vez, disse em coletiva de imprensa que se colocou à disposição de Lula.

Para Dorgan, Haddad seria uma “escolha segura” para o PT, garantindo bom desempenho, embora sem eliminar o risco de Tarcísio vencer no primeiro turno. Tebet, por sua vez, seria uma aposta que poderia dar certo, e ser uma grata surpresa, ou não decolar.

“Haddad, sem dúvida, é a alternativa mais segura. Mas é uma missão que ele estará cumprindo, pois é praticamente impossível ele vencer Tarcísio. Ele corre o risco de perder ainda no primeiro turno”, diz o especialista.

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Para Dorgan, há outro agravante para o PT: a falta de prefeituras no Estado. Na última eleição municipal, o partido registrou seu pior desempenho histórico em São Paulo, conquistando o comando de apenas quatro prefeituras — Mauá, Matão, Santa Lúcia e Lucianópolis. Juntas, essas cidades concentram 1,1% da população paulista.

“No passado, o PT teve força em cidades da Grande São Paulo e em outros municípios importantes do Estado, como São José dos Campos, Ribeirão Preto, Campinas, Araraquara e Santos. Inclusive, em 2002, quando Lula venceu em São Paulo e Genoino chegou ao segundo turno na disputa pelo governo, a capital era governada por Marta Suplicy. Mas o partido perdeu quase todas essas prefeituras nos últimos anos.”