quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Ministério do Trabalho interdita pilhas de rejeito da maior mineradora de lítio do Brasil, FSP

 

Belo Horizonte

O Ministério do Trabalho e Emprego confirmou a interdição de três das cinco pilhas de rejeito e estéril da Sigma Lithium, a maior mineradora de lítio do Brasil. Na prática, a decisão inviabiliza as operações de lavra da empresa.

Segundo a pasta, as estruturas estão com fator de segurança abaixo do permitido, o que gera riscos de colapso e impacto a comunidades e cursos d’água localizados ao redor do complexo minerário

Essas pilhas estão interditadas desde o início de dezembro, mas desde então a Sigma tentava reverter a decisão. Na quarta-feira (14), no entanto, a coordenadoria-geral de recursos do MTE, o último órgão da esfera administrativa, confirmou a interdição. Agora, cabe à empresa apenas se adequar ao pedido dos auditores do trabalho ou levar o caso à Justiça.

Complexo minerário da Sigma Lithium, nas cidades de Araçuaí e Itinga, em MG
Complexo minerário da Sigma Lithium, nas cidades de Araçuaí e Itinga, em MG - Caio Guatelli/Folhapress

As pilhas interditadas são as maiores da Sigma. Elas são formadas por resíduos gerados a partir da lavra e do beneficiamento do mineral que contém lítio; o estéril, por exemplo, é o material rochoso extraído durante a lavra, e o rejeito as sobras do processo de enriquecimento do lítio.

Ao contrário das operações de minério de ferro da Vale que se romperam em Brumadinho e Mariana, a Sigma não tem barragens. No processo da mineradora, localizada na região do Vale do Jequitinhonha (MG), tanto estéril quanto rejeitos são dispostos em pilhas. Esse é, aliás, um dos principais pontos endossados pela empresa junto a investidores e comunidades locais.

De acordo com auditores fiscais do MTE, no entanto, o colapso dessas pilhas podem gerar impactos tão grandes quanto o de barragens. No caso da Sigma, eles argumentam que três das cinco pilhas da empresa estão com fator de segurança abaixo de 1.3, índice mínimo aceito por normas trabalhistas seguidas pelo ministério.

Em novembro, durante inspeção in loco, foram encontradas, inclusive, rupturas parciais nas estruturas da empresa, que segundo os auditores ficam atrás de uma escola infantil.

Segundo os técnicos da pasta, as pilhas da Sigma já têm 40 metros de altura e, se desmoronadas, os rejeitos e os estéreis dispostos podem ser lançados a 120 metros de distância, o que impactaria o rio Piauí e as comunidades Poço Dantas e Ponte do Piauí.

A constatação é feita com base no rompimento de uma estrutura semelhante em dezembro de 2024 na cidade de Conceição do Pará (MG) –a pilha, nesse caso, pertencia a outra mineradora. Na ocasião, sete casas foram soterradas e mais de cem moradores precisaram abandonar suas residências.

Em nota enviada à Folha a Sigma disse que suas pilhas estão dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos e que tais condições estão sendo demonstradas aos técnicos do ministério.

"A empresa mantém diálogo constante com o MTE, apresentando todos os documentos, laudos, fontes de coleta de dados e informações diversas solicitadas, necessárias para comprovar a conformidade de sua operação, reforçando que a referida autuação não causa qualquer impacto que comprometa a remobilização das atividades em curso", afirmou.

Após a interdição, a empresa chegou a apresentar novos dados que mostravam um fator de segurança acima do limite mínimo, mas os auditores alegaram que a empresa usou outra metodologia para alterar os dados e descartaram os documentos entregues pela mineradora.

Eles também argumentam que a empresa não tem sistemas de monitoramento e plano de operação das pilhas nem sinalização de segurança e documentos que comprovem a capacitação de trabalhadores e das comunidades vizinhas sobre o que fazer em caso de colapso das estruturas. Os auditores ainda pontuam que não houve sequer apresentação de licença ambiental para o funcionamento das pilhas.

A fiscalização de barragens e pilhas no Brasil é geralmente atribuída à Agência Nacional de Mineração, que há anos tem seu orçamento contingenciado pelo governo federal. Desde a tragédia de Mariana, no entanto, auditores do trabalho passaram a monitorar essas estruturas, sob o argumento que os colapsos dessas estruturas afetam sobretudo os empregados das empresas.

Procurada, a agência não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre as razões de não ter interididato as pilhas antes.


Os influenciadores do Banco Master e do Tarcísio, Thiago Amparo- FSP

 No mundo invertido em que os três maiores jornais do país somam menos de 1,5 milhão de assinantes digitais enquanto perfis de fofoca nas redes sociais ultrapassam, alguns deles, 25 milhões de seguidores, não é de se espantar que redes digitais de influência sejam procuradas ou para espalhar desinformação ou para fazer propaganda disfarçada de notícia. Os casos do governo Tarcísio de Freitas e do Banco Master mostram a dificuldade de se escrutinar o mercado digital da influência e, em especial, quem paga por ele.

Em matéria veiculada no último dia 12, a Revista Piauí detalhou como perfis de fofoca no Instagram têm divulgado os feitos do governo Tarcísio de Freitas - de isenção de IPVA à inauguração do Rodoanel, pautas desconexas do conteúdo habitual destes perfis focado na vida de subcelebridades. O mesmo ocorreu com o Banco Master. O jornal O Globo, na coluna da jornalista Malu Gaspar, divulgou informações sobre tratativas contratuais envolvendo influenciadores recrutados para atacar o Banco Central e investigadores.

Em resposta, em geral, os perfis ou terceirizam a responsabilidade para suas equipes, ou afirmam se tratar de postagens orgânicas, ou simplesmente ignoram os questionamentos. A estratégia investigativa de refazer o caminho do dinheiro para verificar eventuais ilegalidades é prejudicada pela teia de intermediários contratuais neste mercado, incluindo, entre outros, agências de influência e times de comunicação.

Apesar do Brasil carecer de um marco legal específico sobre influenciadores, cabe mencionar que a publicidade com finalidade de autopromoção com recursos públicos é ilegal e postar conteúdo pago sem indicação de que se trata de publicidade também o é. Após o fiasco da CPI das bets em que influenciadores ganharam pedidos de selfie ao invés de pedidos de indiciamento, parte da classe política está pouco interessada em jogar luz sobre as redes de influência digital, pelo fato de que se beneficiam ou delas participam.