terça-feira, 11 de novembro de 2025

Eleitores veem com mais simpatia operações na Faria Lima do que nas favelas, Juliano Spyer, FSP (definitivo)

 "Bandido bom é bandido morto." Será essa a régua para a sociedade escolher seus candidatos em 2026? Para entender melhor a percepção dos brasileiros sobre segurança pública e combate ao crime, o Instituto Ideia Big Data rodou um questionário online exclusivo para esta coluna.

Foram ouvidos 1.027 respondentes em todo o país, distribuídos proporcionalmente por classe social, gênero, idade e região, com margem de erro de três pontos percentuais. O resultado completo pode ser baixado aqui.

O estudo indica que há consenso de que o Estado e a polícia são parte do sucesso do crime organizado. Mais de 73% concordaram com afirmações como "o acesso de criminosos presos a celulares mostra que parte da polícia e do Estado participa do crime". E 84,1% concordaram que "facções e milícias crescem porque conseguem circular dinheiro e armas com a ajuda de gente influente".

Três policiais armados avançam por rua estreita de comunidade, com um deles agachado. Dois ocupantes de uma motocicleta, um com capacete vermelho, levantam as mãos enquanto fogem. Ambiente com construções simples e lixo na calçada.
Policiais durante operação policial na Vila Cruzeiro, no complexo de favelas da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro - Eduardo Anizelli - 28.out.25/Folhapress

Outro ponto quase consensual é que a pobreza contribui para o crime. Apenas 9,3% discordaram de que "programas de educação, trabalho e lazer reduzem a entrada de jovens no crime mais do que operações violentas". E só 14% discordaram que "a superlotação das prisões ajuda as facções a recrutar novos membros".

Também há percepção de que o medo é manipulado politicamente. Só 6,8% discordaram da afirmação "o medo da violência fortalece quem lucra com esse sentimento — políticos, empresas de segurança e policiais corruptos". E 61,4% concordaram que "quando a polícia tem liberdade para agir sem prestar contas, a corrupção dentro dela aumenta".

Mas algumas frases dividiram a opinião pública — especialmente as que tratam do uso da violência para conter o crime.

Respondentes divergiram em relação a afirmações como "a morte de jovens envolvidos no crime não é motivo de comemoração" e "ver mortes em operações dá a sensação de que a polícia está agindo, mesmo sem resolver o problema". Apenas 24,6% concordaram que "é mais fácil acumular mortes do que qualificar a polícia para melhorar sua eficiência".

Por que nos dividimos nessas respostas? Aponto dois motivos que merecem ser testados. Primeiro, a frustração com o aumento dos roubos de celulares — objetos caros e indispensáveis. Segundo, a percepção de que "o jogo é bruto" e que, portanto, a polícia precisa mostrar força: que violência deve ser respondida com violência, e que falar em direitos humanos dá a mensagem errada e incentiva o crime.

A aprovação da operação no Rio indica que há um problema imediato e que a resposta deve ser firme. Há expectativa de que o Estado e a polícia reajam à violência na mesma moeda —fogo contra fogo. Ao mesmo tempo, a maioria vê que corrupção e desigualdade estão na raiz do problema.

A sociedade reconhece que escola de boa qualidade resolve mais do que tiro. E entende que o Estado e a polícia são parte do sucesso do crime organizado e que a solução passa por olhar para quem ocupa postos de comando dentro do Estado, da polícia e das empresas que dão cobertura ao crime.

Ou seja, operações na Faria Lima repercutirão melhor entre eleitores do que as feitas em favelas.

Coordenador de grupo eleitoral do PT defende Haddad candidato em SP, FSp

 Coordenador do recém-criado Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), diz que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem de "liderar o palanque do presidente Lula em São Paulo". "É a principal liderança política nossa", justifica.

Homem de meia-idade com cabelo grisalho veste terno escuro e camisa branca, gesticulando com a mão direita levantada durante conversa em ambiente interno. Ao fundo, quadros desfocados na parede.
O líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado José Guimarães (PT-CE) - Pedro Ladeira/Pedro Ladeira/Folhapress

Haddad vem resistindo a deixar o ministério para ser candidato, mas tem ouvido apelos cada vez mais insistentes de seus aliados para disputar o governo de São Paulo ou o Senado.

Segundo Guimarães, Lula precisa ter palanques fortes nos três principais estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Atualmente, apenas o caso fluminense está bem encaminhado, com a candidatura do prefeito Eduardo Paes (PSD), favorito no pleito.

Em Minas Gerais, o nome defendido por Lula é o do senador Rodrigo Pacheco (PSD), outro que resiste à empreitada.

Guimarães diz que, após a reeleição do presidente, a prioridade do partido para 2026 é aumentar as bancadas de senadores e deputados federais. Ele mesmo pretende disputar o Senado pelo Ceará. "Precisamos impedir a maioria da ultradireita, porque isso prejudica o país", afirma.

Em 2026, o partido gostaria de reeditar a frente ampla da eleição de 2022, e ainda sonha com a adesão de partidos de centro como MDB, PSD e Republicanos, embora essa possibilidade hoje seja distante. "O que sabemos é que a frente do Lula tem de ser mais ampla do que apenas a esquerda".