quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Corinthians tem dívida de R$ 23 milhões com Memphis e Osmar pede a jogador para deixar hotel de luxo, OESP

 A dívida do Corinthians com Memphis Depay chegou ao valor de aproximadamente R$ 23 milhões. Os custos do contrato do atleta levaram ao presidente Osmar Stábile pedir ao atacante para deixar o hotel de luxo onde mora, em São Paulo, cuja despesa mensal é de R$ 250 mil. A informação está na ata de reunião do Conselho de Orientação (Cori), realizada em 29 de outubro, no Parque São Jorge.

A informação foi divulgada primeiramente pelo Uol e confirmada pelo Estadão. Segundo o documento, ao qual a reportagem teve acesso, Osmar confirmou o valor da dívida do clube com o jogador após informar aos conselheiros que se reuniu com o atleta para informá-lo sobre a necessidade de ir morar em algum outro lugar com o custo mensal menor.

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O contrato de Memphis estabelece que o Corinthians pague durante todo o período do contrato “uma casa devidamente mobiliada em condomínio fechado, em padrão internacional” além de um apartamento nos mesmo moldes para o seu assessor. O acordo prevê que o holandês tem direitos a dois quartos executivos em hotel de alto padrão até que a moradia estivesse disponível.

Memphis está hospedado na Penthouse Suíte do Rosewood São Paulo, que foi eleita neste ano como a melhor do mundo. O hotel fica próximo à Avenida Paulista, localizado entre os bairros Consolação e Bela Vista, no centro de São Paulo.

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Ainda de acordo com a ata da reunião, os conselheiros reclamaram de não ainda terem tido acesso ao contrato do jogador. Osmar sugeriu as convocações de antigos chefes dos departamentos jurídico e financeiro para esclarecer os termos. Um dos membros do Cori declarou na reunião que o acordo com o jogador é “fora da realidade”.

Em julho, Memphis Depay chegou a não se apresentar a treinamentos como forma de protesto contra valores em atraso. À época, as pendências eram de aproximadamente R$ 6 milhões, referente à premiação do Paulistão e direitos de imagem.

O Corinthians atravessa grave crise financeira, com uma dívida de aproximadamente R$ 2,7 bilhões e com dificuldades para cumprir compromissos a curto prazo. O clube também está punido com transfer ban da Fifa e está proibido de inscrever atletas. A diretoria trabalha para manter os salários dos jogadores em dia para blindar o CT dos problemas político e financeiro do Parque São Jorge.

O presente que o Congresso pode dar ao PCC e ao Comando Vermelho, Marcelo Godoy- OESP

 

Foto do autor Marcelo Godoy
Atualização: 

PCC e Comando Vermelho: pesquisadora de Oxford explica papel do Brasil no tráfico global de drogas

Capa do video - PCC e Comando Vermelho: pesquisadora de Oxford explica papel do Brasil no tráfico global de drogas

Veja entrevista com Annette Idler, diretora do Programa de Segurança Global da Universidade Oxford. Crédito: Malu Mões/Estadão

Do jeito em que está, o projeto que classifica as ações das facções criminosas como terrorismo retira das polícias estaduais a competência do combate ao crime organizado e afasta de investigações os Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) , dos Ministérios Públicos Estaduais, um dos mais efetivos instrumentos de enfrentamento a esses bandidos.

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Ora, nos Gaecos há promotores especializados, como Lincoln Gakiya, que por anos denunciaram acusados e conhecem as provas e as investigações em curso, como a Carbono Oculto. Os casos terão de migrar da Justiça Estadual para a Federal, o que pode provocar atrasos em inquéritos e processos e levar à soltura de réus presos. E ao questionamento de prisões já decretadas.

Há mais problemas. Se no Rio, o CV domina bairros, em São Paulo, esse controle ocorre sem a exibição de armas. A favela de Paraisópolis é um QG do PCC, que também comete atentados. A mudança legal valeria também para São Paulo. Mas quanto tempo se vai perder para discutir que Justiça será competente em cada caso? “Deslocar a competência vai atrapalhar e prejudicar as investigações. Não faz sentido. É temerário”, disse Gakiya à coluna.

É difícil imaginar presente maior para o crime organizado. Na justificativa do projeto, o autor, deputado Danilo Forte, que é do União Brasil, diz: “Além disso, a competência investigativa passa a ser atribuída à Polícia Federal, garantindo uma investigação mais especializada e abrangente”. Mas a PF não tem gente para isso. A alteração da competência seria um agrado maroto aos governadores? Incapazes de garantir a segurança dos eleitores, eles jogariam a batata quente no colo do governo federal.

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Especialistas como Gakiya dizem que medidas como a punição de atos preparatórios de atentados, o sequestro cautelar de bens e a punição do domínio territorial poderiam ser incluídas na Lei das Organizações Criminosas, sem tumultuar as investigações nem retirar as polícias estaduais do combate às facções.

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Por fim, o projeto não prevê mudanças nos meios que o Estado pode dispor para recuperar áreas dominadas pelo tráfico – não muda a natureza dessas ações ou regulamenta o uso das Forças Armadas. Faz menção a Trump, mas esquece que os EUA tornaram o tráfico em caso bélico. Vamos brincar de bombardear o Alemão em vez de criar colaboração entre as polícias? Tudo em nome de um discurso ideológico importado dos EUA.

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Chamar as facções de terrorismo, não vai melhorar o combate ao crime, assim como chamar de marciano os bandidos não terá o condão de mandá-los a Marte, onde parece viver parte de nossos deputados e de nossos governadores.

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Análise por Marcelo Godoy

Repórter especial do Estadão e escritor. É autor do livro A Casa da Vovó, prêmios Jabuti (2015) e Sérgio Buarque de Holanda, da Biblioteca Nacional (2015). É jornalista formado pela Casper Líbero.

Seis passos para o Brasil não perder a corrida dos minerais críticos, Rodrigo Tavares, FSP

 Tropeiros, Estrada Real e muares descendo a serra rumo a Paraty são imagens associadas à mineração colonial no Brasil. Dois séculos depois, o Brasil se prepara para reabrir as suas entranhas geológicas ao mundo, substituindo o ouro e os diamantes de Minas Gerais pelas jazidas de minerais críticos de Goiás, Amazonas, Rondônia e —novamente— Minas Gerais. Nióbio, lítio, terras raras, grafite, manganês e níquel são essenciais para alimentar a transição energética e a digitalização do planeta.

As lendas bandeirantes da serra das Esmeraldas e da serra do Sabarabuçu poderão ser substituídas pelo mito mágico do Brasil como maior exportador primário de minerais de terras raras em nível mundial. Fernão Dias dará lugar aos tecnocratas do setor de mineração. É uma visão extrativista, com baixa captura de valor agregado e alta dependência tecnológica e industrial de países que dominam o refino e a transformação dos minerais.

A imagem mostra uma mão aberta segurando pequenos cristais ou grãos de um material brilhante, com um grande monte desse material ao fundo. A luz reflete nos cristais, criando um efeito cintilante. O ambiente parece ser ao ar livre, com um fundo desfocado.
Amostras do mineral de lítio na mina da Sigma Lithium, em Itinga (MG) - Washigton Alves/Reuters

Este é o cenário mais provável, mas não é inevitável. O Brasil pode, em alternativa, adotar uma estratégia de industrialização e soberania tecnológica, investindo na construção de capacidades em toda a cadeia de valor das terras raras —desde a mineração até à produção de ligas metálicas, ímãs e componentes avançados, passando pelo refino e separação. O objetivo seria reduzir a dependência externa e capturar maior valor econômico, científico e geopolítico.

Isso exige seis passos fundamentais:

1.O país precisa investir consistentemente em inovação industrial. A sua rede de inovação científica e tecnológica é ampla e consolidada, como mostram as indústrias agroalimentar, petrolífera e de aviação. Mas está muito atrasado em terras raras. Há trabalho em broto sendo realizado no Instituto de Terras Raras do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI ITR) e no Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Mas falta financiamento. Outros países, como os EUA, Japão e Coreia do Sul, estão investindo recursos quase ilimitados para que os respectivos países adquiram capacidade de refino de terras raras o mais rapidamente possível.

2. A Casa Civil deveria ser o motor da política nacional de minerais críticos e não o Ministério de Minas e Energia (MME). O tema ultrapassa o domínio setorial da mineração, envolvendo dimensões de ciência e tecnologia, política industrial, comércio exterior, meio ambiente e defesa nacional. A coordenação pela Casa Civil garantiria uma abordagem transversal e estratégica, capaz de articular ministérios, agências reguladoras, centros de pesquisa e o setor privado, assegurando coerência nas decisões sobre exploração, processamento, exportação e atração de investimentos. Na semana passada Lula recebeu, no Itamaraty, lideranças da Comissão Global de Investidores Mining 2030. Estavam presentes seis ministros, mas não o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.

3. O licenciamento ambiental deve continuar sendo exigente, mas tem de ser desburocratizado. Atualmente, pode levar cinco a seis anos até à obtenção das autorizações necessárias para iniciar a operação. A burocracia complexa e a sobreposição de competências entre órgãos ambientais federais e estaduais criam incerteza jurídica, encarecem os projetos e reduzem a atratividade para o investimento privado.

4. As empresas de minerais críticos que operam no Brasil devem ter total liberdade para gerir os seus negócios dentro de uma lógica puramente comercial e financeira. Ou seja, sem servirem de moeda de troca em negociações políticas internacionais bilaterais que podem envolver contrapartidas industriais, tecnológicas ou financeiras, no contexto de uma diplomacia econômica assertiva. Se for incluída alguma cláusula decorativa sobre minerais críticos em algum acordo internacional, então que seja baseada em joint-ventures com condomínio intelectual.

5. O mapeamento detalhado das reservas minerais do Brasil precisa ser concluído. Segundo a Capital Reset, apenas 27% do território brasileiro está mapeado na escala 1:100.000 —que traz informações microscópicas e detalhadas das características das rochas. Na edição 2025 do U.S. Mineral Commodity Summaries, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em reservas de terras raras. Mas os valores estão desatualizados e subestimados, considerando as descobertas e estudos mais recentes.

6. O BNDES, Banco do Brasil e BID devem ser mobilizados para irrigar financeiramente não apenas as instituições científicas e tecnológicas, mas também as empresas que operam na cadeia dos minerais críticos. É preciso criar mais mecanismos de financiamento e investimento que combinem capital público, privado e multilateral, desde linhas de crédito reembolsáveis até fundos de coinvestimento e garantias de risco.

O governo afirma estar atento. O Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, foi recentemente criado. A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos está sendo elaborada. Mas não nos esqueçamos de que candidatos às eleições de outubro de 2026, que ocupam cargos na administração pública ou atuam em empresas com contratos com o poder público, devem passar pela desincompatibilização, temporária ou definitiva, até abril do próximo ano, conforme a legislação eleitoral. O calendário eleitoral não é compatível com o calendário empresarial. Se estiver mesmo atento, o governo aprovará tudo o que tem prometido aprovar até o fim deste ano.