terça-feira, 15 de julho de 2025

Eduardo Garay - O mundo quer trabalhar com os brasileiros que atuam em áreas além da tecnologia, FSP_

 Eduardo Garay

CEO e fundador da TechFX, plataforma de câmbio para brasileiros que trabalham para empresas do exterior

Nos últimos anos, uma tradicional dinâmica do mercado de trabalho se inverteu. Se antes o sonho era encontrar uma maneira de fazer carreira lá fora, hoje são as empresas internacionais que estão de olho e vindo buscar o talento brasileiro. Com a alta do dólar, a popularização do trabalho remoto e a valorização da diversidade cultural, o Brasil virou vitrine de profissionais —e não apenas para o setor tecnológico.

Muito embora os desenvolvedores ainda liderem com certa folga a lista de contratações internacionais, representando 42% das vagas avaliadas em uma análise recente publicada pela Deel, empresas estrangeiras estão cada vez mais buscando brasileiros para diferentes áreas, como marketing, design, atendimento ao cliente, vendas, finanças e recursos humanos. Hoje, funções como a de analista de performance, customer success, SDR/BDR e recrutador internacional já são parte da rotina de muitos brasileiros contratados por fora.

O motivo para essa nova onda é uma combinação de fatores bastante favoráveis ao Brasil. Para as organizações de fora, o país oferece profissionais altamente qualificados, com esforço crescente no inglês, experiência em home office e ainda por cima num fuso horário que facilita a comunicação com os Estados Unidos e países europeus. Pelo lado dos trabalhadores, o salário em dólar é um atrativo de encher os olhos. Com uma valorização de mais de 27% da moeda americana frente ao real, o vencimento internacionalizado pode significar remunerações até 180% superiores às médias brasileiras em cargos semelhantes.

E vale dizer que não são só as gigantes estrangeiras que estão contratando. Segundo a Deel, 65% das empresas que recrutam brasileiros são de pequeno porte. Isso mostra que a internacionalização do trabalho está mais acessível do que nunca, não dependendo necessariamente de morar fora ou ter um diploma de instituições internacionalizadas para embarcar nessa.

Outro ponto forte nesse mercado globalizado é o perfil comportamental dos nossos profissionais. O brasileiro em geral é versátil, criativo e resiliente, características essas que chamam a atenção das empresas que precisam de profissionais que entreguem resultados e saibam se adaptar rapidamente a diferentes contextos e culturas.

Porém, por mais valorizadas que sejam, apenas essas qualidades não são suficientes para a conquista da oportunidade. Hoje, o mercado valoriza quem tem domínio de ferramentas digitais, pensa de forma analítica e autônoma, e, fundamentalmente, sabe se comunicar e portar bem em ambientes multiculturais. Por isso, investir em fluência no inglês, autoconhecimento e presença ativa no LinkedIn e comunidades globais faz toda a diferença.

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Para quem deseja surfar essa tendência, vale a pena começar a explorar plataformas de trabalho internacional, caprichar no portfólio, se conectar com profissionais de fora e se manter atualizado com as tendências da sua área. Com o mundo cada vez mais digital e globalizado, praticamente toda profissão que pode ser feita online tem potencial de exportação.

No fim das contas, estamos vivendo uma virada no mercado de trabalho. O talento brasileiro nunca esteve tão valorizado lá fora, em um movimento que deve ser crescente e duradouro. Graças ao avanço das tecnologias, estamos diante de um momento em que o mundo virou nosso home office. Com um bom Wi-Fi, inglês afiado e vontade de aprender, o brasileiro tem tudo para se destacar nessa nova fronteira do trabalho. Afinal, se o mundo está aberto para o Brasil, por que não abrir a porta e entrar?

TENDÊNCIAS / DEBATES
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Inflação dos EUA tem maior aceleração no ano e atinge 2,7% em 12 meses, FSP

 

Lucia Mutikani
Washington | Reuters

inflação nos EUA teve a maior aceleração no ano ao subir 0,3% em junho na comparação com o mês anterior. Em maio, o aumento dos preços havia sido de 0,1%. Com isso, o acumulado em 12 meses chega a 2,7%, ainda acima da meta de 2% estipulada pelo Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA).

A aceleração provavelmente marca o início de um crescimento da inflação induzido pelas tarifas criadas por Donald Trump para produtos que chegam aos EUA de vários países.

A imagem mostra uma seção de supermercado com prateleiras organizadas. À esquerda, há várias caixas de produtos amarelos, possivelmente grãos ou cereais, com o preço de $5,43. No centro, há frascos de molho ou conservas em várias cores, e à direita, caixas de produtos laranja, com o preço de $4,94. Acima das prateleiras, há placas indicando os preços e a seção é bem iluminada.
Molhos e cereais são vendidos em supermercado nos EUA - Ronaldo Schemidt/AFP

Na semana passada, Trump anunciou que tarifas mais altas entrarão em vigor em 1º de agosto para importações de ao menos 25 países, incluindo México, Japão, Canadá, Brasil e os integrantes da União Europeia. O Brasil ficará com a maior sobretaxa, com 50%.

Economistas disseram que a inflação demorou a reagir às taxas de importação anunciadas por Trump em abril porque as empresas ainda estavam vendendo o estoque acumulado antes da entrada em vigor das tarifas.

As leituras da inflação foram baixas de fevereiro a maio, o que levou Trump a exigir que o banco central dos EUA diminuísse os custos dos empréstimos.


Implantação de trens entre SP e Campinas terá 4 trilhos em faixa onde hoje existem 2, FSP

 

São Paulo

A implantação de um trem rápido para ligar São Paulo e Campinas até 2031 —e a retomada no transporte ferroviário de passageiros entre os dois municípios, interrompido em 2001— tem como desafio de engenharia instalar quatro trilhos em um traçado onde hoje existem dois, em trecho urbanizado e sem paralisar a circulação de composições de passageiros e cargas.

Até 2031, por contrato, deverá estar em funcionamento o TIC (Trem Intercidades) Eixo Norte, cujas obras devem começar no segundo semestre do ano que vem. Partindo da estação Água Branca, na zona oeste paulista, terá parada apenas em Jundiaí, até a estação final.

De média velocidade (até 160 km/h), o Trem Intercidades promete ligar Campinas a São Paulo em 64 minutos. De carro, o percurso pela rodovia dos Bandeirantes, é feito em ao menos 1h30 até a entrada das marginais. Isso quando não trava na entrada da capital, situação comum em horários de pico.

Em 2029, está previsto o início de operação do TIM (Trem Intermetropolitano, ou parador), para retomar a ligação ferroviária de passageiros entre Jundiaí e Campinas, com estações em Louveira, Vinhedo e Valinhos.

A implantação dos dois trens faz parte do contrato de 30 anos de concessão com a TIC Trens, assinado no ano passado pelo consórcio encabeçado pela Comporte, holding brasileira ligada à família Constantino, fundadora da Gol, em parceria com o gigante chinês CRRC, empresa estatal que é a maior fabricante de suprimentos ferroviários do mundo.

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Com valor total de concessão de R$ 14,2 bilhões, o contrato ainda prevê a remodelação da atual linha 7-rubi, entre capital paulista e Jundiaí. Atualmente, a nova concessionária acompanha os trabalhos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Em 27 de agosto, a empresa irá assumir a operação, sob supervisão da companhia estatal e, em novembro, começará a gestão sozinha.

Circulam pela mesma linha do metropolitano até Jundiaí trens de carga da concessionária MRS Logística, que ligam o porto de Santos ao interior do estado.

Com a reformulação, o transporte de carga terá uma via exclusiva com trilhos robustos para suportar mais peso —a capacidade deverá passar das atuais 25 toneladas por eixo para 32,5 toneladas.

Um homem está posicionado à frente de uma parede com o logotipo da empresa 'TIC Trens'. Ele usa uma camisa de botão clara e está sorrindo levemente. O ambiente parece ser um escritório moderno, com uma decoração simples e profissional.
Pedro Moro, CEO da TIC Trens, concessionária que irá implantar o Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, reformular a linha 7-rubi e retomar ligação ferroviária entre Jundiaí e Campinas - Rafaela Araújo/Folhapress

Assim, além dos trilhos de ida e volta do atual metropolitano, será necessária a implantação de mais duas linhas, para expresso e carga, contando ainda com a reconstrução do trecho entre Jundiaí e Campinas para o trem parador, por onde hoje passam apenas as composições da MRS Logística.

Além da manutenção do traçado, o projeto busca soluções para caber tudo num mesmo espaço. A distância mínima entre os eixos centrais de cada via do TIC e de carga é apenas 4,25 metros, número que sobe para 6,20 metros quando há postes de rede aérea.

"Tem lugares tão estreitos que será necessário um pórtico especial [de alimentação aérea de energia para os trens de passageiros] de uma ponta a ponta, pegando inclusive a área de carga [que é a diesel], porque se levar um poste [para o meio], teremos de aumentar a distância entre um trem e outro, o que não cabe", afirma Pedro Moro, CEO da TIC Trens, que em julho do ano passado pediu demissão da presidência da CPTM para assumir o comando da concessão.

Segundo explica, o conjunto de obras está dividido em quatro escopos.

A mesma faixa de domínio terá três serviços diferentes. O Trem Intercidades, com velocidade de até 160 km/h em uma via exclusiva para ele. A linha 7, que hoje opera com quase meio milhão de passageiros por dia, e uma linha nova para carga

Pedro Moro

CEO TIC Trens

O primeiro inclui a modernização de toda a infraestrutura da linha 7. Entre outros, haverá reformas de estações e troca de dormentes de madeira por modelos de concreto, mais duráveis e confortáveis. O desafio será fazer a reforma sem interromper a circulação de um ramal que em maio (dado mais recente) transportou cerca de 10 milhões de pessoas, além da circulação de cargas.

A reformulação da linha 7 também prevê adequação da frota atual de 30 trens da CPTM.

O segundo é a construção da via que vai fazer a ligação entre Jundiaí e Campinas para o Intermetropolitano.

O terceiro ponto é a construção da via rápida, a última a ser entregue. Ainda há a segregação do transporte de carga que passa hoje na linha 7, que será feita em conjunto com a MRS.

"Serão quatro trabalhos distintos e ao mesmo tempo", afirma o executivo, que se diz otimista sobre cumprimento de prazos.

Outros entraves são desapropriações, inclusive para a linha de carga, em áreas densamente povoadas, problema que a TIC Trens diz ter minimizado com atualização do projeto, e enchentes. Trilhos e entorno da estação de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, costumam ficar completa embaixo d'água em períodos de chuva.

PREVISÃO DE INÍCIO DE OBRAS

  • 2026 (segundo semestre)

    Linha entre Jundiaí e Campinas

  • 2027

    Modernização da infraestrutura da linha 7-rubi

  • 2027

    Linha do TIC

  • 2027

    Via de carga

A faixa de domínio de todas as linhas será cercada para evitar invasões, inclusive de animais, e diminuir os riscos de atropelamento por trens que podem passar a 160 km/h. A ideia também é coibir furto de fios e cabos de energia.

A linha do TIC será em via única. Ou seja, tanto o trem da capital para o interior quanto o no sentido contrário vão passar pelo mesmo trilho. Por isso, vão ser feitos oito pontos de ultrapassagens —enquanto um dos trens um mantém a velocidade, o outro reduz no desvio.

Por consequência, os tempos de viagem devem ser diferentes. Enquanto a viagem para São Paulo deve completar os 101 km de distância em 64 minutos, no sentido oposto a estimativa é de 75 minutos.

Ao todo, a chinesa CRRC produzirá 15 trens para o Intercidades nas cores laranja e azul. Com capacidade para 860 passageiros sentados, prometem transportar 40 mil pessoas por dia.

O novo padrão visual começará a ser estampado nos trens da linha 7 em novembro, mas em breve, o usuário já poderá ver a identificação em veículos auxiliares que estão em fase de pintura.

Os carros do TIC podem ter três classes distintas, com diferenças de preços e serviços —ainda se estuda se haverá algum tipo de vagão restaurante. O preço da passagem mais barata é prevista em R$ 64. Está sendo analisada, inclusive, a instalação de leitores de biometria facial para liberação de catracas.

Com intervalos de 15 minutos entre os trens no horário de pico, a estimativa é que 40 mil pessoas usem o serviço como alternativa de escapar do trânsito —atualmente, segundo a concessionária AutoBAn, em média 323 mil veículos fazem diariamente o trajeto entre Campinas e São Paulo pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes.