terça-feira, 15 de julho de 2025

Marina Silva e Renan Filho selam acordo para pavimentar estrada na amazônia, FSP

 

Brasília

Os ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente e Mudança do Clima do governo Lula (PT) chegaram a um acordo inédito para elaborar um plano socioambiental que viabilize a pavimentação da BR-319. A rodovia, que liga Porto Velho e Manaus, é um dos projetos mais controversos de infraestrutura do país quando o assunto é licenciamento ambiental.

O conjunto de medidas, batizado de Plano BR-319, foi selado por Marina Silva (Ambiente) e Renan Filho (Transportes), apurou a Folha.

A imagem mostra uma estrada de terra de cor alaranjada que se estende em linha reta através de uma vasta área de vegetação. À esquerda, há um corpo d'água com várias formas, enquanto a vegetação ao redor é densa e verde. O céu está nublado, dando uma aparência de neblina ou fumaça na atmosfera.
Trecho não asfaltado da BR-319 no Amazonas - Bruno Kelly - 9.set.24/Reuters

O plano cria um cronograma de ações de proteção ambiental e de desenvolvimento para os moradores do entorno. O objetivo é viabilizar o licenciamento do asfaltamento com a promessa de não repetir o padrão histórico de destruição ambiental que se vê na construção de rodovias na região amazônica, como a BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA).

O Plano BR-319 prevê a contratação de uma AAE (Avaliação Ambiental Estratégica), documento que elenca as preocupações socioambientais para a formulação de políticas públicas na região. Além de prever o controle do desmatamento, o estudo deve conter medidas para fortalecer comunidades locais e resolver os problemas de titularidade de terras que se espalham ao longo do traçado da rodovia.

Para isso, será contratada uma consultoria independente e especializada na região. Uma das principais tarefas será organizar um conjunto de medidas para proteger uma faixa de 50 quilômetros de largura de cada lado da rodovia. A estatal Infra S.A., ligada à pasta de Transportes, foi encarregada de fazer essa contratação.

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Há previsão de ações concretas de monitoramento e controle ambiental, combate ao desmatamento e fiscalização constante dentro dessa faixa, considerada como "zona crítica de impacto".

Medidas de regularização de ocupações e destinação de glebas públicas, além de proteção de terras indígenas e unidades de conservação, também devem ser contempladas no plano. Do lado econômico, será montado um programa de atividades produtivas com incentivo a cadeias produtivas locais e práticas agroflorestais.

A consultoria, que ainda será contratada, terá oito meses para elaborar a Avaliação Ambiental Estratégica da área de influência da rodovia. O cronograma de medidas também contempla estudo para desenvolver um modelo de parceria de gestão territorial que envolve setor público e privado.

A BR-319 tem 882 km de extensão e hoje é a única rota rodoviária de saída possível para quem vive em Manaus. Se não for por esta estrada, o caminho são os barcos ou aviões. Aberta no período militar, a rodovia já foi asfaltada no passado, mas no fim dos anos 1980 foi abandonada e passou as décadas seguintes praticamente intransitável em períodos de chuva.

Hoje os primeiros 200 km de rodovia, a partir de Porto Velho, são pavimentados. Em seu outro extremo, a partir de Manaus, 250 km da estrada também têm asfalto.

Nos últimos anos, houve várias tentativas de asfaltá-la novamente, principalmente no chamado "trecho do meio", parte central da estrada de aproximadamente 400 km, mas não houve avanço. O entrave se deu pelo forte impacto ambiental associado a essas iniciativas e a incapacidade de fiscalização dos órgãos de controle.

Em 2022, ações de pavimentação do trecho do meio —ainda sem licenciamento definitivo— coincidiram com um pico de desmatamento de 2.240 km² na região, o equivalente a 18% de toda a perda de floresta na Amazônia Legal naquele ano. Apesar de uma queda relativa em 2023 (12% do total desmatado na amazônia), os dados seguiram alarmantes.

O Ibama concedeu licença prévia ao Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em 2022 para o asfaltamento do trecho central, mas suas condicionantes ambientais, segundo as duas pastas, seguem sem cumprimento pleno, além de haver ações civis públicas em tramitação que pedem a sua suspensão.

Em 2 de julho, a Justiça Federal restabeleceu a validade da liminar que suspende a licença prévia para o asfaltamento da BR-319, ao atender a um recurso do Observatório do Clima, rede que reúne mais de uma centena de organizações ambientais. A decisão foi tomada devido a "inconsistências legais, técnicas e ambientais no processo de licenciamento".

Na manifestação ao TRF-1, o advogado do Observatório, Paulo Busse, aponta que a concessão da licença prévia desencadeou uma escalada de 122% do desmatamento no entorno do trecho da rodovia.

A estrada foi o estopim dos ataques dos senadores Omar Aziz (PSD-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e Marcos Rogério (PL-RO) à ministra Marina Silva em sessão da Comissão de Infraestrutura da Casa, no fim de maio.

A BR-319 atravessa um dos maiores mosaicos socioambientais do país, o que inclui terras indígenas (19% da área), unidades de conservação (32,8%), assentamentos, glebas públicas sem destinação e áreas privadas com pouca ou nenhuma regularização fundiária. O Plano BR-319 é resultado de um grupo de trabalho montado em 2023, com participação dos ministérios dos Transportes e Meio Ambiente, além de Dnit e Infra S.A., para estudar o projeto e propor uma solução.

Questionado sobre o assunto, o MMA declarou que o plano, que tem atuação coordenada com a Casa Civil, "possibilitará o debate sobre a pavimentação e restauração da rodovia".

O Ministério dos Transportes afirmou que "está em diálogo permanente com o MMA e outros ministérios, construindo as bases para efetivar avanços no projeto de recuperação da BR 319/AM que conciliem desenvolvimento econômico regional, garantia de direitos e sustentabilidade ambiental".

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Meta de alfabetização infantil fica abaixo do previsto, The News

 

Tropeçando nas primeiras letras. Em 2024, 59,2% das crianças da rede pública brasileira foram consideradas alfabetizadas ao final do 2° ano do fundamental.

  • Uma criança é considerada alfabetizada se consegue ler pequenos textos, inferir ideias e escrever bilhetes simples — mesmo com erros ortográficos.

O número representa um crescimento tímido em relação a 2023 (56%), mas abaixo do esperado — especialmente devido ao desempenho do Rio Grande do Sul , que caiu de 63,4% para 44,7% após as enchentes de maio.

O impacto no estado impediu o país de atingir a projeção oficial de 60,2%, segundo o ministro Camilo Santana.

Um país dividido em educação

(Imagem: CNN)

Ao todo, 11 estados cumpriram a meta de 60%. O destaque vai para o Ceará , que chegou a 85,3%, superando sozinho a meta nacional prevista para 2030. Outros bons resultados vieram de Goiás (72,7%), Minas Gerais (72,1%) e Espírito Santo (71,7%).

Na outra ponta, o desempenho preocupa: Bahia (36%) , Sergipe (38,4%) e Rio Grande do Norte (39,3%) estão entre os piores resultados.

Zoom out: O Ministério da Educação agora mira a marca de 64% para 2025. A meta sobe ano a ano até atingir 80% em 2030 — com foco total nos chamados ''territórios prioritários''.

Trump anuncia novas tarifas para os principais parceiros dos EUA, The News

 

Não são apenas os adversários ideológicos que sofrem com a tarifaço dos EUA. O presidente americano também impõe taxas aos seus principais aliados comerciais.

Em cartas enviadas no fim de semana, Trump anunciou descontos de 30% sobre produtos do México e da União Europeia , que movimentaram, respectivamente, US$ 840 bilhões e US$ 2 trilhões em negociações com os EUA em 2024 .

  • 🇲🇽 Na carta enviada ao presidente do México, Trump culpou o país por “ falhar em impedir os cartéis ”, dizendo que eles transformaram a América do Norte em “ um playground do narcotráfico ”;

  • 🇪🇺 Já não recado ao presidente da Comissão Europeia, o argumento foi o desequilíbrio comercial . Segundo Trump, a UE é responsável por um dos maiores déficits comerciais dos EUA, com superávit de US$ 56 bilhões em 2024.

A medida faz parte de um pacote mais amplo. Na última semana, 23 países — incluindo Brasil, Japão e Canadá — receberam avisos de novas tarifas de 20% a 50% sobre bens específicos.

Como resposta, a UE suspendeu tarifas retaliatórias que entrariam em vigor hoje , apostando em um acordo até o fim do mês. Nos bastidores, as autoridades europeias avaliam o gesto como mais um movimento de barganha.

Já o México, por meio da presidente Claudia Sheinbaum, prometeu manter negociações, mas avisou que sua soberania não está à venda — em um discurso semelhante ao do presidente Lula.

Resumindo : No final de abril, Trump prometeu fechar 200 acordos comerciais. Porém, apenas 3 foram assinados até o momento .