segunda-feira, 14 de julho de 2025

Ricardo Patah - A demora para renovar o mundo do trabalho, FSP

 Somos empilhadores de processos. A reforma tributária é um exemplo clássico. Esse bicho-papão, de mil cabeças, ronda todos os governos há mais de 30 anos.

Agora empurra-se com a barriga a portaria 3.665/2023, que trata do trabalho nos 13 feriados anuais dos comerciários. Ela já foi prorrogada cinco vezes por pressão dos empresários. Estava prevista para este mês. Se tudo der certo, entra em vigor em março de 2026. O documento é muito importante para os trabalhadores de comércio e serviços.

Hoje, a forma de trabalho nos feriados é pilotada pelos empresários. Pela portaria, passa a ser negociada pelos sindicatos e entra em convenção coletiva.

É um belo salto das entidades dos trabalhadores, que passam a ter mais força na negociação e permitem a seus filiados programar sua vida. A nova lei possibilita aos sindicatos terem um papel relevante na definição das regras. A portaria permite combater eventuais fraudes e garante condições mínimas para os trabalhadores, uma vez que o trabalho em feriado vai na contramão dos interesses de milhares de trabalhadores no comércio que querem mais lazer.

Por causa disso, estamos focados em lutar para resolver outro grande sufoco dos trabalhadores, que é a jornada 6 x 1 (seis dias de trabalho e um dia de folga), esquema implantado por Getúlio Vargas em 1943, quando a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) foi publicada.

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Os trabalhadores quase não têm descanso, não encontram tempo para o lazer, não conseguem estudar para se manter atualizados e mal encontram suas famílias. O único dia de descanso, quase sempre, é usado é para resolver problemas e se preparar para o retorno, para reiniciar a "maratona".

Na prática, a escala 6 x 1 oficializa um esquema de trabalho análogo à escravidão e atinge, pelo menos, 10 milhões de trabalhadores do comércio em todo o Brasil. Isso em pleno século 21, quando a tecnologia invade todos os setores da economia através da Inteligência Artificial (IA), inovação que promete revolucionar o mundo, com consequências ainda imprevisíveis.

A imagem mostra uma grande multidão em um protesto. Muitas pessoas estão segurando faixas e cartazes. Um dos cartazes é vermelho e contém o texto 'FIM DA ESCALA 6x1' e 'SIEMACO'. A multidão é composta por pessoas de diferentes idades e etnias, algumas usando bonés verdes. O ambiente parece ser ao ar livre, com árvores ao fundo e outras bandeiras visíveis.
Ato organizado por CUT, Força Sindical, UGT, CSB, CTB, NCST, Intersindical e Pública no Dia do Trabalho em São Paulo - Danilo Verpa - 1°.mai.25/Folhapress

Não resta a menor dúvida de que é preciso discutir seus efeitos e propor adaptações que melhorem as condições de vida dos trabalhadores. Com certeza, a redução da jornada é uma dessas exigências.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) tem um projeto, já em debate no Congresso, para diminuir a jornada para a escala 4 x 3 (quatro dias de trabalho e três de folga). Nos setores de comércio e serviços, esse esquema não tem condições de funcionamento. Mas o 5 x 2 seria viável. E fundamental.

O trabalhador teria tempo para se preparar, com qualificação e requalificação, uma vez que a tecnologia vai estabelecer que o profissional do futuro seja um eterno aprendiz. As rápidas demandas no mercado de trabalho exigirão uma mentalidade de aprendizado contínuo, disposição para desaprender o que já sabemos e reaprendê-lo de novas maneiras.

A UGT e os comerciários percebemos que estamos no olho do furacão e precisamos de reformas já. Estamos acostumados a pensar no futuro como algo que virá num momento distante. Mas esse tempo já chegou. O futuro é agora.

TENDÊNCIAS / DEBATES

Bibi Bailas - Materiais vivos: quando a ciência une vida e tecnologia., FSP

 Você sabia que os materiais que usamos todos os dias, como plástico, vidro e metal, são chamados de materiais inertes? Isso porque eles não mudam sozinhos depois de serem feitos. Agora, imagine materiais que conseguem agir como seres vivos: eles podem crescer, se consertar sozinhos e até responder ao ambiente ao redor. Esses são os chamados materiais vivos.

Os materiais vivos são feitos com organismos pequenos, como bactérias, fungos e células, que vivem dentro deles. Por exemplo, cientistas conseguem usar células para construir uma espécie de estrutura que ajuda o material a ser mais resistente e inteligente. Isso significa que o material pode se adaptar, crescer ou até se reparar sozinho se for danificado.

A imagem mostra duas mãos azuis, usando luvas, segurando duas placas de Petri. A placa à esquerda contém uma representação de plantas e cactos em um fundo rosa, enquanto a placa à direita apresenta uma mistura de cores e formas que lembram culturas microbiológicas em um fundo colorido. O fundo da imagem é de uma cor laranja sólida.
Bactérias são um exemplo de material vivo - Valentina Fraiz/Instituto Serrapilheira

Essa ideia de criar materiais inspirados na natureza se chama bioinspiração. Os cientistas observam plantas, animais e outros seres vivos para aprender como eles resolvem problemas. Um exemplo famoso é o velcro, que foi inventado porque o criador percebeu que as sementes de uma planta chamada bardana grudavam nas roupas e no pelo do cachorro dele. A partir disso, ele criou um sistema de fechamento parecido, que hoje usamos em roupas, sapatos e muito mais.

Outro exemplo são as turbinas que geram energia com o vento. Algumas são feitas para se dobrar e se mover de forma parecida com as folhas das plantas. Isso ajuda a turbina a funcionar melhor e durar mais tempo.

Com as novas tecnologias, como a impressão 3D, os cientistas conseguem fabricar materiais com formas muito complexas, parecidas com as estruturas naturais que encontramos no mar ou nas plantas. Por exemplo, a madrepérola, que é aquela parte brilhante dentro das conchas, é muito resistente e leve ao mesmo tempo. Inspirados nela, os pesquisadores criam materiais que têm essas mesmas características para usar em construções e aparelhos.

No campo da medicina, os materiais vivos estão ajudando a criar implantes e próteses melhores. Como eles são feitos com células vivas, eles podem se integrar ao corpo e ajudar a reparar tecidos, o que melhora a recuperação das pessoas.

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Por fim, esses materiais vivos nos fazem pensar sobre o que significa estar vivo. Eles são diferentes do que estamos acostumados, pois misturam partes vivas com partes feitas pelo homem. Por isso, cientistas e filósofos estão discutindo como usar essas tecnologias de forma responsável.

Estes avanços mostram que, ao aprender com a natureza, podemos criar soluções mais inteligentes e sustentáveis para o futuro.


Elio Gaspari, Eduardo Bolsonaro mostrou seu mapa, e a chave está na anistia, FSP

 Pareceu bravata quando Eduardo Bolsonaro disse na segunda-feira à repórter Julia Chaib, em Washington, que "Trump não joga palavras ao vento (...) tem alguma coisa acontecendo e eu estou com uma expectativa alta. (...) Esses próximos tempos podem trazer boas novidades."

Na quarta-feira as novidades vieram, e Eduardo voltou a falar: "Apelamos para que as autoridades brasileiras evitem escalar o conflito e adotem uma saída institucional que restaure as liberdades. Cabe ao Congresso liderar esse processo, começando com uma anistia ampla, geral e irrestrita, seguida de uma nova legislação que garanta a liberdade de expressão —especialmente online— e a responsabilização dos agentes públicos que abusaram do poder."

Marco Rubio (à dir.) posa para foto ao lado de Jair e Eduardo Bolsonaro
Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio - Reprodução - 12.nov.2024/@jairbolsonaro no X

Era o mapa do tesouro para o bolsonarismo trumpista. Sua chave está na anistia.

A sobretaxa de 50% afeta as exportações nacionais, e o projeto que anistia os bolsonaristas, devolvendo a elegibilidade do ex-presidente, está no Congresso há meses. Nesse cenário, o Congresso aprova a anistia, podendo dizer que a decisão foi soberana, pois a apresentação do projeto antecedeu o joelhaço de Trump.

O presidente americano poderá, no seu melhor estilo, cantar vitória, retirando as sanções punitivas. A segunda fala de Eduardo Bolsonaro olha para a frente. Quando a sobretaxa de 50% produzir seus efeitos no bolso do andar de cima, destruindo empregos no de baixo, o que hoje é indignação patriótica poderá virar, aos poucos, impaciência com o Congresso.

Madame Natasha e os Brics

Madame Natasha gosta dos Brics, mas não sabe por quê. Ela acompanhou sua última reunião de cúpula e não entendeu nada. Humilde, resolveu ler a Declaração do Rio de Janeiro, com 126 itens. (O documento final da Conferência de Yalta, que redesenhou a Europa em 1945, tinha 14.)

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Natasha perdeu o fôlego ao ler o item 38: "Ressaltamos a contribuição significativa das zonas livres de armas nucleares para o fortalecimento do regime de não proliferação nuclear, reafirmamos nosso apoio e respeito a todas as zonas livres de armas nucleares existentes e suas garantias associadas contra o uso ou a ameaça de uso de armas nucleares e reconhecemos a suprema importância dos esforços que visam acelerar a implementação das resoluções sobre o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares e outras armas de destruição em massa no Oriente Médio, incluindo a conferência convocada de acordo com a Decisão 73/546 da Assembleia Geral da ONU."

Uma frase de 98 palavras é coisa de burocrata onipotente. Repetir nela por cinco vezes as palavras "nuclear" ou "nucleares" é ter um estilo radioativo. Natasha decidiu pedir ao chanceler Mauro Vieira que entregue ao diplomata que redigiu o texto a concessão de uma de suas bolsas de estudo.