terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Pedro Fernando Nery - Órfãos da 3ª via esperam que Lula respeite a ciência econômica, mas talvez isso fique só para 2026, OESP

 Chegou o solstício de dezembro. Nos grupos de colegas economistas no WhatsApp, decepção com as escolhas para a equipe econômica. Me lembrei de Olaf.

Este é o simpático boneco de neve da princesa Elsa, do filme Frozen. Sua música, No verão, celebra sua ingenuidade. Ele conta sobre tudo que planeja fazer quando a estação chegar. Idealiza esse futuro ensolarado, quando imagina que ficará até bronzeado.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente eleito para o terceiro mandato
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente eleito para o terceiro mandato Foto: Eraldo Peres/AP

Olaf não percebe a sua sina no verão que tanto deseja. Um personagem até tenta alertá-lo sobre seu destino. É impedido por uma princesa, “não se atreva!”, protegendo a pureza do boneco.

No verão é então uma anedota do tipo “cuidado com o que você quer porque você pode conseguir”. Adverte para o poder destruidor da realidade sobre certas expectativas.

Os economistas estão derretendo. O governo Lula chegou e não é como ansiavam. A montagem da equipe econômica terminou sem escolhas estrelares. Fantasiávamos um time de peso no Ministério da Economia – nos melhores sonhos um Persio ou um Armínio seriam ministros.

Pipocaram vídeos e textos dos últimos anos sobre os verdadeiros escolhidos. No seu conjunto a nova equipe previu que a pandemia não provocaria inflação, que a reforma da Previdência causaria uma recessão, que Roberto Campos Neto causaria outra.

Os economistas, muitos órfãos da 3.ª via, queriam um governo que respeitasse a ciência – os anúncios mostram que será o caso da ciência climática, das ciências da saúde, das ciências da educação. A ciência econômica, receia-se, fica para 2026.

“Suponho que não tenha muita experiência com o calor”, indaga um personagem. Olaf responde: “Nenhuma!”. Alguns mais cínicos argumentam que a recessão brutal em Dilma deveria ter imunizado a profissão, não cabendo ter tido a ingenuidade do boneco de neve. “Faz o L!” é o comentário para ironizar os economistas que, tendo apoiado a eleição de Lula, estão agora temerosos com a escalação.

Contudo, está lá o gigante Bernard Appy, um dos economistas mais completos do Brasil e principal especialista sobre o nosso maior desafio (a reforma tributária). O Executivo tem ainda ótimos servidores de carreira que podem ajudar com qualidade o novo governo. Há um Congresso similar ao que aprovou reformas nos últimos anos e um STF ubíquo, que poderiam conter eventuais retrocessos.

Continuarei, então, exercitando o otimismo por mais um tempo. Espero, como na canção de Olaf, evitar a trágica rima: “O inverno é uma época meio insossa, eu quero o verão pra virar... um boneco de neve feliz!”.

Cerca de 30% da geração Z confia mais no TikTok do que em médicos - The News

Para quem acredita que o aplicativo chinês só tem dancinha, pesquisas mostram que o TikTok é uma fonte comum de informações sobre saúde, principalmente para os jovens adultos.

Só pra ter ideia, um em cada cinco americanos consulta o TikTok antes de ir ao médico, e a mesma proporção afirmou confiar mais em influenciadores de saúde do que nos profissionais.

Os principais motivos para essa resposta incluem acessibilidade (37%), preço (33%) e identificação (23%). Quase 20% afirma recorrer a influenciadores para evitar o julgamento dos doutores.

O perigo da situação 🚨

Especialistas reforçam que há uma grande quantidade de desinformação médica encontrada nas redes sociais. Inclusive, quase 90% das pessoas acha que é provável que influenciadores digitais contribuam para a desinformação sobre saúde online.

Além disso, problemas médicos completamente diferentes podem se manifestar com sintomas semelhantes. Ou seja, o que funcionou para o influenciador do TikTok não necessariamente funcionará pra você.

Zoom Out: Embora as celebridades tenham sido classificadas como as menos confiáveis para dar conselhos médicos, metade dos consumidores confessaram que são induzidos pelos posts dos famosos. 

Vide, vida marvada - Canção de Rolando Boldrin

Corre um boato aqui donde eu moro

Que as mágoas que eu choro

São mal ponteadas

Que no capim mascado do meu boi

A baba sempre foi

Santa e purificada

Diz que eu rumino desde menininho

Fraco e mirradinho

A ração da estrada

Vou mastigando o mundo e ruminando

E assim vou tocando

Essa vida marvada

É que a viola fala alto no meu peito, mano

E toda moda é um remédio pros meus desengano

É que a viola fala alto no meu peito humano

E toda magoa é um mistério fora desse plano

Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver

Chega lá em casa pro uma visitinha

Que num verso ou num reverso da vida inteirinha

Há de encontrar-me num cateretê

Há de encontrar-me num cateretê

Tem um ditado dito como certo

Que cavalo esperto Num espanta boiada

E quem refuga o mundo resmungando

Passará berrando essa vida marvada

Cumpade meu que envelheceu cantando

Diz que ruminando dá pra ser feliz

Por isso eu vagueio ponteando

E assim procurando

A minha flor-de-lis

É que a viola fala alto no meu peito, mano

E toda moda é um remédio pros meus desengano

É que a viola fala alto no meu peito humano

E toda magoa é um mistério fora desse plano

Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver

Chega lá em casa pro uma visitinha

Que num verso ou num reverso da vida inteirinha

Há de encontrar-me num cateretê

Há de encontrar-me num cateretê

Há de encontrar-me num cateretê

Há de encontrar-me num cateretê