quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

China vive situação caótica com fim da política de Covid zero, FSP

 Thiago de Aragão

RFI

A imposição da política de Covid zero na China gerou um caos social e sanitário, culminando com a morte de dez pessoas numa fábrica em Xinjiang e protestos contra Xi Jinping. Essa situação levou o líder chinês a determinar o fim de uma longa política em um dos últimos países a ainda sofrer de forma substancial com a pandemia que assolou o mundo em 2020 e 2021.

Passageiros de máscara no metrô de Pequim - Noel Celis - 19.dez.22 /AFP

Com o fim da política de Covid zero, a China vivia um sentimento generalizado de alívio. No entanto, a falta de um elemento essencial está colocando o país em uma situação complicada que, como da última vez, acarreta em inúmeros problemas interligados: pressão nos hospitais, mortes, fechamento de fábricas, danos a cadeia de produção e impacto negativo na economia (que é a principal base de sustentação do Partido Comunista Chinês perante a sociedade). Esse elemento primordial para superar a crise é a vacina.

A China foi um dos primeiros países do mundo a desenvolver imunizantes anticovid-19. Tanto a Coronavac como a Sinovac são de fabricação chinesa, apesar de o governo chinês também estar envolvido no financiamento da vacina da AstraZeneca e, via a BioNTech, indiretamente ligado à vacina da Pfizer.

Como podemos ver ao longo dos últimos anos, a vacina da Pfizer (e Moderna), com a tecnologia RNA mensageiro, se mostrou mais eficaz na neutralização do vírus, fazendo com que esse imunizante se tornasse o predominante em vários países. A China, por outro lado, por conta da propaganda "necessária" ao partido, resolveu não comprar as vacinas mRNA (e tentar desenvolver a própria).

SITUAÇÃO CAÓTICA

falta de vacinação eficiente na população fez com que uma situação caótica se estabelecesse no país. No momento, quase um terço da população de Pequim (22 milhões) está com suspeitas de estar com o coronavírus. O caos começa a se disseminar na mesma proporção de contaminação do vírus.

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Caminhoneiros não conseguem levar cargas e suprimentos de um lugar para outro, alimentos não estão chegando nos supermercados e a população, começando a se desesperar, acumula o máximo de produtos não perecíveis.

Além do temor de que o vírus se espalhe ainda mais, o Partido Comunista Chinês também lida com a hipótese de que o alto volume de contaminações e possíveis usos indiscriminados de remédios não relacionados gerem um novo ciclo de mutações no vírus, que poderia resultar em uma variante mais agressiva que a ômicron.

Claro que isso é um problema futuro, e é difícil o governo chinês lidar com eventualidades quando problemas atuais estão prejudicando num ritmo acelerado a percepção da população em relação ao partido.

Assim, as próximas semanas serão críticas em relação a estratégia adotada para conter esse avanço avassalador da Covid-19. Não podemos excluir a hipótese do retorno da política de Covid zero com o intuito de ganhar tempo para acelerar o processo de vacinação dos mais idosos e, quem sabe, produzir a própria vacina mRNA.

Votos natalinos à moda antiga, Eudes Quintino, site da APMP

 



Depois de tempos conturbados pela pandemia provocada pela Covid-19 – atingindo praticamente toda a humanidade – o momento presente é mais uma pausa para reflexão de final de ano a respeito da fragilidade humana, desprovida ainda de condições para profetizar maus presságios que se avizinham e colocam em risco a vida de cada pessoa. Sunt lacrima rerum, assim se expressou Virgílio, em sua Eneida, com o significado de que nos grandes infortúnios até dos seres inanimados brotam lágrimas de compaixão. E uma das conclusões a se tirar do mal que afligiu toda a população é que, como preconizavam os gregos, somos mais vulneráveis quando nos sentimos fortes. Quando fracos não dimensionamos corretamente o perigo.

Imprescindível para o momento é blindar o corpo contra a contaminação das mais variadas cepas. Percebe-se que a humanidade chegou ao fim de uma era e pisa no alvorecer de outra, ainda desconhecida.

A reflexão projetada é justamente, por conhecer um passado nada auspicioso, dar vazão a uma nova cruzada de fazer inveja à criatividade de Aldous Huxley, no Admirável Mundo Novo e resgatar valores à moda antiga, como generosidade, honestidade, persuasividade, racionalidade e outros predicados recomendados para a boa convivência entre os humanos. É hora de sorver a doce sobrevida e cantar com os olhos grandes e sonhadores mirando o infinito, como se o mundo tivesse acabado de ser criado.

A palavra generosidade vem revestida de um significado tão difuso que

arrasta em sua conceituação outros predicados portentosos, como bondade, beneficência, benevolência, dadivosidade, desapego. É a prova de que o perfeito não pode ser inimigo do bom. Honestidade corresponde à probidade, à retidão de pensamentos e princípios e a etimologia da palavra vem atrelada à honra e à dignidade. É como se fosse uma lógica mecanizada e pronta para ser utilizada. Persuasividade é a arte do convencimento, de exercer influência para que as pessoas possam praticar aquilo que é certo para o coletivo. É o momento de debater, discutir, aceitando ou rejeitando argumentos. É aproximar-se do coração para encontrar a verdade. A racionalidade é a medida para ponderar e aceitar as coisas como elas são, com o intuito de ajustá-las ao bem comum. É como se fosse um oráculo misterioso que sussurra o caminho perfeito para a vida.

Assim, que seu Natal e o ano que se aproxima sejam realmente novos e que os invasores patogênicos hostis e insidiosos com suas cepas modificadas não encontrem ambiente favorável em você e que seu sistema imunológico possa sufocar o vírus, extirpando-o definitivamente. Que você seja introduzido numa redoma de cristal à prova de contaminações.

Não seja demasiado justo com as pessoas, como recomenda o Eclesiastes (Noli esse justum multum). Justiça em demasia é injustiça. Procure encontrar uma solução que seja mais benigna, mais tolerante, mais humana, enfim que seja compatível com o progresso, os costumes e a solidariedade que deve existir entre as pessoas.

Que você possa acionar corretamente a senha da esperança, de vital providência. O homem, até a pouco tempo, estava encruado dentro do seu labirinto, com o mínimo contato com seus pares. Necessita de um prazo razoável para irmanar-se como siameses, libertar-se das amarras antigas e

retomar o sentido do coletivo. Tudo para que seja definido um novo curso, um caminhar constante em grupo, sem estandardizar critérios e regras.

Que você possa encontrar uma nova vertente em sua vida, deixando sempre o pensamento a fermentar para se transformar em uma referência na prática de boas ações de médio e longo prazos, forjando, desta forma, um paraíso igualitário, uma verdadeira epifania em que possa espalhar a harmonia e a poesia.


Eudes Quintino de Oliveira Júnior, Promotor de justiça aposentado, membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.

Elio Gaspari - Que tal cortar gastos?, FSP (definitivo)

 PEC pra cá, PEC pra lá, orçamento secreto, emendas do relator, teto de gastos. Desde o início de novembro o debate nacional está tomado por uma algaravia que se resume a três palavras: Como gastar mais.

Cada despesa com o dinheiro da Viúva tem defensores capazes de justificar suas propostas. Quase sempre, falam em nome dos fracos e dos oprimidos. Não apareceu uma única voz propondo cortar gastos, como se o problema do Orçamento estivesse no andar de baixo.

Plenário em foto aberta, com poucos parlamentares presentes e muitas cadeiras vazias. Nas laterais, placares de votação
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional - Roque de Sá - 11.jul.2022/Agência Senado

Começando pelo topo, imagine-se uma reunião dos seis ex-presidentes, incluindo-se Jair Bolsonaro. Todos podem defender gastos, pelas mais altas razões. Falta dizer que eles custam à Viúva pelo menos R$ 5,76 milhões por mês. Tudo de acordo com a lei.

Nessa estatística do portal de dados abertos da Presidência, incluem-se o custeio de equipes, diárias de hotel, passagens e combustível. Ela não tabula aposentadorias e benefícios legalmente acumulados. Nela, o teto fica com Lula (R$ 129,7 mil) e o piso com José Sarney (R$ 76,6 mil).

No andar de cima do serviço público há de tudo. No primeiro semestre deste ano, pelo menos 353 juízes ganharam mais de R$ 100 mil num mês. Três receberam de R$ 432 a R$ 700 mil. Uma magistrada recebeu R$ 733 mil em abril. Teve general acumulando os vencimentos de militar (R$ 32 mil) com os de cargo civil (R$ 31 mil). No Superior Tribunal Militar, 22 viagens do seu presidente custaram R$ 235 mil.

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Tem ministro do Tribunal de Contas que custa mais com suas viagens (R$ 43.517 entre 25 de fevereiro e 14 de março) do que com os vencimentos (R$ 37,3 mil brutos). Três generais palacianos receberam num ano até R$ 350 mil acima do teto do serviço público. Em 12 meses, um deles recebeu R$ 874 mil brutos.

Furam-se tetos, tanto o do limite geral de gastos à custa da bolsa da Viúva, como de embolsos individuais. Tudo dentro da lei.

O que surpreende na má qualidade do debate é que existem dezenas de propostas para se gastar mais, sem que tenha aparecido uma só ideia para se gastar menos. É uma lógica que vai bem nos Emirados Árabes, mas não faz sentido em Pindorama.

Aqui, gasta-se mais em nome dos pobres sem se mexer nas excentricidades praticadas no andar de cima. Todo mundo é contra a desigualdade, desde que não se toque no seu pirão. Nenhuma das emendas do relator economizava um só centavo, só gastavam.

Pode-se argumentar que com a magnitude do Orçamento, um corte aqui e outro ali não fazem diferença. Tudo bem, mas servem de exemplo, demonstram intenção. Até porque as arcas da Viúva não podem ser as únicas onde é impossível cortar alguma coisa. Afinal, custos são como as unhas, se não cortar, crescem.

Eleito por um arco de defensores da democracia, Lula apresenta-se como encarnação de uma frente de partidos. No arco democrático, estava o economista Pedro Malan. Na frente de partidos, está o de sempre.

Faz tempo, botaram um aumento no contracheque do brigadeiro Eduardo Gomes, patrono da Força Aérea, duas vezes derrotado na disputa pela Presidência da República. Sem ter outra fonte de renda além do soldo, morava bem na praia do Flamengo. Vivia só.

Quando lhe deram um dinheiro que era legal, mas a seu ver impróprio, sem dizer uma palavra, fazia cheques mensais para os pobres de Petrópolis e para missões religiosas.