quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Transição para economia de baixo carbono demanda profissionais com novos conhecimentos

 


Distrito Federal - Em todo o planeta, foram criados 12,7 milhões de empregos na área de energia renovável em 2021, 10% deles no Brasil. Até 2030, outros 30,2 milhões de postos de trabalho como esses, chamados de empregos verdes, devem ser criados para atender apenas às demandas geradas pela transição energética. Os dados são da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).

A expansão das vagas para esse tipo de função é uma das consequências do esforço global por uma economia de baixo carbono. Além da área de energia, outros setores como agricultura, construção civil, transporte e indústria também criam empregos verdes.

Apesar do bom desempenho obtido até agora nessa área, um dos desafios enfrentados pelo Brasil para alavancar a geração de postos de trabalhos assim consiste na formação de mão de obra capacitada para atuar nesse novo cenário.

“O Brasil tem um enorme potencial para ocupar uma posição de relevância na agenda de energias renováveis, o que inclui a geração de muitos empregos, mas, se não trabalharmos, isso não vai acontecer por inércia”, alerta o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi.

Os riscos de um governo puro-sangue, Pedro Doria, Meio

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Por Pedro Doria

O desafio que se apresenta perante o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, não é novo para ele: montar um ministério e, a partir daí, dar uma diretriz para seu governo. Ainda assim, este é também um desafio ao qual, quando apresentado a ele pela primeira vez, Lula errou muito. E, ao errar, abriu espaço para o Mensalão. Não bastasse, o problema que ele tinha de resolver em 2002 era muito menos complexo do que o que encontra em 2022.

Em seu governo, Fernando Henrique Cardoso distribuiu os postos mais importantes do ministério entre um número pequeno porém coeso de partidos ancorado principalmente, além de seu PSDB, no PFL e no PMDB. FHC tinha algumas vantagens. A primeira, que o número de partidos com grandes bancadas no Congresso era relativamente pequeno. E, a segunda, que a Mesa Diretora da Câmara atuava em parceria com os líderes partidários. Desta forma, as legendas conseguiam com bastante frequência fidelidade de seus membros. Dar ministérios é compartilhar poder, é dar espaço de decisão na formação de políticas públicas. É, também, compartilhar os trunfos dos acertos do governo, que beneficiam eleitoralmente. Mas há um retorno: uma bancada grande o suficiente, nas duas casas do parlamento, que permitam aprovação daquilo que interessa ao Executivo.

Ao ser eleito, Lula escolheu seguir um caminho distinto. As principais pastas de seu primeiro governo, aquelas com grandes verbas e muito poder de ação política, foram para petistas ou siglas irmãs. Não representavam, no Congresso, uma grande bancada. Talvez Lula tenha se sentido endividado com as diversas facções do PT. Talvez considerasse que precisava de um governo puro-sangue de esquerda para fazer o que desejava. Ocorre que presidentes precisam de base no Congresso para aprovar seus projetos. Ao escolher não compartilhar poder com as grandes siglas, restou ao governo um único jeito de atrair votos na Câmara e no Senado. O suborno. O Mensalão. No fim, talvez Lula acreditasse mesmo era naquela sua frase que Herbert Vianna registrou para a posteridade: na Câmara “são trezentos picaretas com anel de doutor”.

Se for isso, Lula não acreditava numa solução política. Via aqueles parlamentares apenas como gente subornável.

A decisão custou caro: seu primeiro grande escândalo de corrupção que, inevitavelmente, estava conectado ao escândalo seguinte — o do Petrolão. Ao formar um ministério petista puro-sangue, ao escolher não compartilhar poder, Lula criou uma armadilha para si próprio, um moto-contínuo que desembocaria numa mancha indelével da imagem do PT e uma gigantesca crise política no país.

Esta lição Lula por certo aprendeu. Desde o Mensalão que o PMDB, hoje MDB, está ao seu lado. A equação que precisa ser atendida para montar um ministério é que complicou.

Um dos problemas é a deterioração dos ritos na Câmara dos Deputados. De Severino Cavalcanti a Eduardo Cunha a Arthur Lira, a maneira como a Câmara é gerida destruiu por completo a capacidade dos líderes de partidos terem o controle sobre suas bancadas.

Hoje, quem tem poder sobre o que cada deputado recebe é o comando da casa. É Lira. Não bastasse, mesmo tendo melhorado por conta das mudanças na legislação eleitoral, o número de partidos ainda é bastante maior do que nos tempos de FH. Some-se a isto o fato de que há uma direita radicalizada no Congresso, com incentivos para não pactuar com o governo Lula enquanto posa para as redes sociais.

Distribuir poder para conseguir apoio segue importante, segue fundamental, mas não basta. Negociação direta com Arthur Lira, que não está nem aí para políticas públicas, é inevitável. Lira é uma versão fria de Eduardo Cunha. Cunha reagia com o fígado na disputa política. Lira não faz isso, mas não tem pudores de usar seu poder. Foi assim que costurou o Orçamento Secreto.

Desta forma, perante uma Câmara dos Deputados que pode se tornar chantagista, Lula precisa construir outra rede de apoio — uma na sociedade. E não lhe basta aquela que o PT já tem, como sindicatos, movimentos sociais ou setores progressistas da academia. O presidente eleito precisa trazer a sociedade civil organizada. Think tanks e ONGs que não são necessariamente de esquerda mas têm muita influência em seus setores, como Todos pela Educação, Instituto Igarapé ou Imazon. Organizações como Fiesp, Febraban e outras entidades empresariais de peso. Até a grande imprensa.

Não quer dizer que estes grupos precisem estar aplaudindo o governo Lula todo o tempo. Quer dizer que precisam estar convencidas de que o governo ouve, que o governo tem espaço para diversidade de opiniões, que o governo também as representa. Se um dia houver uma crise política ou econômica ou ambas, coisa séria, este apoio na sociedade é a garantia de que uma ruptura institucional não ocorrerá. De que a chantagem do Centrão não cruzará a linha do inimaginável.

De certa forma, na construção da equipe de transição, Lula demonstrou estar atento a esta costura necessária. Mas, nos anúncios iniciais de seu ministério, parece ainda estar com cara daquele Lula de 2002. Mais preocupado em agradar ao PT do que em ampliar sua rede de apoio.


Morre Isaias Raw, Agência Fapesp

 Agência FAPESP – Isaias Raw morreu na noite de terça-feira (13/12), aos 95 anos. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em 1950, professor titular do departamento de Bioquímica e professor emérito da USP, Raw foi um dos responsáveis por transformar o Instituto Butantan no maior centro produtor de vacinas do país.

“O professor Isaias Raw foi uma presença constante e destacada do panorama científico brasileiro nos últimos 60 anos. Fez parte de um grupo pioneiro que implantou a bioquímica em São Paulo, e influenciou pelo menos duas gerações de pesquisadores. Tive pessoalmente oportunidade de interagir com ele, em várias oportunidades, e sempre admirei sua capacidade de integrar conhecimentos científicos fundamentais com aplicações biotecnológicas práticas e grande respeito pela educação científica”, afirmou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

Doutor em bioquímica na USP, em 1954, e professor livre-docente em 1957, Raw foi preso em 1964 e cassado pelo AI-5 em 1969, Trabalhou como professor visitante da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), na Universidade Harvard e no Centro Biomédico de Educação da City College (Nova York).

Até deixar o Brasil, já tinha sido um dos fundadores da Editora da Universidade de São Paulo e da Universidade de Brasília, atuado para unificar os exames vestibulares de São Paulo e dirigido a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento do Ensino da Ciência (Funbec), além de ter participado da criação da Fundação Carlos Chagas e do Curso Experimental de Medicina da FMUSP.

Também foi responsável pela concepção e produção dos kits "O Cientista", com tarefas para estudantes fazerem em casa. “Fazíamos na Faculdade de Medicina. Quando Ulhoa Cintra foi reitor da USP, de 1960 a 1963, ganhamos um galpão na Cidade Universitária e tudo passou a ser industrializado. Chegamos a ter 650 operários. Quando saí do projeto, a Editora Abril topou fazer isso comercialmente”, ele contou em entrevista à revista Pesquisa FAPESP.

De volta ao país, ingressou no Instituto Butantan em 1984, tendo sido responsável pela criação do Centro de Biotecnologia, do Museu de Microbiologia e do Museu Histórico. Foi também o idealizador da Fundação Butantan, da qual foi presidente entre 2005 e 2009.

Raw foi diretamente responsável pela montagem de novas fábricas de produção de soro na década de 1980 e liderou o desenvolvimento de novas vacinas, como a da hepatite B recombinante. Na diretoria do Instituto, entre 1991 e 1997, teve papel fundamental na transferência de tecnologia da vacina da gripe entre Sanofi Pasteur e Butantan, até hoje um dos carros-chefe do Butantan.

Raw era membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) desde 1987. Recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico em 1994, o título de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995 e foi considerado grão-cruz da mesma ordem em 2001, a mais alta condecoração científica no país.

Nos últimos anos, esteve afastado da docência, mas continuava atuando nas pesquisas de vacinas no Butantan, incluindo a da dengue.