quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Fabricante de turbina eólica vai produzir pá reciclável, FSP

 A Siemens Gamesa, que resulta da fusão dos negócios de energia eólica da Gamesa com os da alemã Siemens, acaba de lançar sua pá eólica reciclável.


As lâminas das turbinas costumam ser feitas de uma mistura de materiais como madeira, vidro e fibra de carbono, que torna a reutilização difícil e de alto custo após a vida útil das peças.

A companhia afirma que as primeiras pás recicláveis de 81 metros de comprimento estão sendo produzidas em sua fábrica na cidade de Aalborg, na Dinamarca.

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Segundo a empresa, uma combinação de materiais é fundida com um novo tipo de resina que torna possível a separação dos componentes e a reutilização em novas aplicações.

com Mariana Grazini e Filipe Oliveira

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    Há três setes na mesa de Bolsonaro, Elio Gáspari - FSP

     Se Donald Trump tinha um plano para a insurreição de 6 de janeiro, durou cerca de seis horas. Se Bolsonaro tinha o seu plano para o 7 de setembro, durou menos de quatro horas. Às 11h43 ele anunciou a convocação do Conselho da República, sabe-se lá para quê, e lá pelas 15h o Palácio do Planalto informou que a reunião estava esquecida.

    No seu discurso matutino Bolsonaro mostrou-se desorientado. Referindo-se ao ministro Luiz Fux, ele disse: “ou o chefe desse Poder enquadra o seu, ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”. A frase não faz sentido. O presidente do Supremo não tem poder para “enquadrar” a corte. (A menos que Bolsonaro esteja fazendo fé na faixa preta de jiu-jitsu de Fux.) Também não tem sentido o “sofrer aquilo que não queremos”. Primeiro porque falta dizer o “queremos”, depois porque falta explicitar o que significa “sofrer”. À tarde, Bolsonaro fulanizou sua carga contra o ministro Alexandre de Moraes: “Ou ele se enquadra ou pede para sair”. Não disse como, nem porquê. Também não explicou o mecanismo legal que poderá livrá-lo de Moraes.

    Nesta quarta (8), ao chegar ao Planalto, Bolsonaro não terá na agenda a tal reunião com o Conselho da República, mas lá estarão os Três Setes que assombram o Brasil no seu 199º ano de existência:
    o litro da gasolina a R$ 7, com a inflação e os juros arriscando chegar a 7%.

    Isso para não se falar nos 14 milhões de desempregados num país que rala em pandemia que já matou mais de 550 mil pessoas. Todos esses problemas exigem que o governo trabalhe. É serviço para formigas, não para cigarras.

    Se qualquer dos problemas que estão sobre a mesa de Bolsonaro pudesse ser resolvido tirando-se Moraes ou qualquer outro ministro do Supremo, eles certamente mandariam as togas para o Planalto. Contudo, no seu discurso vespertino Bolsonaro pronunciou a palavra mágica de suas ansiedades: “Inelegibilidade”.

    Bolsonaro tem uma só preocupação: continuar na Presidência. Teme perder a eleição e por isso continua satanizando as urnas eletrônicas. Sabe que corre o risco de ser declarado inelegível pelo que fez e deixou fazer em suas campanhas e antecipa-se. Declará-lo inelegível em 2022 por malfeitorias de 2018 dará ao processo legal um cheiro desagradável de tapetão.

    Nada melhor que chamar os eleitores, computar os votos e empossar o candidato que tiver mais votos.
    Até a hora em que Bolsonaro terminou seu segundo discurso, o 7 de setembro de 2021 transcorreu em paz. Ficou apenas uma ameaça de Bolsonaro: ele diz que não cumprirá ordens da Justiça que vierem a desagradá-lo. A ver.

    Bolsonaro diz que continuará dentro das quatro linhas da Constituição, mas ameaça sair do quadrado, sem dizer como. Falta pouco mais de um ano para a eleição e novas crises virão.

    Os três setes continuarão sobre a mesa do presidente, com suas próprias tensões. A ruas continuarão abrigando gente que acredita em cloroquina, no grafeno, no nióbio e nas fraudes das urnas eletrônicas.

    A história oferece um refresco. Os restos mortais de Napoleão chegaram a Paris em 1840, 19 anos depois de sua morte. Naqueles dias, só no manicômio de Bicêtre, havia 14 Napoleões.


    A ditadura militar e o mito do 'milagre' econômico, FSP

     por  Thales Zamberlan Pereira

    Doutor em economia pela FEA (Universidade de São Paulo) e professor da Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP).



    Entre as diversas formas com as quais idealizamos o passado, poucas são tão contraproducentes para o debate público brasileiro quanto a falsa dicotomia entre democracia e crescimento econômico. Central nesse debate é o mito do crescimento econômico durante a ditadura militar.

    Uma das definições de mito é a da ficção, uma meia verdade. Para o período militar, a meia verdade surge na narrativa que atribui ao regime o que não é do regime e desaparece com fatos que pertencem a ele.

    Historicamente, parte da diferença de taxa de crescimento entre países pode ser explicada pelo aumento da urbanização e pela redução na quantidade de filhos por casal. Quem procurar quais foram os países que mais cresceram nos últimos anos vai encontrar países de baixa renda, onde a população está deixando o campo e formando famílias menores. Como urbanização e transição demográfica ocorrem apenas uma vez, comparar taxas de crescimento entre países muito diferentes ou comparar o mesmo país em períodos históricos distantes é exercício que requer cuidado do analista.

    Para avaliar o crescimento econômico no governo militar, portanto, devemos comparar o Brasil com países que possuíam características semelhantes às nossas entre 1964 e 1984.

    Usando técnicas estatísticas para criar esse grupo, o aumento na renda durante a ditadura não foi maior do que a média dos países com renda semelhante que estavam se urbanizando e passavam pela transição demográfica. Sim, é verdade que o crescimento durante o “milagre” (1967-73) foi alto, mas o regime militar durou mais que meia dúzia de anos.

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    Políticas que buscavam crescimento a qualquer custo produziram um desastre após 1982, com estagnação econômica e dívida externa fora de controle. Além disso, políticas supostamente temporárias para controlar a inflação, como a correção monetária, multiplicaram-se em um ambiente não democrático e fizeram o Brasil ter a maior média de inflação entre os países atingidos pela crise da dívida da década de 1980.

    A crise econômica foi uma das justificativas para 1964. A promessa era colocar a “casa em ordem” e devolver o poder aos civis nas eleições de 1966, que nunca ocorreram. O resultado foi que o governo militar se encerrou com uma taxa de inflação maior do que aquela que recebeu: 92% em 1963, 235% em 1984. Aliás, se a comparação fosse válida, o crescimento do período militar foi semelhante ao verificado no período democrático de 1945-63 (a renda dobrou nos dois períodos).

    O crescimento na ditadura não ocorreu pela ausência da democracia. Esse é um mito que precisa ficar no passado.