sábado, 3 de abril de 2021

Rodrigo Zeidan -Pária mundial, FSP

 O Brasil está caminhando para virar um pária mundial. Pela primeira vez nos mais de dez anos em que trabalho fora do país, diplomatas, acadêmicos e empresários de outros países se referem ao Brasil com um misto de espanto, escárnio e até raiva, pois o governo federal coloca em risco a saúde global.

Como se pagar com a vida de nossos familiares não fosse caro o suficiente, vamos amargar por muito tempo, ainda, os prejuízos tanto no campo diplomático quanto comercial. Seremos colocados para escanteio em qualquer negociação multilateral e as empresas brasileiras perderão mercado.

Quando Hugo Chavez deu seu golpe na Venezuela, o presidente brasileiro o elogiou pela coragem de concentrar o poder. Pouco mais de vinte anos depois, o Brasil ruma firme e forte para virar uma Venezuela; empresas de lá exportaram, em 2019, antes da pandemia, somente 40% (U$14.7 bilhões) do que em 2000 (U$34.7 bilhões), primeiro ano completo de Chávez no poder.

Para as empresas brasileiras com poder de mercado ou que exportam produtos em escala que outros países não conseguem igualar, nada vai mudar muito. Mas para as quais os importadores têm opções, a demanda vai despencar: por que comprar de um país que é o celeiro de novas variantes de Covid-19 se há outras opções por aí?

Pior, relações comerciais não são frágeis, mas uma vez que se desfazem, é muito difícil recompô-las. Assim, se um importador tiver o costume de comprar de uma empresa brasileira, vai demorar para a empresa parar de comprar do Brasil, mas uma vez que isso é feito e um novo relacionamento é construído com um fornecedor de outro país, vai ser muito difícil para as empresas brasileiras reconquistarem o mercado perdido.

E os efeitos vão além do dano comercial. No passado, era só dizer que você é do Brasil que seu interlocutor abria um sorriso: “Futebol? Carnaval? Praia? Pelé? Neymar?” São raros os registros de brasileiros sendo maltratados no exterior por sua nacionalidade. Pelo contrário, o passaporte brasileiro sempre teve valor explícito, pela nossa política de reciprocidade, e implícito, pois brasileiros não sofrem discriminação em viagens de lazer e negócios (com raras exceções).

Mais ainda, um dos raros sucessos institucionais do Brasil esteve na sua diplomacia; o Brasil sempre se colocou como um país neutro em questões geopolíticas, sem assumir posições radicais nos conflitos globais desde a segunda guerra mundial (também, com raras exceções).

Escolhas como a de ser um dos países mais fechados do mundo para o comércio internacional sempre foram autônomas e mesmo com histórico de altíssimas barreiras comerciais, lideramos a OMC por sete anos. Historicamente, nossas participações em órgãos como Nações Unidas, Banco Mundial e outros sempre foram respeitadas. Não mais.

O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores que deixou o cargo no fim do mês passado - Marcos Corrêa/PR

O dano é muito mais profundo do que o causado pelo radicalismo do chanceler que se foi; a perda de reputação é real. Diplomatas tendem a separar governo e Estado, assumindo que governos ruins sejam temporários e danos possam ser revertidos. Mas como celeiro de novas variantes do mundo, veremos o mundo fechar a porta para famílias e empresas brasileiras. O que mais o presidente precisa fazer para que a sociedade não aceite tê-lo no poder?

O espanto mundial com suas atitudes já virou escárnio, e está se transformando em raiva. A imagem do Brasil já está se acabando. O presidente acaba com nosso presente. E futuro.


Shoppings pedem que Doria libere abertura e dizem que todo o país vai reabrir lojas, menos SP, FSP


SÃO PAULO

Após a prorrogação da fase emergencial, que fechou os shoppings em São Paulo, o setor vai voltar a reivindicar reabertura ao governo Doria.

Segundo a Abrasce, o único estado que vai manter shoppings fechados a partir da semana que vem é São Paulo.

Glauco Humai, presidente da Abrasce, diz que o setor está tentando conversar com o governo estadual para defender que o espaço de compras é seguro.

"Não temos evidência de que shopping fechado reduz a contaminação. Por outro lado, em alguns outros estados, mesmo com shopping aberto, o número de contaminados caiu", diz Humai.

Ele argumenta que o setor criou protocolos, campanhas, tecnologias e investiu milhões para adequar o ambiente dos shoppings à pandemia, mas os critérios de seleção do governo desconsideraram o esforço, enquanto outras atividades como hotelaria e igreja tiveram limitações menos duras na fase emergencial.

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"A seletividade de quem deve fechar e abrir não esta correta. Está prejudicando os setores que investiram pesadamente e seguiram as orientações para operar", diz.

Nas projeções de Humai, o desempenho do ano inteiro de 2021 já está comprometido pela pandemia.

"Estamos reivindicando essa abertura em SP. Não dá mais para ficar fechado. Entendemos a gravidade da situação, como é crítico. Mas confiamos que o shopping aberto com protocolos não altera do ponto de vista sanitário", afirma.

O governo de São Paulo diz que mantém o diálogo com as associações representativas dos setores, como os shoppings, e que a decisão de colocar os municípios na fase emergencial foi pautada pela ciência, com base no cenário da pandemia. O governo do estado afirma também que a gravidade atual do problema só foi atingida por falta de vacinas, que deveriam ter sido adquiridas pelo governo federal ainda em 2020.

"Contudo, o governo federal se recusou a reservar vacinas do Instituto Butantan, da Pfizer e de outras fabricantes no segundo semestre do ano passado, o que causou os atrasos atuais no programa de imunização", diz o governo do estado em nota. Diz ainda que, sem os imunizantes, a única solução para salvar vidas e evitar o colapso hospitalar são as medidas de distanciamento e restrição de circulação. "O pleno funcionamento da economia, sem o fechamento de grande parte dos comércios e serviços, depende diretamente da manutenção da saúde pública", afirma o comunicado.