quinta-feira, 16 de abril de 2020

Bolsonaro acusa Maia de conspiração e diz que atuação do presidente da Câmara é péssima, FSP

Presidente da República afirmou à CNN que 'parece que a intenção' do deputado é tirá-lo do cargo

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BRASÍLIA
O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), acusou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de conspirar para tirá-lo do Palácio do Planalto e qualificou como péssima a atuação do deputado.
"Parece que a intenção é me tirar do governo. Quero crer que esteja equivocado", disse Bolsonaro ao comentar a aprovação pela Câmara de um projeto de socorro aos estados.
A proposta determina que a União irá transferir R$ 80 bilhões, segundo cálculos de líderes partidários, por seis meses, como forma de compensação pelas perdas de ICMS (imposto estadual) e ISS (municipal) diante da crise econômica.
"Se isso tudo for aprovado, e outras coisas virão pela forma como está se comportando, vão matar a galinha dos ovos de ouro, que é o Brasil", afirmou.

​"Isso que o senhor está fazendo não se faz com o nosso Brasil. Lamento, mas não se faz com o Brasil. Isso é falta de patriotismo, falta de um coração verde e amarelo, falta de humanismo com este país maravilhoso que se chama Brasil", afirmou Bolsonaro.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o presidente da República, Jair Bolsonaro, durante sessão na Câmara dos Deputados em maio de 2019 - Marcelo Camargo - 29.mai.2019/Agência Brasil
O chefe do Executivo disse ainda que as medidas adotadas por Maia são escandalosas.
"Lamento muito a posição do Rodrigo Maia, que resolveu assumir o papel do Executivo", afirmou em entrevista à CNN Brasil. "Ele tem que me respeitar como chefe do Executivo."
"Qual o objetivo do senhor Rodrigo Maia? Resolver o problema ou atacar o presidente da República? O sentimento que eu tenho é que ele não quer amenizar os problemas. Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca", disse Bolsonaro.
O presidente da República reclamou de falta de diálogo da parte de Maia e afirmou que o presidente da Câmara "está conduzindo o país para o caos".
"Não temos como pagar uma dívida monstruosa que está aí, não temos recurso. Qual a intenção? É esculhambar a economia para enfraquecer o governo para que eles possam voltar em 2022?​

"Ele sabe que está errada a posição dele", disse. "Péssima a sua atuação."
Bolsonaro insinuou outros interesses da parte de Maia, mas não detalhou. "A gente sabe seu tipo de diálogo. Este diálogo não vai ter comigo."
"O Brasil não merece o que o senhor Rodrigo Maia está fazendo com o Brasil. O Brasil não merece a atuação dele dentro da Câmara", disse Jair Bolsonaro.
Pouco depois, Maia rebateu as acusações, também em entrevista à CNN Brasil. O deputado afirmou que Bolsonaro usou “um velho truque da política” de trocar a pauta para tentar desviar a atenção da demissão de Mandetta.
Ele disse ainda que busca evitar que se repita no Brasil o mesmo que está acontecendo nos Estados Unidos, na Espanha e na França, onde o número de mortos pela Covid-19 subiu muito nas últimas semanas.
“Independente de questões políticas, nunca deixei de dialogar com quadros técnicos de ninguém”, afirmou. “Agora, também não podemos aceitar que apenas uma visão de Brasil sobre a crise prevaleça. O que prevalece é o diálogo”, afirmou.
Maia também afirmou que o governo politiza as decisões do Legislativo, mesmo as que favorecem o Executivo, mas descartou retaliações. “Não há nenhuma intenção da Câmara de prejudicar o governo, de enfrentar o governo. Queremos sentar na mesa com urgência com pautas preestabelecidas”, afirmou.
“O presidente não vai ter de mim ataques. Ele pode atacar, ele joga pedra e o Parlamento vai jogar flores para o governo federal.”

PEDRO DORIA Bolsonaro não está nem aí para a privacidade, OESP

Tem ruído na linha no debate sobre a privacidade digital. O ruído não nasce de incompreensão, nasce de desinformação proposital. E foi posto ali não por acidente, mas para boicotar a quarentena. O presidente da República, Jair Bolsonaro, mandou que o Ministério da Ciência e Tecnologia interrompesse uma ação em conjunto com as operadoras de telefonia celular para monitorar o fluxo de pessoas pelo País. O custo de não ter estas informações será pago em vidas. Impressiona que tenha ocorrido na mesma semana em que Apple e Google, rivais de morte, tenham anunciado um ousado produto feito em conjunto justamente para dar mais informação que permita controle da pandemia.
O acordo do ministério com as operadoras era simples. Elas passariam dados sobre localização geográfica dos aparelhos celulares. Não é complexo: todo mundo anda com um smartphone no bolso, mesmo que simples. Este aparelho sabe onde está e constantemente passa a informação para as operadoras. É esta possibilidade que permite a apps como Waze e Google Maps que informem sobre o trânsito – afinal, sabem quanto tempo está demorando para andar um quilômetro em qualquer rua.
A preocupação tem um quê de cínica para um presidente que chegou ao Planalto querendo montar uma Abin particular. 
O argumento de Bolsonaro é igualmente simples. Diz que é preciso ter certeza de que a iniciativa não viola a privacidade de cidadãos. A preocupação tem um quê de cínica para um presidente que chegou ao Planalto querendo montar uma Abin particular. Mas não é acidental. Faz duas semanas que o gabinete do ódio tem metralhado o governador paulista João Doria por uso do mesmo recurso para acompanhar como anda o isolamento social no Estado.
Ameaça à privacidade existiria se os donos de cada celular fossem identificados. Porque, aí, o Estado estaria literalmente acompanhando por onde cada cidadão anda. É o que a China faz. Aliás, não só ditaduras. Israel também tem feito isto. Mas, no Brasil, não há ninguém fazendo nada do tipo. Não há um único indivíduo sendo espionado por governo nenhum. (Quer dizer: a não ser que a Abin o esteja fazendo. Só que aí não tem a ver com esta iniciativa.)
Esta pandemia é muito complexa e seu combate depende de informação. Por exemplo, sobre qual o nível de respeito à quarentena. Saber que há muita gente circulando permite a governadores e prefeitos que se preparem para o impacto na rede hospitalar em 15 dias. Informação que vem de testes massivos também ajuda – é para se ter uma compreensão massiva do nível de infecção na sociedade. Informação sobre para quem as pessoas contaminadas podem ter passado o vírus, idem. Para que o combate possa ser mais ágil e quem é suspeito de ter a doença possa se resguardar antes de passar para outros.
A parceria de Apple Google quer atacar este último elemento. As duas incluirão em iPhones e Androids um recurso que permitirá criar apps para informar que você esteve faz pouco tempo em contato com alguém positivo. As duas empresas terem entrado no jogo é a garantia de que um recurso assim poderá existir com o máximo de resguardo possível à privacidade de todos. É o melhor de dois mundos: quem está doente não é identificado, quem esteve perto é informado de que há risco.
Uma democracia liberal se constrói na eterna tensão entre os direitos do indivíduo e os da sociedade. Ambos importam e os conflitos que surgem deste atrito ocorrem toda hora. Defender privacidade, no tempo digital, é fundamental. Salvar a maior quantidade de vidas possível não é incompatível. Dá para fazer. Fingir que não dá é que é grave. É irresponsável. E gente vai morrer por causa disso.