quinta-feira, 16 de abril de 2020

Quem é Nelson Teich, novo ministro da Saúde do governo Bolsonaro, OESP

Bruno Nomura, O Estado de S.Paulo
16 de abril de 2020 | 16h24

Nelson Teich é o escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde. O oncologista substitui Luiz Henrique Mandetta, que deixa a pasta após semanas de embates públicos com o presidente.
Nelson Luiz Sperle Teich é formado em Medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), especialista em oncologia pelo Instituto Nacional do Câncer e doutor em Ciências e Economia da Saúde pela Universidade de York, no Reino Unido. 
Fundou e presidiu o Grupo Clínicas Oncológicas Integradas (COI) entre 1990 e 2018. Foi consultor da área de saúde da campanha de Bolsonaro à Presidência em 2018. Chegou a ser cotado ao Ministério da Saúde à época. Atualmente é sócio da Teich Health Care, uma consultoria de serviços médicos.
O oncologista conta com apoio da classe médica e mantém boa relação com empresários do setor da saúde. A expectativa é de que Teich traga dados que destravem debates “politizados” sobre a covid-19.
Oncologista Nelson Teich, novo ministro da Saúde de Bolsonaro
Oncologista Nelson Teich, novo ministro da Saúde de Bolsonaro Foto: Reprodução/Oncologia Brasil
Segundo seu perfil no LinkedIn, atuou como conselheiro e consultor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, atualmente comandada por Denizar Vianna.
Vianna e Teich já foram sócios e têm uma relação de proximidade. Nesta quinta-feira, 16, Mandetta sugeriu que Vianna poderia até compor a próxima gestão da pasta. O atual ministro não mencionou o nome de Teich, mas afirmou que o oncologista é um bom pesquisador, embora não conheça o SUS.
Em um artigo publicado em 3 de abril no LinkedIn, o médico critica a “polarização” entre a saúde e a economia. “Esse tipo de problema é desastroso porque trata estratégias complementares e sinérgicas como se fossem antagônicas. A situação foi conduzida de uma forma inadequada, como se tivéssemos que fazer escolhas entre pessoas e dinheiro, entre pacientes e empresas, entre o bem e o mal”, escreveu. 
Teich não é defensor do isolamento vertical, em que apenas idosos e pessoas com doenças graves são colocadas em quarentena. O modelo é defendido por Bolsonaro e foi um dos principais fatores de desgaste entre o presidente e o ministro Mandetta, que apostou no isolamento horizontal.

Qual é a opinião de Nelson Teich sobre o isolamento vertical?

Nelson Teich publicou três artigos sobre o coronavírus em sua página pessoal no LinkedIn. No texto mais recente, de 2 de abril, o oncologista defende o isolamento horizontal como a “melhor estratégia no momento” no combate à pandemia. 
“Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da covid-19, e com a possibilidade do Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento. Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país”, escreveu Teich.
Teich vê “fragilidades” no isolamento vertical, modelo defendido por Bolsonaro em que apenas idosos e pessoas com doenças graves ficariam em quarentena. O médico ressalta, no entanto, que nenhum dos modelos seria o ideal e defende um “isolamento estratégico”.
“Estamos falando aqui do uso de testes em massa para covid-19 e de estratégias de rastreamento e monitorização, algo que poderia ser rapidamente feito com o auxílio das operadoras de telefonia celular”, afirmou.

Qual é a opinião de Nelson Teich sobre a cloroquina?

Em um dos textos no LinkedIn, o oncologista menciona a cloroquina como uma esperança no tratamento da doença, mas não se posiciona sobre a forma como a substância deve ser usada.
Em 2016, em entrevista ao site Medscape, Teich criticou a liberação da venda da fosfoetanolamina, que ficou conhecida como a “pílula do câncer”, mas disse que o uso de substâncias sem eficácia comprovada é um direito do paciente.
“É uma decisão política e populista que quebra um processo estruturado de avaliação de medicamentos. Uma coisa, porém, precisa ficar clara: você, como médico, está lá para orientar o paciente. Se ele quer fazer uso da substância é um direito dele. (...) Usar algo que não tem comprovação científica é uma escolha individual”, afirmou o oncologista.
Teich, no entanto, defende que o custo da aquisição de um medicamento sem comprovação científica deve ser arcada pelo paciente.

O que os médicos na linha de frente gostariam de ter sabido há um mês, OESP- NYT

Jim Dwyer, The New York Times
16 de abril de 2020 | 14h00

Há cerca de um mês, pessoas afetadas pelo novo coronavírus começaram a chegar em números cada vez maiores nos hospitais da região metropolitana de Nova York, centro da pandemia nos Estados Unidos. Agora, os médicos da área começaram a compartilhar relatos de como tem sido o processo de recriar, no calor do momento, seus sistemas de saúde, sua forma de praticar a medicina e suas vidas pessoais. Se pudessem voltar no tempo até o início de março, o que esses médicos diriam a si mesmos? “Na verdade não sabemos aquilo que pensávamos saber", disse Nile Cemalovic, médico da terapia intensiva do Centro Médico Lincoln, no Bronx.
A medicina se reescreve com regularidade, geração a geração. Diante da doença que causa essa pandemia, alguns procedimentos de emergência há muito consagrados se dissolveram quase da noite para o dia. A maior mudança está na sedação: em vez de sedar rapidamente pessoas com baixíssima oxigenação do sangue e entubá-las com os respiradores mecânicos, muitos médicos agora preferem manter os pacientes conscientes, mudando de posição na cama e nas cadeiras reclináveis, fazendo com que sigam respirando sozinhas - com oxigênio adicional - enquanto for possível.
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Médica na UTI do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Foto: Silvio Avila/ AFP
A ideia é tirá-los da posição deitada, possibilitando que o pulmão se expanda mais. Alguns médicos tentam até colocar os pacientes em colchões especiais de massagem destinados a gestantes, pois o equipamento reduz o peso suportado pelo abdômen e o peito. Outros médicos estão alterando as máquinas de CPAP, normalmente usadas para ajudar na respiração de pessoas com apneia do sono, ou improvisando aparelhos com válvulas e filtros. Para os pacientes em estado mais crítico, o respirador pode ser a única esperança real.
Há também a questão do espaço necessário dentro dos edifícios e da cabeça das pessoas. De uma hora para outra, vastos saguões, recepções e refeitórios foram convertidos em alas hospitalares; antes raramente usada, a tecnologia de telemedicina decolou subitamente, e os médicos realizam agora conferências ao lado do leito do paciente com parentes geograficamente espalhados; médicos se obrigam a se distanciar fisicamente e emocionalmente dos campos de batalha onde o adversário nunca respeita o cessar-fogo no qual o restante da sociedade entrou.
Mais de 12 mil pessoas morreram em decorrência do novo coronavírus em Connecticut, Nova Jersey e Nova York, onde há mais de 260 mil casos confirmados. É quase certo que esses números sejam inferiores à dimensão real de contaminados e mortos, pois os testes de casos suspeitos e daqueles que já vieram a óbito ainda são pouco confiáveis.
Os médicos da região de Nova York não descobriram uma maneira garantida de combater a covid-19 — a doença causada pelo vírus — e ainda não tiveram tempo suficiente para determinar o resultado dos improvisos no médio prazo, avaliou Anand Swaminathan, professor-assistente de clínica de emergência do Centro Médico da Universidade St. Joseph’s, em Paterson, Nova Jersey. 
Ninguém sabe se as gambiarras serão sustentáveis. “Acredito que teremos muitas respostas em alguns meses", afirmou Reuben Strayer, médico da ala emergencial do Centro Médico Maimonides, no Brooklyn. “Infelizmente, isso não nos ajuda agora. Temos que começar em algum lugar.”

Espaço para respirar

“Nunca antes tive que pedir a um paciente que desligasse o celular porque era hora de entubá-lo com o respirador", lembrou Richard Levitan, que recentemente passou 10 dias no Centro Hospitalar Bellevue, em Manhattan. Por que a surpresa? Os pacientes que precisam ser entubados para a instalação do respirador mecânico que auxilia ou até controla a respiração raramente estão em condições de falar ao telefone, pois a oxigenação do seu sangue caiu vertiginosamente.
Quando estão conscientes, frequentemente balbuciam palavras incoerentes enquanto são preparados para a sedação, para assim não engasgarem com a instalação dos aparelhos. É uma medida drástica. Mas muitos pacientes com a COVID-19 permanecem alertas, mesmo diante de uma queda acentuada na oxigenação, por motivos que os funcionários de saúde não sabem explicar ainda (outro sinal importante da gravidade do quadro de um paciente com covid-19 — a presença de indicadores de inflamação no seu sangue — só fica disponível aos médicos depois de exames laboratoriais).
Ao receber oxigênio e mudar de posição, alguns pacientes voltaram ao normal rapidamente. É uma tática de suporte pronado. Os médicos do Centro Médico Montefiore, no Bronx, e do Centro Médico Mount Sinai, em Manhattan, descreveram a situação no Twitter; um panfleto é afixado ao lado dos leitos no Centro Hospitalar Elmhurst, no Queens, orientando os pacientes quanto à frequência com que devem mudar de posição.
No Hospital Lincoln, no Bronx, Nicholas Caputo acompanhou 50 pacientes que chegaram com baixa oxigenação no sangue, entre 69% e 85% (o normal é 95%). Depois de cinco minutos de pronação, eles recuperaram em média o nível de 94%. Ao longo das 24 horas seguintes, quase três quartos deles conseguiram evitar a entubação; 13 precisaram do respirador. A pronação parece não funcionar tão bem nos pacientes mais velho, de acordo com uma série de médicos.
Ninguém sabe ainda se essa será uma solução duradoura, disse Caputo, mas, se pudesse voltar ao início de março, o recado dele para si e para os demais seria: “Não tenham pressa em entubar".
O número total de pacientes entubados aumenta agora ao ritmo de 21 por dia, uma queda em relação aos cerca de 300 entubados diários no início de março. A necessidade de respiradores mecânicos continua urgente, mas é menos drástica do que previu a comunidade médica um mês atrás.
Uma das razões para isso é que, contrariando as expectativas, um número de médicos dos hospitais de Nova York acreditam que a entubação ajuda menos pacientes com covid-19 do que os pacientes com outras doenças respiratórias, e o uso prolongado desses ventiladores leva a outras complicações sérias. A questão está longe de ser decidida. “Os pacientes entubados com a doença pulmonar causada pelo novo coronavírus apresentam quadro muito ruim, e embora isso seja provavelmente decorrência da doença, e não da ventilação mecânica, a maioria de nós acredita que a entubação deve ser evitada até o momento em que se torne inequivocamente necessária", recomendou Strayer.
Essa mudança reduziu a carga para a equipe de enfermagem e o restante do hospital. “Quanto entubamos um paciente", disse Levitan, “o esforço e trabalho necessários para evitar que a pessoa morra aumenta 100 vezes", criando um efeito cascata que atrasa os resultados laboratoriais, os exames de raios-X e outros procedimentos.
Josh Farkas, especialista em tratamento intensivo e pulmonar pela  Universidade de Vermont, afirma que os riscos da pronação são baixos. “Trata-se de uma técnica simples, segura e relativamente fácil de aplicar". “Comecei a aplicá-la alguns anos atrás em pacientes ocasionais, mas nunca imaginei que se tornaria tão difundida e útil", disse. Foi como reconstruir o motor de um carro viajando a 150 km/h. “Não me surpreenderia se, em questão de algumas semanas, alguém no país desenvolver uma maneira melhor de tratar esses quadros", enfatizou Swaminathan. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Globo muda regra editorial e exibe marcas no Jornal Nacional, M&M

Na noite dessa terça-feira, 14, a apresentadora do Jornal Nacional, Renata Vasconcellos, anunciou aos espectadores que a matéria que seria exibida na sequência seria um pouco diferente daquilo que o público está habituado a ver. A jornalista salientou que, pelas regras de jornalismo, a emissora nunca revela os nomes das empresas que aparecem em suas reportagens, mas que mudaria a regra para a exibição do quadro Solidariedade S/A.
Com mais de dez minutos de duração, a reportagem apresentou o projeto que será exibido diariamente no telejornal e que visa mostrar as ações de empresas em prol do combate à pandemia da Covid-19. A proposta é dar visibilidade às iniciativas do universo corporativo que, de diferente formas, buscam auxiliar a sociedade nesse período.
Na reportagem de estreia do quadro, a emissora mencionou os nomes de Itaú-Unibanco, Bradesco, Santander, Sírio Libanês, Rede D’Or, Lojas Americanas, Banco Safra, Sul-América, Qualicorp, BRF, Banco do Brasil, Banco BV, iFood e ouviu porta-vozes dessas empresas, que explicaram as iniciativas e projetos criados. A partir desta quarta-feira, 15, o quadro do Jornal Nacional terá sempre dois minutos de duração e será apresentado quando houver novas notícias sobre iniciativas solidárias.
O veto aos nomes de marcas empresas é uma tradição do jornalismo da Globo. Sempre que algum empresário ou funcionário de alguma companhia é mostrado, o jornalismo da casa identifica o nome da fonte, mas não o da empresa. Historicamente, a regra foi criada para manter a isenção editorial e não dar visibilidade comercial às empresas.
Questionada pela reportagem, a Globo afirma que o quadro Solidariedade S/A é uma iniciativa editorial, sem qualquer vínculo com a área comercial, e que foi criada pela importância de mostrar a mobilização das pessoas e empresas para enfrentar esse período. Veja, abaixo, a nota da emissora, na íntegra:
O quadro Solidariedade S.A. foi criado para valorizar as ações que as empresas estão fazendo para ajudar no combate ao novo Coronavírus. A pandemia provocou uma infinidade de ações solidárias no Brasil: de cidadãos e de empresas. Os exemplos de cidadãos solidários, o Jornal Nacional já mostrava quase todo dia, com nome e sobrenome. Já as iniciativas das empresas eram apresentadas sem mencionar as marcas. O Jornal Nacional mudou isso, porque a TV Globo acredita que, para superar um desafio tão grande, é importante mostrar o que muitas empresas e empresários têm feito nesse período. O telejornal vai dedicar dois minutos de cada edição ao quadro Solidariedade S.A., sempre que houver novidade para contar o que as empresas e empresários estão fazendo para ajudar no combate à pandemia”