quinta-feira, 16 de abril de 2020

Mariliz Pereira Jorge A burrice saiu do armário, FSP

Num país tão desigual, vemos burrice em todas as classes sociais

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Depois de resolvermos a crise de saúde que vivemos, o país precisa correr atrás de um remédio para erradicar um outro problema gravíssimo: o da burrice. Ao chamar Jair Bolsonaro de burro, meu colega Hélio Schwartsman disse com todas as letras algo que tive pudores em outras ocasiões. Contive minhas críticas em ignorante, obtuso, ignóbil. Mas o presidente é isso mesmo, burro.
Seria trágico o bastante que um sujeito tão limitado tivesse chegado à Presidência, não fosse o agravante de ser assessorado por gente do mesmo naipe. Quem acompanha as declarações de alguns de seus ministros, como Weintraub e Ernesto Araújo, do Mister Fim do Isolamento, Osmar Terra, do filho aspirante a embaixador e de mais uma dúzia de parlamentares do PSL, não tem a menor dúvida. São todos burros.
E há outro fato que a eleição de Bolsonaro pode confirmar: nossa educação é mesmo uma desgraça, como já suspeitávamos. Mas o empoderamento dos burros em cargos públicos, nos meios de comunicação alternativos e nas redes sociais permitiu que a burrice saísse do armário e revelasse que parte dos brasileiros só precisa ficar de quatro para começar a pastar.
O que explica uma moça afirmar que água tônica tem quinino, "princípio da cloroquina", sugerindo que serve de tratamento para a Covid-19? Burrice. E um comunicador comparar mortes pelo vírus com a quantidade de vítimas por engasgamento? Burrice. E a teoria de que o coronavírus teria sido criado para vender remédio? Burrice. E mais esta: um deputado questionar a eficiência do isolamento por que maridos e mulheres se abraçam e beijam seus filhos? Burrice.
No meio disso tudo, uma constatação surpreendente e preocupante. O Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, no quesito burrice vive em condições de igualdade. Tem gente burra em todas as classes sociais.
Mariliz Pereira Jorge
Jornalista e roteirista de TV.

Rastro de morte do coronavírus deixa um mundo de perguntas sobre a vida, Roberto Dias, FSP

As pessoas cuidarão melhor de sua saúde? Vão se abraçar e se beijar como antes?

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Viveremos em distanciamento social por mais dois anos, como estima estudo publicado na revista Science? Sendo assim, o impacto do coronavírus será ainda maior do que imaginado? O que isso significa?
As pessoas cuidarão melhor de sua saúde? Vão se abraçar e se beijar como antes?
Alguém voltará a ir ao cinema? O teatro sobreviverá? E os shows de música: todo mundo se sentirá confortável em se apertar diante dos palcos? Os esportes em estádios vão perder espaço para os e-sports?
Vista interna do teatro Bolshoi
O teatro Bolshoi, em Moscou, que lançou projeto de apresentações online durante a pandemia - Evgenia Novozhenina - 27.mar.2020/Reuters
As pessoas passarão mais tempo em casa? Se sim, vão procurar imóveis maiores? Cozinharão mais e pedirão mais comida pronta? Os restaurantes vão ficar mais vazios? Os shoppings algum dia receberão de novo todos aqueles visitantes? Ou o comércio online tomará de vez a preferência dos compradores?
E, se o acima acontecer: o trânsito nas metrópoles vai diminuir?
As empresas de tecnologia ficarão ainda mais poderosas? O trabalho e o ensino a distância decerto ganharão espaço; mas quão diferentes eles serão? E, muito importante para quem tem filhos pequenos: as crianças vão entender que precisam escutar os professores na tela?
Falando em comunicação: a troca de mensagens por escrito evoluirá a ponto de transmitir com menos imprecisão a infinidade de nuances e emoções de uma conversa ao vivo?
As pessoas terão mais empatia? Mais preocupação com desigualdade social? Serão mais caridosas?
O investimento em ciência vai aumentar? As palavras de especialistas ganharão peso?
Haverá menos cooperação internacional? O pêndulo global vai se deslocar ainda mais para o Oriente?
A visão sobre o papel do Estado na economia mudará? O mercado de ações continuará a ganhar investidores após o tombo? Quais empresas e empregos jamais voltarão a existir? Que novas oportunidades de negócio esse novo mundo apresentará?
Estaremos aqui para ver essas respostas?
Roberto Dias