quarta-feira, 15 de abril de 2020

Rubem Fonseca, criador de livros precisos e brutais, morre aos 94 anos, FSP

Escritor publicou clássicos da literatura brasileira, como 'A Grande Arte' e 'Feliz Ano Novo'

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O escritor Rubem Fonseca em uma de suas raras aparições públicas, quando recebeu prêmio da Academia Brasileira de Letras, em 2015
O escritor Rubem Fonseca em uma de suas raras aparições públicas, quando recebeu prêmio da Academia Brasileira de Letras, em 2015 - Ricardo Borges/Folhapress
SÃO PAULO
O escritor Rubem Fonseca, autor de clássicos como "O Cobrador" e "A Grande Arte", morreu na tarde desta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro, aos 94 anos. Ele teve uma parada cardíaca, informou o Hospital Samaritano, onde o autor foi atendido.
Conhecido por sua reclusão —e consequente recusa a dar entrevistas—, a Rubem Fonseca normalmente é a atribuída a fundação de uma nova era na ficção nacional, que se tornou mais urbana depois dele. Com os livros do autor, também chega ao país uma influência mais direta da literatura dos Estados Unidos, além da linguagem cinematográfica.
Com livros marcados pela linguagem afiada e pela violência, Zé Rubem, como era chamado pelos amigos, publicou principalmente histórias policiais, mas era um dos autores que levava gênero —muitas vezes associado ao mero entretenimento— à alta qualidade literária.
Sua histórias, nos contos ou romances, contavam muitas vezes com personagens do submundo, como prostitutas e cafetões. Seu senso de ironia conseguia torná-las ainda mais perturbadoras.
Quando estreou na literatura, nos anos 1960, com a coletânea de contos "Os Prisioneiros", sua literatura chegou a ser descrita como brutalista. O autor se tornou, por décadas, um dos poucos autores nacionais de ficção a ser um best-seller livro após livro. Ele publicou outras obras seminais da literatura urbana brasileira, como os romances "O Caso Morel" e "A Grande Arte" ou os contos de "A Coleira do Cão" e "Lúcia McCartney".
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José Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora (MG), em 1925, viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro —e, mesmo recluso, se tornou, um dos personagens da cidade. Morador do Leblon, não era incomum vê-lo levemente disfarçado em caminhadas matinais, com boné e óculos escuros.
Sua reclusão gerou anedotas. Por exemplo, há a história clássica de um repórter de TV que, cobrindo a queda do Muro de Berlim, em 1989, resolve entrevistar um brasileiro que por ali passava. Aos ser questionado sobre seu nome, o tal brasileiro responde: "José Rubem". O jornalista conversa com o escritor sem se dar conta de sua real identidade.
O lançamento de "Feliz Ano Novo", em 1975, e proibição posterior geraram uma das polêmicas mais rumorosas envolvendo um escritor no regime militar. O livro trazia cinco contos com o estilo que consagrou Fonseca, com os personagens urbanos e do submundo dos quais ele gostava de tratar, como um milionário que atropela pessoas de noite.
A obra já tinha saído há um ano e sido um best-seller quando a ditadura o proibiu, acusando o autor de atentar contra a moral e os bons costumes. Fonseca processou a União, mas o livro só voltaria às prateleiras em 1985, com a reabertura.
Advogado de formação, ele foi policial nos anos 1950, experiência que alimentou sua literatura. Em 1995, a Folha fez uma pesquisa de dois meses nos arquivos da polícia do Rio de Janeiro além de ter colhido depoimentos de seis policiais que trabalharam com ele. O caso de uma vaca vítima de um atropelamento que é devorada por pessoas famintas, narrado em "Relato de Ocorrência", conto de "Lúcia McCartney", por exemplo, é inspirado numa história real —o caso aconteceu em 1953, quando Fonseca trabalhava no 24º Distrito Policial, em Madureira, zona norte do Rio.
Em 5 de agosto de 1954, já perto da meia-noite, o ainda policial tomava um copo de leite perto da rua Toneleros, em Copacabana. Foi por pouco que não viu o tiro que Carlos Lacerda sofreu naquela rua, atentado que foi o início da crise política que terminaria com o suicídio de Getulio Vargas. Fonseca e seus colegas policiais chegaram a ir para o local descobrir o que tinha acontecido, mas foram dormir na sequência. A morte de Vargas é o pano de fundo do romance histórico "Agosto".

Covid-19: informação com transparência e agilidade, FSP



s fake news são uma das faces mais sombrias desta pandemia



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Vanderlei FrançaRicardo Liguori
A crise do novo coronavírus é a primeira pandemia das mídias sociais extremamente ativas. Mensagens de WhatsApp surgem a todo instante em nossos aparelhos celulares, com informações duvidosas ou novas “verdades absolutas” sobre a Covid-19. Nesses momentos, a comunicação com transparência e agilidade faz a diferença, e é fundamental para salvar vidas.
As fake news, junto com as mais de 34 mil mortes contabilizadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em todo o planeta até 30 de março, são uma das faces sombrias e negativas desta pandemia.
Se há um lado positivo neste cenário, novo para todos nós, é a grande mobilização dos profissionais de comunicação para levar informação de qualidade aos cidadãos, de forma transparente, ética e comprometida. Um trabalho sério e coerente.


Reprodução da postagem que conta a fake news
Fake news "do borracheiro" é usada para desacreditar números de casos coronavírus - Reprodução
A pandemia uniu ainda mais os profissionais da imprensa na busca incansável pela informação junto às autoridades oficiais de saúde e a especialistas confiáveis —médicos, cientistas, epidemiologistas—, que vêm concedendo entrevistas à exaustão sobre o novo coronavírus.
Conforme recente pesquisa Datafolha, programas jornalísticos de emissoras de televisão e os jornais impressos lideram o índice de confiança da população quando o assunto é a Covid-19. Os que confiam em informações de WhastApp e do Facebook são bem menos. É a prova de que, quando o assunto é sério como esta pandemia, os veículos da imprensa profissional têm ainda mais relevância.
Desde o primeiro caso de coronavírus registrado no estado de São Paulo, o governo paulista intensificou sua comunicação sobre a doença em diferentes canais. Foi criado um Centro de Contingência para o Coronavírus, liderado pelo infectologista David Uip, que reúne experts de diferentes instituições.

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As deliberações desse Centro de Contingência se transformam em medidas que têm sido imediatamente anunciadas nas coletivas de imprensa. Os integrantes do comitê estão à inteira disposição para atender prontamente aos veículos de comunicação.
Diariamente, um boletim é disponibilizado à imprensa com a atualização de casos e de óbitos. O governo do Estado tem investido em campanhas de comunicação, e o trabalho de monitoramento e combate às fake news é extenuante, 24 horas por dia, sete dias por semana. A Secretaria de Comunicação tem feito um trabalho irretocável.
Com a união de esforços, estamos conseguindo conscientizar os paulistas, que estão em suas casas, protegendo-se a si e aos demais.
A verdade precisa, mais do que nunca, prevalecer. Por isso é imprescindível informar, de forma clara, ágil, proativa e transparente, sem medo. No geral, as pessoas entenderam o recado. Quem pode, está e deve ficar no seu domicílio. Há ainda muito chão pela frente. A boa comunicação tem ajudado nessa verdadeira operação de guerra.
Vanderlei França
Jornalista, é coordenador de comunicação do Centro de Contingência do Coronavírus do governo de São Paulo e diretor-presidente da VFR Comunicação
Ricardo Liguori
Jornalista, é gerente de planejamento e estratégia da VFR Comunicação