quarta-feira, 15 de abril de 2020

MAURÍCIO BENVENUTTI Conduta para momentos de crise- OESP

Crises fazem com que processos históricos avancem rápido. Decisões que antes demoravam meses em deliberação passam a ser aprovadas em horas. Da noite pro dia, verdades não são mais verdades, paradigmas se desfazem, costumes desaparecem. Populações inteiras precisam fazer escolhas em meio a incertezas e imprevisibilidades, sem saber como será o amanhã. A covid-19 trouxe a necessidade da sociedade viver como um empreendedor, sem mapa para guiar caminhos, sem estabilidade para planejar ações.
Como adulto, essa é a segunda turbulência que atravesso. Na primeira, em 2008, eu era sócio de uma instituição financeira. Nossa atitude ao longo daquela crise foi o gatilho para a construção de uma operação muito mais sólida nos anos seguintes. Entre quatro condutas que adotamos:
1) Custos: numa pandemia como essa, você não pode ter romances com seus mimos. O que é dispensável, elimine. Mesmo que sejam valores insignificantes. Muitas vezes, despesas imperceptíveis somam quantias enormes. Economizar pode significar meses de vida lá na frente, principalmente aos pequenos negócios. Em 2008, por exemplo, trocamos o papel-toalha dos banheiros por ar quente. Se há como economizar, essa é a hora de cortar.
Novos tempos serão difíceis e pedem cautela
2) Expandir em vez de contrair: em geral, as coisas não mudam numa empresa porque existe o custo de oportunidade. Ao se desfocar das atividades que você domina para tentar algo novo, sempre há riscos envolvidos. Mas em tempos adversos essas atividades regulares tendem a ser muito impactadas. Vendas podem diminuir ou parar. Por isso, aproveite o momento para produzir coisas diferentes capazes de expandir o que você já faz. A adoção dessa conduta poderá construir soluções que não existiam antes da crise começar.
3) Se preocupe com o que vem aí, não em proteger o que você tem: numa tempestade, o que a maioria das companhias oferece se torna menos demandado. Por isso, não há razão para erguer um muro e proteger seus serviços rotineiros quando pouca gente se interessa por eles. É imprudência enxergar o ensino à distância decolar e seguir protegendo seu negócio de educação presencial que está fechado. Faça o contrário, olhe para frente e observe os próximos passos da sua indústria.
4) Siga o dinheiro: o pânico faz a sociedade conter gastos. Assim, saiba para onde o recurso das pessoas está indo, o que elas estão comprando, que bens estão adquirindo. Entretenimento online, delivery, educação à distância, materiais para home office, conteúdos de higiene pessoal... É só dar um Google para ver os itens mais consumidos hoje. Busque executar as etapas 2 e 3 de acordo com o movimento de compras da sociedade.
Assim como o mundo mudou após 2008, a dinâmica de trabalho pós-coronavírus também mudará. Esteja preparado.
É SÓCIO DA EMPRESA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA STARTSE

Mesa Diretora do Senado declara perda de mandato de Juíza Selma, OESP

Rafael Moraes Moura e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo
15 de abril de 2020 | 13h06


BRASÍLIA - A Mesa Diretora do Senado oficializou a perda do mandato da senadora Juíza Selma (Podemos-MT), cassada pela Justiça Eleitoral, após quatro meses do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão foi tomada por cinco votos a um no colegiado do Senado e será comunicada ao plenário ainda nesta quarta-feira, 15.
Senado não tem data para tirar Juíza Selma do cargo
Mesa Diretora do Senado oficializou a perda do mandato da senadora Juíza Selma (Podemos-MT), cassada pela Justiça Eleitoral. Foto: Dida Sampaio/Estadão
O único voto favorável à parlamentar veio do 2º vice-presidente da Casa, Lasier Martins (Podemos-RS), colega de partido de Selma. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), não votou. Para a senadora ser efetivamente afastada, a decisão precisa ser comunicada ao plenário e publicada em diário oficial.
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Selma foi cassada pelo TSE em dezembro e, como o Broadcast Político mostrou, ganhou uma sobrevida de quatro meses no cargo. Nesse período, seguiu recebendo salários e os demais benefícios da função. A senadora ganhou o apelido de "Moro de saia" por ter sido juíza em Mato Grosso. Cassada por caixa 2 e abuso de poder econômico na campanha, Selma admitiu que realizou os gastos, mas alegou que não era obrigada a declarar as despesas no período.
Na reunião da Mesa do Senado, Lasier Martins apresentou um pedido de vista do processo - mais tempo para análise - argumentando que houve um julgamento fora do padrão na Justiça Eleitoral. Além disso, o parlamentar argumentou que a Mesa não poderia se reunir virtualmente. Pelo mesmo placar, o adiamento foi negado.
"É preciso atenção para o casuísmo do processo. Diferentemente de dezenas de políticos poderosos já com denúncia no Supremo e com processos parados, a senadora Selma foi magistrada, colocou grandes personagens da política mato-grossense na cadeia, inclusive governador, e por discriminação ou vingança teve um processo ultra rápido", afirmou Lasier Martins ao comentar a decisão.

Antonio Delfim Netto Acorda, presidente, FSP

Bolsonaro recusa toda a evidência empírica

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O presidente recusa toda a evidência empírica e aceita, sem análise crítica, as diferenças identitárias que são próprias da natureza humana. Venceu as eleições ajudado por uma mensagem simples e forte: "vamos mudar tudo o que está aí". Com ela e alguma ajuda da tecnologia, somada a um acidente aleatório (uma facada) que, com o apoio da sociedade, o poupou dos corrosivos debates em que teria de explicar como realizaria a mudança, venceu o "establishment" político sem ter de enfrentá-lo.
A partir da posse, com a pior Casa Civil de toda a história da República, pôs os pés pelas mãos, o que resultou em perigosas dúvidas sobre a sua crença no Estado democrático de Direito, imposto pela Constituição de 1988.
Mesmo não aceitando nenhuma das evidências empíricas, Bolsonaro não pode e não deve ignorar que a confiança que recebeu da sociedade que o elegeu parece estar se dissipando. Ainda que veja nelas um instrumento conspiratório, deveria, para seu próprio bem e do Brasil, levá-las em conta. Por exemplo, com todos os seus problemas, a pesquisa mensal Ipespe (divulgada pela XP Investimentos), feita por telefone com uma amostra aleatória sobre um "frame" muito próximo ao perfil da sociedade brasileira, é um aceitável indicador da evolução dos seus sentimentos.
Ela revela, depois do mês de maio de 2019, uma forte estabilidade das respostas "regular" e "não sabe", em torno de 30%, o que talvez nos permita avaliar a evolução do apoio a Bolsonaro, comparando no tempo as respostas ótimo/bom com as ruim/péssimo.
No mês da posse, janeiro de 2019, tínhamos ótimo/bom = 40% e ruim/péssimo = 20%, ou seja: 70% (40%/60%) ótimo/bom, contra 30% (20%/60%) ruim/péssimo, muito próximo do resultado eleitoral das urnas. Como evoluiu essa relação? A tabela abaixo mostra:
Para salvar o que resta de seu governo e ajudar o Brasil a superar a Covid-19, Bolsonaro deveria usar a receita política universal. Aproximar-se do Congresso e construir um programa comum com uma maioria estável e administrar o país partilhando o poder com ela. Talvez seja apenas desejo, mas creio que há alguma esperança com a Casa Civil entregue, agora, a um comprovado administrador, o general Braga Netto.
Antonio Delfim Netto
Economista, ex-ministro da Fazenda (1967-1974). É autor de “O Problema do Café no Brasil”.