segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Fernando Gallo: Combate às automações indevidas no Twitter, FSP

Não há indício de robôs em seguidores de presidenciáveis

Símbolo do Twitter é visto em sede da companhia em São Francisco (EUA)
Símbolo do Twitter é visto em sede da companhia em São Francisco (EUA) - Josh Edelson - 4.nov.16/AFP
"O mundo todo está no Twitter!", diz o recém-divulgado Twiplomacy 2018, um dos mais completos estudos sobre a presença de governos e líderes mundiais em redes digitais, indicando que 97% dos países-membros da ONU têm conta no serviço.

O Twitter é o lugar em que o debate público acontece e onde pessoas podem acompanhar e comentar, para além de seus círculos sociais, assuntos de seu interesse. Nosso propósito é servir a essa conversa pública, daí nosso firme comprometimento em contribuir para que ela seja saudável.

Um dos eixos dos nossos esforços é o combate a todo comportamento automatizado que tente manipular o debate na plataforma.

Automações podem ser positivas, como na emissão de alertas de notícias ou na prestação de serviços. O que enfrentamos com vigor são comportamentos automatizados que prejudicam a experiência e a conversa pública no Twitter.

Trabalhamos para detectar proativamente contas e comportamentos abusivos e investimos em ferramentas que identificam e agem automaticamente em contas que disseminam spam ou atuam de forma coordenada. Isso nos permite enfrentar tentativas de manipulação de conversas em grande escala —algo que há muito tempo buscamos combater.

Este trabalho evoluiu ainda mais nos últimos 12 meses. Em maio de 2018, identificamos e contestamos mais de 9,9 milhões de potenciais contas de spam ou de automação mal-intencionada por semana —contra 6,4 milhões de contas em dezembro passado e 3,2 milhões em setembro de 2017.

Isso não significa que haja mais contas agindo de má-fé na plataforma, mas que hoje somos mais capazes de detectá-las e confrontá-las, aplicando medidas que incluem suspensão ou bloqueio. A média de denúncias de spam que recebemos é prova disso: ela caiu de cerca de 25 mil por dia, em março, para perto de 17 mil por dia em maio deste ano.

Por ser uma plataforma pública e em tempo real, o Twitter é um reflexo do que está acontecendo no mundo. Por isso, acadêmicos de todo o globo baseiam pesquisas sobre os mais diversos temas em conversas da plataforma. Entre os diferentes estudos de que temos conhecimento, estão os que tentam mensurar o impacto de robôs no Twitter —muitos dos quais, ainda que sejam bem-intencionados, se mostram imprecisos e equivocados.

É o caso de um recente levantamento sobre a suposta presença de robôs entre os seguidores dos pré-candidatos à Presidência. Nossa própria investigação não encontrou evidências que confirmem as conclusões da pesquisa.

Estudos de terceiros, como os que usam aplicativos que tentam adivinhar se perfis são ou não robôs —instrumentos que têm se revelado metodologicamente falhos—, só acessam sinais externos das contas. São informações muito limitadas em relação às que o Twitter dispõe para determinar se uma conta é ou não uma automação indevida.
Pesquisas externas muitas vezes ignoram que o Twitter tem ferramentas que reduzem o alcance de tuítes de contas de baixa qualidade. Em nossas APIs, pesquisadores acabam encontrando tuítes e contas que não impactam nossos usuários. Além disso, muitas das redes de automação são compostas por contas que seguem umas às outras, compartilhando conteúdos entre si que dificilmente impactarão o usuário comum. Nosso trabalho contra spam ajuda a garantir que seja assim.

Detalhes do que fazemos para combater automação estão no blog do Twitter Brasil. Entendemos a curiosidade que o tema desperta, e o nosso compromisso é o de manter a sociedade informada sobre os nossos esforços.

Não negamos nosso desafio. Trabalhamos para enfrentá-lo e estamos abertos ao diálogo com quem compartilha do nosso objetivo de promover conversas cada vez mais construtivas e saudáveis.
Fernando Gallo
Jornalista e responsável pela área de políticas públicas do Twitter no Brasil

Washington libera acesso a fundo para infraestrutura, Valor


Washington libera acesso a fundo para infraestruturaFachada sul da Casa Branca, em Washington - Foto: Creative Commons
Em mais um passo na aproximação bilateral, Brasil e EUA assinaram ontem memorando de cooperação que estimulará o acesso a um fundo de US$ 60 bilhões para financiamento de projetos em infraestrutura em países emergentes. O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, elogiou o programa brasileiro de concessões e chamou a atenção de empresários do setor para oportunidades que virão na reconstrução da Venezuela após a realização de eleições livres e da "reversão do socialismo."
Ao publicar o discurso no site, o Departamento de Comércio cometeu uma gafe. Informou que havia sido proferido em "Buenos Aires, Argentina."
"Estaria menos nervoso aqui do que em outros lugares", afirmou, ao elogiar o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e o detalhado trabalho de planejamento da carteira de concessões oferecidas à iniciativa privada. "Este país está começando a se mover", avaliou, durante participação no Latin American Infrastructure Leadership Forum.
Uma missão empresarial americana visitará São Paulo em novembro para conhecer projetos em ferrovias e portos, áreas nas quais a China tem interesse.
Além de participar do fórum, Ross reuniu-se com Freitas, a quem disse que os EUA têm interesse especial em ferrovias brasileiras. O ministro afirmou que o Brasil quer a experiência, o financiamento e a tecnologia dos americanos.
Falando a empresários, Ross defendeu que os países da região conheçam melhor as convenções antissuborno das Nações Unidas e a convenção anticorrupção da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Inclui boas práticas regulatórias que são transparentes e eficazes, e não barreiras desnecessárias ao comércio e ao investimento", afirmou. Os EUA querem ser "parceiros preferenciais" da América Latina em infraestrutura.
Praticamente ausentes até agora das concessões em infraestrutura, os Estados Unidos estão criando bases para sua participação. O fundo de US$ 60 bilhões poderá ser usado para financiar projetos, para prover seguro contra risco soberano e dar apoio à elaboração de estudos e estruturação de parcerias entre governos e empresas.
Assim como destacou as oportunidades de negócios no Brasil, Ross falou sobre a gigantesca necessidade de investimentos para reconstruir a infraestrutura na Venezuela. Vinte projetos prioritários já foram identificados. "A boa notícia é que recursos naturais permanecem lá e apenas precisam ser reabilitados da péssima gestão." O país tem uma reserva de 300 bilhões de barris de petróleo.
O PIB venezuelano vem caindo desde 2014 e "vai continuar a se deteriorar até que um governo internacionalmente reconhecido implemente reformas econômicas e sociais", disse. A pedido do Conselho de Segurança, o Departamento de Comércio elaborou um plano de reconstrução econômica do país, disse Ross. São medidas de curto, médio e longo prazos para a retomada do crescimento, estruturadas em quatro eixos: energia, estabilização macroeconômica, restauração da agricultura e reabilitação do setor privado.
Entre as medidas, está a aprovação da nova Lei de Hidrocarbonetos em discussão no Congresso venezuelano, como forma de trazer de volta o setor privado. Pediu também a implementação de medidas na área de facilitação de negócios, a restauração do Banco Central, que está "sucateado", e de um sistema financeiro.

Ferrovia Norte-Sul reacende esperança de produtores por mais concorrência no frete, Gazeta do Povo

A assinatura do contrato de concessão do trecho entre Porto Nacional (TO) e Estrela D'Oeste (SP) da ferrovia Norte-Sul, ocorrida nesta semana (31), deu uma injeção de ânimo aos produtores da região central e Norte do Brasil, que agora terão uma nova opção para o escoamento da produção até os portos do Arco Norte. Futuramente, com a integração do trecho à Malha Paulista, também vão poder optar pelos terminais do Sul e Sudeste. Até então, a única saída era o transporte via terrestre, encarecido com o tabelamento dos fretes rodoviários.
A empresa Rumo Logística, com sede em Curitiba (PR), arrematou o trecho da ferrovia de 1.537 quilômetros por R$ 2,7 bilhões em leilão da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ocorrido em março, ganhando o direito de operar o tramo por 30 anos, não prorrogáveis. O potencial de transporte do trecho, segundo a própria ANTT, é de 1,7 milhão de toneladas para 2020 e de 22,73 milhões de toneladas até 2055.
E a expectativa dos produtores é que, de imediato, o custo do transporte das cargas fique de 10% a 15% mais barato, dependendo da política de preços que será adotada pela operadora da ferrovia. "Pode ocorrer de a empresa fazer o balizamento com o frete rodoviário e acabar com a ferrovia não surtindo nenhum efeito. Então, vai depender de a Rumo trazer esse frete para uma condição razoável. Agora, se o custo do frete ferroviário for mais barato, pode ter certeza de que em uma safra o produtor já vai começar a operar pela ferrovia e a coisa vai fluir", diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) de Goiás, Adriano Barzotto.
De qualquer forma, segundo ele, os produtores estão comemorando a alternativa. "Foram 32 anos de sofrimento para que essa ferrovia chegasse a esse ponto. É um grande avanço", afirma. A Norte-Sul começou a ser construída em 1987 e foi projetada para ser o principal eixo ferroviário do país, integrando de forma estratégica o território nacional e reduzindo o "custo Brasil".
O trecho ao norte da ferrovia, de 720 km entre Porto Nacional e Açailândia (MA), já é operado pela VLI desde 2007 e se conecta com a estrada de ferro Carajás, da Vale, com destino ao terminal marítimo da Madeira e ao Porto de Itaqui, ambos em São Luís (MA). A esperança dos produtores é poder exportar tanto via Porto de Santos quanto via Porto de Itaqui. Mas para isso, conforme Barzotto, outras melhorias precisam ser implementadas.
"Esperamos que a Rumo construa vários terminais ferroviários ao longo da ferrovia, senão o produtor não vai conseguir levar a carga até os terminais existentes. É preciso ter um sistema como o norte-americano, com um terminal a cada 100km. Aí o produtor administra somente o frete rodoviário no trecho curto", explica o presidente da Aprosoja-GO.
Mas escoar via Porto de Itaqui por enquanto "ainda é um sonho", segundo Barzotto, pois o custo do frete ferroviário de retorno hoje é alto, porque o trem sobe com soja e milho e retorna vazio, pois não há carga para trazer de volta. Com isso, os produtores acabam dando preferência para escoar a produção via Santos (SP) ou Paranaguá (PR), pois sabem que a composição retornará com fertilizantes, combustíveis e outros produtos.
Para os produtores do Tocantins, que agora terão a alternativa de mandar a produção também via porto de Santos, a ferrovia é bem-vinda, mas é preciso estimular mais a concorrência, com mais empresas entrando no mercado. "Nós entendemos que a ferrovia é necessária, mas a forma como estão sendo feitas as concessões nos deixa um pouco preocupados. Não conseguimos implantar no sistema ferroviário uma concorrência de fato, o que acaba se refletindo no preço do frete", afirma Maurício Buffon, presidente da Aprosoja-TO.
Buffon afirma que, até então, o trecho norte da ferrovia, entre Porto Nacional e São Luís, não apresentou ganhos para o produtor na questão do frete, com pouca diferença no preço do rodoviário para o ferroviário. Uma alternativa para estimular mais a concorrência, conforme o presidente da Aprosoja-TO, seria a hidrovia do Rio Tocantins, que ainda precisa de obras em eclusas e de outras adaptações para tornar o rio viável para o transporte de cargas.
Mesmo assim, com a entrada em operação do novo trecho da Norte-Sul, os produtores poderão escolher mandar a produção via porto de Santos, o que até então não era uma opção, segundo Buffon, por causa do custo do frete rodoviário. A concorrência, diz ele, deve melhorar o custo do frete de retorno por Itaqui, pois agora será possível trazer fertilizantes tanto pelo porto maranhense quanto por Santos.
Novos terminais
De acordo com a Rumo, além de Anápolis (GO), onde funciona o Porto Seco Centro-Oeste, haverá terminais nas regiões das cidades goianas de São Simão e Uruaçu, e um grande complexo de terminais no sudoeste de Goiás. No Tocantins, as operações em Porto Nacional, onde já existe um terminal, passarão a integrar o corredor Norte-Sul. "A Rumo tem planos para que trens da Brado, sua subsidiária especializada na logística multimodal de carga em contêineres, estejam rodando até o final de 2019, no trecho da Norte-Sul entre Anápolis e Porto Nacional", informou a companhia.
O objetivo da operação inaugural é atender os polos de produção agrícola e industrial do Centro-Oeste e Norte do país. Nela, serão utilizados vagões double-stack, que podem carregar até três contêineres (um de 40 pés e dois de 20 pés) empilhados em dois níveis. A Rumo informou ainda que também fará diversas obras de infraestrutura ferroviária entre Ouro Verde de Goiás (GO) e Estrela D'Oeste, onde a Norte-Sul se conecta à Malha Paulista.
A empresa, que também opera o trecho paulista, espera obter a renovação antecipada da concessão, cujo pedido aguarda aprovação do plenário do Tribunal de Contas da União. A Rumo informou que a conexão entre as malhas Paulista e Norte-Sul deve ocorrer até 2021.