terça-feira, 10 de março de 2026

Empresas não fracassam porque têm contadores demais, Rodrigo Spada, OESP

 Por Rodrigo Spada

A recente declaração do ministro Fernando Haddad, ao afirmar que há “mais contador que engenheiro” nas empresas brasileiras e sugerir que a Reforma Tributária poderá tornar a função contábil menos necessária, provocou forte e justificada reação do setor.

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Durante décadas, o Brasil operou – e ainda opera, até que seja concluída a transição para o novo modelo – sob um dos sistemas tributários mais complexos do mundo. Nesse ambiente, os profissionais da contabilidade foram indispensáveis para que empresas permanecessem regulares, que tributos fossem corretamente apurados e que o Estado pudesse arrecadar. Onde a legislação entregava confusão normativa, os contadores ofereciam interpretação técnica e orientação qualificada. Em outras palavras, não foram os contadores que criaram a complexidade tributária, mas foram eles que impediram que ela paralisasse a economia.

A Reforma Tributária representa um avanço histórico. Como presidente da FEBRAFITE, atuei em sua construção e sempre defendi que simplificar o sistema é uma necessidade nacional. Mas simplificar não significa reduzir a importância da técnica. Significa elevá-la.

O contador não é um executor automático de obrigações acessórias. Ele é agente de segurança jurídica, guardião da conformidade fiscal e parceiro estratégico das decisões empresariais. Empresas não fracassam porque possuem contadores demais. Fracassam quando tomam decisões sem base técnica, quando ignoram riscos fiscais, quando deixam de planejar adequadamente seu fluxo de caixa ou quando subestimam o impacto tributário de suas operações. Em um ambiente econômico competitivo e regulado, cada escolha carrega implicações financeiras e jurídicas concretas. É exatamente nesse ponto que atua o profissional contábil: oferecendo leitura qualificada dos números, antecipando cenários, prevenindo contingências e transformando informação em segurança para o empreendedor.

Para você

Com a entrada em vigor do novo modelo, o que se projeta não é o enfraquecimento da contabilidade, mas sua transformação em uma atividade ainda mais estratégica. Livre da confusão normativa, o contador poderá dedicar mais energia ao planejamento, à governança, à análise de dados e à orientação de investimentos. Em vez de ser consumido por um sistema ineficiente, poderá contribuir de forma ainda mais qualificada para o desenvolvimento das empresas.

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É preciso reconhecer que nenhuma Reforma Tributária se implementa por decreto. Ela se implementa no cotidiano das organizações. E quem fará essa travessia são os profissionais da contabilidade. A modernização do sistema tributário não diminui essa relevância. Ao contrário, exige ainda mais preparo, qualificação e protagonismo dos contadores.

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