terça-feira, 7 de abril de 2026

Venda de veículos novos dispara 38% em um ano no Brasil, diz federação, FSP

 

Alberto Alerigi Jr.
São Paulo | Reuters

Os licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos em março no Brasil dispararam 45,6% na comparação com fevereiro e saltaram 37,9% ante o mesmo mês do ano passado, para 269,5 mil unidades, afirmou a associação de concessionários de veículos Fenabrave nesta terça-feira (7).

Segundo representantes da entidade, o movimento ocorreu em meio a efeitos de calendário, um forte ambiente competitivo entre montadoras e ao programa de incentivo Carro Sustentável, do governo federal, que vai até o final deste ano.

Carros, motos, ônibus e caminhões em trânsito na Ponte Cidade Universitária, em São Paulo - Zanone Fraissat - 15.set.25/Folhapress

Apesar do crescimento de vendas do mês passado considerado surpreendente pelo setor, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, afirmou que as projeções da entidade para 2026 seguirão mantidas até meados do ano pelo menos, diante de incertezas no cenário macroeconômico.

"Estão correndo bastante promoções que estão levando consumidores para as compras", declarou o presidente da Fenabrave. "Estamos hoje em um dos mercados mais competitivos do mundo e a fatia da pizza cresceu um pouco, mas não na proporção da concorrência", acrescentou, citando a chegada de novas marcas ao país, principalmente asiáticas.

Segundo a entidade, os emplacamentos do mês passado marcaram o segundo melhor mês de março da série histórica.

A projeção atual da Fenabrave envolve um crescimento nas vendas de carros e comerciais leves de 3% em 2026 e de 3,50% no caso dos caminhões. Para ônibus, a expectativa é de alta de 3% nas vendas.

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No acumulado do primeiro trimestre, as vendas subiram 13,3% sobre o mesmo período de 2025, para 625,1 mil unidades. Segundo a Fenabrave, o volume dos três primeiros meses do ano marca o terceiro maior para um primeiro trimestre da história.

Considerando apenas carros e comerciais leves, as vendas de março somaram 258,2 mil unidades, alta de 40,2% ante março do ano passado, acumulando 597,5 mil veículos no primeiro trimestre, equivalente a uma expansão de 15,4% sobre os três primeiros meses de 2025, segundo a entidade.

As vendas de caminhões no mês passado somaram 8.767 veículos e 21,7 mil no trimestre. Ante março do ano passado, as vendas do mês caíram 3,65%.

O presidente da Fenabrave afirmou que os recursos de cerca de R$ 10 bilhões disponibilizados para o programa de incentivo à venda de caminhões novos Move Brasil "já se esgotaram". O programa foi lançado em janeiro e Arcelio Junior afirmou que a Fenabrave já está pleiteando uma renovação.

Segundo ele, os meses de abril e maio "ainda terão emplacamentos" de caminhões no âmbito do programa por conta das vendas realizadas no mês passado.


Saia do rebanho político, ouse pensar por si mesmo, Wilson Gomes, FSP

 Se você já não aguenta mais gente patrulhando cotidianamente a sua opinião, exigindo-lhe um posicionamento moral explícito sobre qualquer coisa como condição para decidir se você presta ou não, se já não suporta militante apertando a sua mente e forçando a sua mão, você não está sozinho. Há muitos brasileiros como você —e me incluo entre eles— sentindo-se como a bola de um pinball político alucinado, arremessada para lá e para cá, à procura de uma saída em meio a tanto barulho e histeria.

Reconhece o ambiente? Ele impõe, semana após semana, uma rotina de julgamentos morais, como se fosse preciso decidir o tempo todo quem merece crédito e quem não na vida e na política. Ele transforma tudo —ideias, pensamentos, atitudes e comportamentos, seus e dos outros— em questão política, sujeita à vigilância e à punição segundo critérios ideológicos. Ele exige que você tenha —e exiba— uma opinião política (frise-se o adjetivo "política") sobre quase tudo: o estreito de Hormuz, projetos de lei sobre antissemitismo e antimisoginia, o powerpoint da GloboNews, uma declaração de Trump sobre a mulher de Macron, a não convocação de Neymar ou de Endrick, ou até se, afinal, "lá ele!" é uma expressão homofóbica .

O mais curioso é que o remédio mais eficiente para enfrentar essa sensação é um clássico do Iluminismo e vem na forma de um imperativo: atreva-se a pensar com a sua própria cabeça. "Sapere aude". Tenha a audácia de pensar; ouse servir-se do seu próprio entendimento.

Ilustração em bico de pena mostra, em primeiro plano, um grande grupo de ovelhas brancas como nuvens  muito próximas umas das outras, formando um “rebanho”. Todas usam óculos escuros, “cegas”, o que sugere ausência de individualidade. Elas ocupam quase toda a parte inferior da imagem. Ao fundo, ergue-se a figura de uma cabeça humana em perfil, construída com formas geométricas e segmentadas, como se fosse composta por peças encaixadas. A cabeça, colorida em tons pasteis, está voltada para a esquerda, com a boca aberta, como se estivesse falando, comunicando seu pensamento. Dos olhos dessa figura sai um feixe de luz branco, semelhante a um holofote, projetado no sentido contrário à direção do “rebanho”. A cena como um todo transmite a sensação de controle ideológico da figura humana, pensamento próprio e autonomia individual diante do grupo “rebanho” homogêneo.
Ariel Severino/Folhapress

Isso pode significar muitas coisas nos dias que correm. Um dos seus significados é que ninguém manda em você, quer dizer, no seu juízo, no seu modo de ver as coisas. Nem o seu círculo de afinidade social, nem o seu grupo de pertencimento ideológico. Divergir e desafiar valores e pontos de vista de quem está no "outro lado" é fácil, e todo mundo faz isso. Emancipação intelectual de verdade é ter a ousadia de resistir ao soft power dos "nossos", é não aderir automaticamente, é se recusar a substituir o próprio julgamento pela voz do próprio rebanho. Há um custo —grupos punem dissidentes, desafiantes e até hesitantes com isolamento. Dane-se! Esse é o preço a pagar para ser o capitão própria alma, senhor das próprias ideias.

Outra decorrência da máxima iluminista é a liberdade de rediscutir consensos, reabrir decisões ideológicas que os grupos dão por encerradas, reexaminar premissas e pressupostos já adotados. Isso é o que significa recusar os dogmas do grupo e as suas bíblias particulares, assim como se recusar a confundir afinidades ideológicas, que é uma coisa normal, com conversão sectária e suicídio intelectual. Não conceda a autoridades, livros e bulas papais do seu campo o direito de decidir o que você deve considerar certo ou errado, discutível ou intolerável. Mantenha esse direito como uma prerrogativa política e humana pessoal.

Em um momento em que os campos políticos, tantos e tão fragmentados, reforçam os apelos por coesão grupal e por hostilidade contra os inimigos externos, tenha a liberdade de escolher contra o que lutar, se preciso, e por que razão o faria, se necessário. Contra a pressa do grupo por movimentos de manada, retarde o seu julgamento; contra a pressão por um incessante ativismo de guerrilha, suspenda por um tempo o seu julgamento até que as coisas fiquem mais claras; contra as simplificações de quem vê tudo em preto e branco, assuma a atitude mais rebelde de todas: faça distinções e aceite paradoxos.

Você vai descobrir como é libertador, por exemplo, apoiar um princípio —sei lá, a condenação da misoginia e do antissemitismo— e, ao mesmo tempo, reprovar a solução proposta com a criminalização. Ou pedir evidências quando todos estão entronados em certezas, demandar que sejam demonstradas crenças que os grupos consideram sagradas, desconfiar de soluções fáceis para problemas difíceis, pensar a contrapelo quando todos buscam nos consensos grupais a estima de que tanto precisam, dispor-se a ouvir os outros lados e a entender as suas razões, mesmo quando não concorda com elas.

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Talvez você fique surpreso ao notar que um tal individualismo —que não é isolamento, mas autonomia de juízo— pode ser, paradoxalmente, mais democrático que os coletivismos que anulam a liberdade de pensar e dissolvem a autonomia do pensamento individual nas obrigações de lealdade e coesão grupal. Mas é isso mesmo. A voz do rebanho sempre serviu melhor a outros regimes; a democracia depende, desde sempre, de indivíduos capazes de pensar com liberdade e independência.

Hélio Schwartsman - Quão resiliente é Flávio Bolsonaro?, FSP

 mpra de uma mansão em Brasília com valor acima de seus rendimentos oficiais.

Homem de meia-idade com cabelo curto e escuro ajusta o colarinho de seu paletó escuro, vestindo camisa branca, em ambiente interno com fundo desfocado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato â Presidência da República - Eduardo Anizelli - 19.mar.26/Folhapress

O jovem Bolsonaro chegou a ser denunciado pelo MP fluminense pelos delitos de organização criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato, mas se livrou da investigação após intervenção de cortes superiores com base em detalhes processuais. Traduzindo para o bolsonarês, se Lula é um descondenado, Flávio é um desinvestigado.

A partir de agora, o senador-candidato deverá ser mais cobrado em relação aos aspectos não ortodoxos de sua vida financeira. O caso também deverá ser explorado pela campanha petista. Vamos ver como o legatário da família Bolsonaro atuará sob um pouco mais de pressão e se terá, como o pai e como Lula, aquela camada de teflon que faz com que denúncias e suspeitas, mesmo as graves, não colem em sua pessoa.

Para vencer uma eleição, não basta desvencilhar-se de problemas velhos; é preciso também não criar novos. Nesse quesito, Flávio Bolsonaro parece ter herdado do pai, além dos votos e da rejeição, uma certa inabilidade essencial. Nove entre dez analistas afirmam que o pleito será acirrado, de modo que caberá a eleitores moderados definir milimetricamente a parada. Aí, em vez de tentar cativar esse eleitor mais centrista, Flávio Bolsonaro vai a uma conferência de partidos conservadores nos EUA e faz declarações totalmente antissistema, que assustam qualquer um que tenha apego às instituições.

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Não posso dizer que tanta incompetência não tenha um lado tranquilizador.