segunda-feira, 11 de setembro de 2023

O sertão vai ficar verde? Planta da tequila é aposta para revolucionar a caatinga - Gazeta do Povo

 O agave, uma planta da espécie das suculentas, de porte gigante, conhecida por ser a principal matéria-prima para produção da bebida mexicana tequila, pode estar destinado a mudar a paisagem e a economia nas terras áridas do Nordeste brasileiro. O potencial seria de criar toda uma nova cadeia industrial e até uma nova matriz energética internacional.



A aposta no agave como a “cana da caatinga” para produção de etanol não se limita mais aos centros de pesquisa, mas já chegou a importantes players do mercado. No avanço mais recente, a Shell decidiu investir R$ 30 milhões no projeto Brave (Brazilian Agave Development), em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).


E por que a planta da tequila chamou atenção da multinacional petrolífera?


Espécies nacionais de agave já existem no sertão como cultivo voltado à extração da fibra de sisal, utilizada na produção de cordas, cestas e tapetes. Mas a concorrência das fibras sintéticas dificultou esse mercado. Desta vez os pesquisadores, e a indústria, estão de olho na enorme capacidade do agave para acumular água, nas condições mais inóspitas possíveis. Na Austrália, resistiu bem a temperaturas de quase 50º C.



Agave vai bem em terras áridas

A ideia não é que o agave venha a substituir a cana-de-açúcar nem outros cultivos alimentares, como milho ou mandioca. Ele pode entrar onde hoje a terra não produz nada. Ou quase nada. “Basicamente, a planta pode crescer no deserto”, costuma dizer Don Chambers, pesquisador australiano que há quase duas décadas foi pioneiro no estudo das possibilidades econômicas do agave.


Como qualquer apaixonado por vasinhos de suculentas sabe, essas plantas precisam de muito pouca água. Elas costumam apresentar folhas grossas e revestidas de uma película que reduz a perda de umidade a um mínimo, mantendo os seus poros fechados durante o dia. À noite, os estômatos se abrem para as trocas gasosas.


“Durante o dia, com o sol, ela manda bala e faz a fotossíntese. Ela guarda o CO2 à noite e libera de dia, com a porta fechada. Aí é que entra a beleza do agave. Ela tem essa característica e ao mesmo tempo é altamente produtiva. Enquanto numa cana-de-açúcar, mesmo na cana-energia, é preciso 1.200 mm de água, essa planta pode produzir com apenas 300 mm de água (por ano). E de forma regular. Pode ser que tenha um ano em que não chova, mas ela não morre, continua crescendo”, aponta Gonçalo Pereira, coordenador do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp. Segundo o pesquisador, as próprias folhas do agave, que parecem canaletas, ajudam a planta a capturar a umidade do orvalho e levar às raízes.



Captura de carbono despertou interesse da Shell

Pereira, filho de sertanejo, se empolga com as possibilidades do agave para o semiárido brasileiro. “O sertão tem 108 milhões de hectares, o que corresponde a mais de duas vezes uma Alemanha e ainda uma Grécia. É muita área. O problema do sertão é a instabilidade. Você planta milho e não sabe se vai colher. O agave faz a captura da água. Tem meio litro por folha. E faz ainda uma captura gigantesca de CO2, são 385,4 toneladas por hectare. Por isso o grande interesse da Shell. A gente pode substituir o petróleo pela fotossíntese”, sublinha Pereira.


Em tese, devido ao alto rendimento, com 3,3 milhões de hectares de agave seria possível produzir todo o volume de etanol do mercado brasileiro, ou 30 bilhões de litros. Enquanto com a cana, para o mesmo resultado, são necessários 4,5 milhões de hectares cultivados.


Executivos da Shell no país projetam um cultivo de até 2 milhões de hectares no semiárido (menos de 2% da área total do bioma), suficiente para produzir de 6 bilhões a 10 bilhões de litros de etanol de agave por ano. Assim, não haveria sequer pressão sobre as áreas de caatinga destinadas à preservação. “Ela pode ser plantada onde a cana não sobreviveria. E em áreas em que não traz impacto ambiental, porque são áreas que já tiveram algum tipo de agricultura, e que, hoje, devido a problemas hídricos, são subutilizadas, sem mata nativa, sem plantação alguma. O grande potencial estratégico é trazer uma matriz industrial para uma região que hoje não tem nada parecido”, diz o coordenador do projeto Brave na Shell, Marcelo Medeiros.



Hoje 95% do agave do sisal é jogado fora

Do agave pode se aproveitar tudo: além do etanol, fibras, silagem, nanocelulose, inseticida e carvão vegetal (biochar), que funciona como fertilizante do solo.


Atualmente, no entanto, no território do sisal, no nordeste da Bahia, somente uma parte decimal das folhas é aproveitada. Da biomassa, 95% são jogados fora. “Se a gente utilizasse todo o bagaço do sisal para gerar energia, naquela região toda da Bahia não precisava nem de diesel, nem de gás de cozinha”, destaca Pereira, da Unicamp.


O ciclo do agave exige planejamento e paciência. Leva de três a cinco anos até a primeira colheita. Até lá, a planta vai juntando forças e ganhando porte. No quinto ano, a produção atinge 880 toneladas por hectare. Um rendimento equiparável ao da cana-de-açúcar, quando distribuído ao longo do ciclo. Por que, então, o México, terra-mãe da agave tequilana, não aproveita todo seu potencial energético? Segundo Pereira, porque, por lá, os olhos estão todos voltados para a tequila, que alcança um elevado preço de mercado. Com 374 milhões de litros de tequila produzidos anualmente, os mexicanos conseguem levantar receitas que correspondem a cerca de 50% das obtidas pelo etanol no Brasil, com um volume de 15 bilhões de litros.



Curiosamente, enquanto no México só se aproveita a pinha do agave, onde está concentrado o açúcar, no Brasil são usadas apenas as fibras das folhas. Cada país joga fora todo o restante da planta. “Nossa ideia é uma biorefinaria para usar tudo. O Don Chambers, que teve essa ideia lá atrás, viu que o México não se interessava, levou para a Austrália, que também não se interessou. Mas talvez se interesse agora, quando nós começamos a fazer”, diz Pereira.


Pinhas de agave: no México, só esta parte da planta é aproveitada, para produção de tequila| Pixabay

Austrália já confirmou viabilidade do agave como biocombustível

Na Austrália, a conclusão de cinco anos de estudos sobre o etanol do agave foi de que o biocombustível é viável, alcançando produtividade um pouco menor do que a cana por hectare – 7.414 litros contra 9.900 litros. Segundo o time de pesquisadores das universidade de Sidney, Exeter e Adelaide, o agave precisa 69% menos água do que a cana-de-açúcar e 46% menos do que o milho. O estudo apontou se tratar de uma cultura “vencedora” em termos de ganhos ambientais nos próximos anos, mas concluiu que, sem apoio do governo nos primeiros anos, uma indústria de etanol de agave não tem como decolar.



As conclusões australianas não desanimam Gonçalo Pereira, da Unicamp. “Ninguém no mundo produz biocombustível a partir de Agave. Os dados da Austrália são de experimentos, sem escala. E é exatamente isso que vamos fazer. Nós não fomos os primeiros a ter essa ideia. O que espero é que sejamos os últimos, ou seja, que a partir do projeto a produção de biocombustível a partir do agave seja tão óbvia quanto a da cana. Que ninguém mais se lembre que o Sertão, um dia, foi um problema. Que ele se torne uma terra de oportunidades, um polo de imigração”.


O programa Brave é financiado por recursos destinados pela Shell dentro da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O trabalho agora envolve confirmar a campo os resultados da pesquisa para criação de uma nova cadeia industrial e desenvolver, de forma pioneira, equipamentos para a colheita mecanizada do agave. A parceria prevê ainda a construção de plantas-piloto de processamento e refino da biomassa na Bahia, convertendo o agave em biocombustível, em etanol e biogás. O desenvolvimento da cadeia do agave interessa às usinas sucroenergéticas do Nordeste, que operam com capacidade ociosa por falta de matéria-prima.


Senai-Cimatec vai estudar industrialização do agave

O Senai-Cimatec, da Bahia, é outro parceiro do projeto. Caberá ao centro tecnológico trabalhar em soluções para a mecanização do plantio e da colheita e o desenvolvimento de rotas tecnológicas para industrializar o sisal. “Às vezes você tem uma pesquisa na universidade, no laboratório, e é preciso levar isso para uma realidade industrial. E essa é uma característica forte das nossas pesquisas, em diversos setores, como petróleo e gás, mineração, automotivo, aeroespacial, biocombustíveis, hidrogênio verde, entre outros. O grande foco é desenvolver uma nova cadeia de valor, que seja capaz de levar desenvolvimento econômico, geração de empregos e novas indústrias para o nosso país”, diz André Souza, diretor do Cimatec.



Se o agave-combustível vai realmente revolucionar o sertão, é algo para ser ver daqui alguns anos. Se der certo, o país da cachaça terá que fazer uma concessão e brindar a conquista com tequila. Da pura.


Professor Gonçalo Pereira com equipe de jovens pesquisadores do agave, da Unicamp| Divulgação

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agave-planta-da-tequila-e-aposta-para-revolucionar-a-caatinga/ 


Parceria prevê pesquisas sobre potencial energético do agave, Unicamp

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Fase a ser desenvolvida na Unicamp será dedicada aos aspectos biológicos do agave 
Fase a ser desenvolvida na Unicamp será dedicada aos aspectos biológicos do agave

A Unicamp, a Shell e o Senai Cimatec assinaram, nesta segunda-feira (7), uma parceria para a formação do Programa Brave – Brazil Agave Development. A iniciativa tem o objetivo de desenvolver e explorar o agave como fonte de energia limpa, renovável e com grande potencial de ganhos sociais em áreas como o sertão nordestino. Com duração prevista de cinco anos, o Brave contará com o investimento de R$ 30 milhões feito pela Shell para financiar pesquisas biológicas, agrárias e industriais. A assinatura ocorreu no Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE), do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, e contou com representantes das três instituições e de empresas e órgãos ligados à produção energética.

O acordo foi formalizado pelo reitor da Unicamp, Antonio José de Almeida Meirelles, por Olivier Wambersie, gerente-geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Shell, e por Leone Andrade, diretor de Tecnologia e Inovação do Senai Cimatec. Também participaram do lançamento do programa o coordenador do LGE, professor Gonçalo Pereira, e Alexandre Breda, gerente de Tecnologia de Baixo Carbono da Shell Brasil.

“A Unicamp está fortemente comprometida com a transição energética”, ressaltou o reitor. “Temos imensa variedade de projetos na área de bioenergia e fontes renováveis de energia. Essa é uma agenda de nossa universidade que pode trazer ao país uma nova perspectiva de futuro.”

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O acordo foi formalizado pelo reitor da Unicamp, Antonio José de Almeida Meirelles e por Olivier Wambersie, gerente-geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Shell

Uma planta, muitas possibilidades

O Programa Brave realizará pesquisas em três frentes: a primeira, desenvolvida na Unicamp, será dedicada aos aspectos biológicos do agave, como caracterização de suas variedades, sequenciamento e melhoramento genético, desenvolvimento de mudas por baixo custo, análise de seu potencial energético e processo de fermentação e análise do ciclo de vida da planta. "Queremos entender essas plantas por dentro, caracterizar e diferenciar uma da outra por meio de marcadores moleculares, conhecer sua microbiota, ou seja, os microorganismos que interagem com ela", explica Gonçalo.

As outras frentes serão voltadas aos processos de mecanização e aperfeiçoamento do cultivo do agave, com estudos sobre a aplicação de técnicas agrícolas e manejo de colheitas, e à produção industrial de biocombustíveis do agave, desde a otimização da produção de bioetanois de primeira e segunda geração até a instalação de plantas-piloto para testes e validação de processos. Essas pesquisas serão feitas em parceria com o Senai Cimatec, instituição sediada na Bahia, estado responsável pela maior produção de agave no país. “Parabenizo e agradeço à Shell e à Unicamp pela parceria e pela confiança em nosso trabalho”, celebra Leone Andrade.

Em cinco anos, a cultura do agave rende, por hectare, a produção de 880 toneladas de biomassa, armazena 617 toneladas de água e captura 385 toneladas de carbono
Em cinco anos, a cultura do agave rende, por hectare, a produção de 880 toneladas de biomassa, armazena 617 toneladas de água e captura 385 toneladas de carbono

O agave é uma espécie de suculenta típica de regiões semiáridas, como o interior do México, onde é utilizado para a produção de tequila, e o sertão nordestino, área em que é cultivado para produção de sisal. O potencial energético de sua biomassa é comparável ao da cana-de-açúcar, com a vantagem de demandar 80% menos irrigação e uso de fertilizantes. Em cinco anos, a cultura do agave rende, por hectare, a produção de 880 toneladas de biomassa, armazena 617 toneladas de água e captura 385 toneladas de carbono.

Hoje, o Brasil é o maior produtor de fibra de sisal do mundo, com cerca de 80 mil toneladas por ano. No entanto, apenas 5% da planta é aproveitado. "Enquanto na Bahia apenas as folhas são utilizadas para a produção das fibras de sisal, no México só se usa a pinha para produção de tequila. Nossa estimativa é que, em um hectare de agave, seja possível produzir 7,4 mil litros de etanol de primeira e segunda gerações por ano. Com esses dados, pensamos na dinâmica de uma biorrefinaria ao propormos utilizar tudo o que o agave oferece, desde a pinha até as folhas", detalha o coordenador do LGE.

Construindo um novo futuro

Outro potencial que o Brave pretende estimular é o de impactar de forma positiva o sertão nordestino por meio da geração de renda e manutenção de comunidades no campo. Só na região, há cerca de 105 milhões de hectares onde o agave pode ser produzido. Para Olivier Wambersie, este é um objetivo importante almejado pela Shell. "Grandes empresas multinacionais, que têm poder de investimento, devem também ter objetivos sociais em seu trabalho. Não é apenas sobre lucro, há outros pilares que também são essenciais. Com este projeto, a Shell mostra seu compromisso contínuo de fornecer energia para a sociedade”, celebra.

“Queremos ajudar a criar tecnologia para um novo conceito de produção de bioenergia no país, que pode viabilizar o surgimento de uma nova cadeia industrial, colocando o sertão brasileiro como potencial polo produtor de biocombustíveis para o mundo, ao mesmo tempo em que ajudamos a desenvolver uma das áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica do Brasil”, pontua Alexandre Breda. Segundo o gerente, o programa partiu de uma ideia simples e atingiu um patamar elevado de sofisticação. "Sua genialidade está justamente na simplicidade da ideia."

Essas pesquisas serão feitas em parceria com o Senai Cimatec, instituição sediada na Bahia, estado responsável pela maior produção de agave no país
Leone Andrade, diretor de Tecnologia e Inovação do Senai Cimatec: instituição sediada na Bahia, estado responsável pela maior produção de agave no país

Presente no lançamento do programa, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) destacou o potencial do Brave para fortalecer o papel do país na vanguarda das economias de baixo carbono e manifestou o apoio da Câmara dos Deputados para a iniciativa. “Temos defendido políticas públicas de apoio à inovação, à pesquisa e aos biocombustíveis. Eu e os deputados que apoiam essas causas desejamos contribuir para que haja políticas públicas de incentivo.”

Segundo o reitor da Unicamp, é a sinergia de saberes e esforços que torna a universidade capaz de construir o futuro. “O entusiasmo de pensarmos em um novo Brasil é o que vemos na apresentação deste programa”, finaliza.

Imagem de capa
Audiodescrição: em sala de reuniões, imagem em plano geral de cerca de 20 pessoas sentadas em cadeiras, à direita e à esquerda, de frente umas para as outras, ao redor de extensa mesa retangular recoberta com tecido branco. À cabeceira da mesa, há um homem em pé, virado para traz, e tela de projeção afixada na parede, com ilustrações. A maioria delas apoia os braços na mesa, onde há 24 pequenos vasos de barro com mudas de agave, dispostos em pares à frente das pessoas. A maioria traja social. Imagem 1 de 1

A assinatura ocorreu no Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE), do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, e contou com representantes das três instituições e de empresas e órgãos ligados à produção energética

Bolsonaro estava envolvido ‘até os dentes’ em golpe, diz Lula, MEio

 A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid vai demonstrar que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estava “envolvido até os dentes” nos planos para um golpe de estado. A avaliação foi feita pelo presidente Lula em entrevista esta madrugada na Índia, onde assumiu a presidência do G20. “Eu acho que ele tá altamente comprometido. A cada dia vai aparecendo as coisas, e a cada dia nós vamos ter certeza de que havia a perspectiva de golpe e que o ex-presidente estava envolvido nela até os dentes”, afirmou Lula, que preferiu não entrar em detalhes sobre o acordo de delação do antigo ajudante de ordens de seu antecessor. (g1)

Atendendo a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o Exército afastou ontem Mauro Cid de suas funções profissionais, mas manteve seu salário de R$ 27.027. Integrantes da cúpula militar avaliam que a delação pode ser positiva para as Forças Armadas, se contribuir para acelerar as investigações, virando a página das suspeitas sobre os fardados. Cid estava preso desde 3 de maio. Em liberdade provisória, tem de usar tornozeleira eletrônica, não pode se comunicar com outros investigados e está com o porte de arma suspenso. Além disso, tem de se apresentar à Justiça em 48 horas e, depois, às segundas-feiras. (Folha)

A delação premiada, conta a Coluna do Estadão, preocupa cada vez mais Bolsonaro e sua família. Embora adote o discurso oficial de “perseguição política”, nos bastidores o clima é de pânico no clã. A portas fechadas, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, teme o impacto das revelações na montagem das alianças para as eleições municipais de 2024. (Estadão)

No dia seguinte à soltura de Cid, Bolsonaro foi às redes sociais. Em vídeo, disse que as frases que mais ouve no meio do povo são: não desista, Deus te abençoe e estamos orando por você. (Poder360)

Augusto Aras se manifestou contra a delação. Afirmou ao STF que não concorda com colaborações fechadas pela Polícia Federal, mas sim pelo Ministério Público Federal. Para auxiliares de Lula, conta Guilherme Amado, Aras sinalizou que tem lado e não tem condições de agir “de maneira independente” como procurador-geral da República. E acabou com suas chances de ser reconduzido ao cargo. (Metrópoles)

A colaboração premiada faz parte da legislação penal há décadas, mas ganhou expressão no âmbito da Lava-Jato, sendo alvo de críticas. A libertação pós-delação é o ponto mais criticado. (Estadão)

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Com um texto vago sobre a Guerra da Ucrânia e discussões sobre questões climáticas, pedidos retóricos de reforma da ONU e organismos multilaterais, a 18ª cúpula do G20 chegou ao fim ontem em Nova Délhi, na Índia. Lula recebeu simbolicamente a presidência do bloco do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, já que o posto só passa de fato para o Brasil em 1º de dezembro. Em seu discurso de encerramento, Lula disse que não se pode deixar que “questões geopolíticas sequestrem a agenda de discussões das várias instâncias do G20” e cobrou união do bloco. A declaração final do encontro, que não contou com a participação dos presidentes russo e chinês, Vladimir Putin e Xi Jinping, condena o conflito, mas não faz menções diretas a Moscou. Também expressa que o G20 não é o fórum adequado para resolver questões geopolíticas, embora enfatize as consequências econômicas globais do conflito. Lula, mais uma vez, não escapou da polêmica. Ele afirmou que, se Putin visitasse o Brasil, não seria preso. E foi criticado. O presidente não explicou como isso ocorreria, já que o Tribunal Penal Internacional determinou a busca e detenção do líder russo e o Brasil é um dos seus integrantes. (Poder360)

O último dia da cúpula foi cheio para Lula, que se encontrou com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o príncipe saudita Mohammed bin Salman, que presentou Bolsonaro com joias milionárias e é acusado de mandar matar o jornalista Jamal Ahmad Khashoggi no consulado do país em Istambul, em 2018. Segundo o governo brasileiro, os dois trataram de Brics e investimentos sauditas. E Lula não recebeu presentes do príncipe herdeiro. A Macron, Lula reforçou o convite para visitar o Brasil e reforçou os pontos necessários para a aprovação do acordo Mercosul-União Europeia. (UOL)

À margem do encontro, Brasil, Índia e Estados Unidos lançaram a Aliança Global de Biocombustíveis, que reunirá 19 países e 12 organizações internacionais, para aumentar a produção e o consumo global principalmente de etanol. O objetivo é ajudar a zerar emissões nos transportes e garantir segurança energética. (Exame)

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Ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski afirmou em entrevista ao Globo que é contra o sigilo dos votos da Corte. “Entendo que as críticas que a sociedade dirige ou ao Supremo ou a um juiz em particular permitem inclusive que ele veja como a sociedade está reagindo às suas decisões e, eventualmente, se for o caso, corrija o rumo”, disse. Também defendeu que os magistrados tenham mandatos de 10 ou 12 anos, em vez do modelo atual, de aposentadoria compulsória aos 75 anos. “A periodicidade é uma regra na República. Então, se nós imaginarmos que alguém pode entrar com, teoricamente, 35 anos em um tribunal superior e sai com 75, são 40 anos, é quase que uma aristocracia.” (Globo)

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O Cidadania tem um novo presidente: Plinio Comte Bittencourt. No último sábado, o partido, que por mais de 30 anos foi liderado pelo ex-deputado Roberto Freire, decidiu afastá-lo. Em meio a uma divisão sobre apoio ao governo, as divergências se aprofundaram neste ano. Freire era contra o apoio a Lula. “Comunico minha saída da Direção Nacional. Desnecessário dizer que é irrevogável. Encerro, assim, uma longa vida neste partido, o único desde o PCB nos idos de 1962 do século passado”, disse em nota. (Carta Capital)

Mentor de Ciro Gomes, o filósofo Roberto Mangabeira Unger surpreendeu ao pedir a desfiliação do PDT por discordar do alinhamento “passivo” do partido com o governo, apesar da falta de um projeto para o Brasil. Ao Estadão, o professor de Direito da Universidade Harvard e ex-ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência em Lula 2 (2007) e Dilma 2 (2015) disse que o governo repete um modelo que impede o avanço do país, casando o “pobrismo”, distribuindo “esmolas” em programas assistenciais, com o “rentismo”, domínio dos interesses financeiros sobre a produção. “Não há qualquer indício de um projeto nacional produtivista e capacitador, e o presidente se refugia viajando no estrangeiro em projetos de vaidade pessoal.” (Estadão)