quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Lula indica para STJ apadrinhados de Rodrigo Pacheco e Camilo Santana, FSP

 Julia Chaib

BRASÍLIA

O presidente Lula (PT) decidiu nesta quarta-feira (6) indicar os desembargadores Afrânio Vilela, de Minas Gerais, e Teodoro Santos, do Ceará, para duas vagas no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Eles eram apadrinhados por políticos de seus estados, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o ministro da Educação e ex-governador cearense, Camilo Santana.

Fachada da sede do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília
Fachada da sede do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília - Pedro Ladeira - 28.ago.2023/Folhapress

A indicação foi confirmada à Folha por integrantes do governo que acompanham a escolha.

Lula fez a definição a partir de uma lista quádrupla votada pelos ministros do STJ com nomes dos Tribunais de Justiça dos estados e do Distrito Federal para as duas vagas na corte.

Ficaram de fora Carlos Von Adamek, de São Paulo, e Elton Leme, do Rio de Janeiro. O principal padrinho de Adamek era o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli. Já o de Elton Leme era o ministro do STJ Luis Felipe Salomão.

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O STJ tem 33 ministros. Na última semana, Lula já havia indicado a advogada Daniela Teixeira para uma vaga no tribunal —ela era a única mulher na lista de três nomes da advocacia pré-selecionados pelos ministros da corte.

Após a indicação pelo presidente, os nomes ainda precisam de aprovação pelo Senado.

Afrânio Vilela tem 62 anos, nasceu em Ibiá (MG) e é formado pela Universidade Federal de Uberlândia. É desembargador desde 2005. Já havia integrado listas para o STJ em outras duas ocasiões, em 2013 e em 2015, mas não foi indicado.

Vilela não era o principal candidato do presidente do Senado para o STJ, e sim o ex-assessor de Pacheco Luís Cláudio Chaves, que disputou o assento destinado a integrantes da advocacia.

Ele chegou a figurar na lista sêxtupla formada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), mas ficou de fora da relação de três nomes eleitos pelo STJ para ser enviada ao chefe do Executivo.

No último dia 29, Pacheco e Lula chegaram a se reunir no Palácio da Alvorada, quando o presidente do Senado defendeu o nome de Vilela para o STJ.

Já Teodoro Santos tem 65 anos, é natural de Juazeiro do Norte (CE) e formado na Unifor (Universidade de Fortaleza).

Na disputa, além do apoio de Camilo, pesou favor dele o fato de ser o único nordestino na corrida. Além disso, ele é negro, o que ampliaria a diversidade num tribunal composto majoritariamente por homens brancos.

No entanto, seu nome é associado ao do ex-ministro Cesar Asfor Rocha, que exercia liderança no STJ no período em que Lula amargava derrotas no tribunal.

O tribunal tem um total máximo de 33 ministros. Se Daniela for confirmada pelo Senado, 7 deles serão mulheres e 26, homens.

Desde que entrou na competição para ocupar uma vaga no tribunal oriunda da classe dos advogados, Daniela era vista como favorita, devido ao seu bom trânsito tanto na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) como no governo do PT.

A indicação da advogada ocorreu em meio a um aumento na pressão no presidente pela manutenção de ministras no primeiro escalão de seu governo, e, sobretudo, na vaga de Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A ministra completa 75 anos em outubro, idade-limite para ser integrante do Supremo, e irá se aposentar ainda no mês de setembro.

A sinalização do presidente, até o momento, é de que a preferência é por um indicado próximo a ele, como o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, ou o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas.

Casa de Portugal em São Paulo se moderniza com as celebrações da democracia, FSP

 No centro de São Paulo, no início da Liberdade, existe um lugar que todos sabem onde fica, mas poucos sabem o que realmente é: a Casa de Portugal.


Fundada em 1935, a "casa" levaria 20 anos para se instalar no majestoso solar talhado em granito, dizem que inspirado pelo gênio revolucionário do arquiteto português Ricardo Severo, responsável por projetos de impacto como a Faculdade de Direito do largo São Francisco.

Desde a sua fundação, a Casa se afirma "a" instituição da comunidade luso-brasileira e, também por isso, no melhor e no pior, vai influenciar decisivamente a opinião que os paulistas têm das gentes da terrinha. De Eusébio a Ronaldo. De Zambujo a Leal.

Monumento Padrão dos Descobrimentos em Belém, Lisboa, visto a partir do Rio Tejo
Monumento Padrão dos Descobrimentos em Belém, Lisboa, visto a partir do Rio Tejo - Patrícia de Melo Moreira - 3.set.23/AFP

O atraso estrutural em relação à Europa, vítima de seu fascista e anacrônico Estado Novo (1928-1974), ajudou a sedimentar a história, mas a caricatura antiquada e a piada fácil também se devem à ditadura brasileira que, como todas as ditaduras, aprecia gestas toscas, frágeis e longínquas.

Em política, percepção é tudo. Como a redemocratização no Brasil ocorreu em um momento bem mais moderno (1985) que a Revolução dos Cravos (1974), esse discurso acabou perdurando no tempo, e o ranço com que o brasileiro comum fazia a piada de português até depois da primeira década do século 21 se devia fundamentalmente a muita desinformação e ainda maior desconhecimento.

O Portugal europeu — seguro, moderno, escolarizado, culturalmente rico e sofisticado, liderante em tecnologia, capaz de albergar eventos de dimensão global e de se tornar um dos mais reconhecidos destinos do mundo— continuou invisível por mais uns anos.

Mas hoje tudo é diferente. Andando pelas ruas, nos táxis e em edifícios públicos, falando com homens de negócios, políticos, servidores, estrelas de televisão, autores, atores, poetas e escritores (até você aí lendo este texto), nos deparamos quase unanimemente com a mesma sentença: eu amo Portugal.

Na última década o Brasil descobriu este Portugal diferente. Filho da Revolução dos Cravos, ele hoje é um lugar desejado por cada vez mais brasileiros. Fazendo jus ao seu legado, a mesma Casa de Portugal que representou essa imagem anacrônica hoje se prepara, de novo, para ser futuro.

Antecipando o ano das celebrações dos 50 anos da conquista da democracia portuguesa, a Casa inaugura um inovador ciclo de debates. Na mesma mesa, o escritor Tom Farias, biógrafo de Carolina Maria de Jesus, e o representante do Estado de Portugal em São Paulo, o embaixador António Pedro Rodrigues da Silva, vão conversar sobre o futuro comum dos povos da língua portuguesa.

No Brasil o futuro se encontra. Esta conversa (11/9), que ocorre na mesma semana em que o governo brasileiro regulamenta a concessão de visto de autorização de residência a nacionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, também marca uma nova era na relação com Portugal. Belos tempos se anunciam para as austeras colunas sonhadas por Severo.