sábado, 10 de dezembro de 2022

Candidato a AGU tenta convencer Lula com proposta de buscar recursos para a União, FSP

 

SÃO PAULO

Postulante ao cargo de advogado-geral da União, Anderson Pomini deve se encontrar na próxima semana com Lula (PT). Ele conta com a ajuda de Geraldo Alckmin (PSB), de quem é próximo.

O advogado eleitoral pretende expor a proposta de fazer com que a AGU venda no mercado privado as dívidas de grandes devedores com a União.

Instituições financeiras que as comprassem poderiam cobrar de modo mais ágil que o governo federal, segundo essa ideia, que precisaria da aprovação de um projeto de lei para ser implementada.

O advogado eleitoral Anderson Pomini
O advogado eleitoral Anderson Pomini - Divulgação

Pomini integrou o grupo que participou das articulações para que Alckmin fosse o candidato a vice. Ele tem procurado o apoio de ministros do Supremo Tribunal Federal e de membros da equipe de transição do governo eleito.

E conta com o apoio aberto de paulistas como o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ricardo Anafe, e o procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo.

Antes, ele foi secretário municipal de Justiça em São Paulo, na gestão de João Doria (à época no PSDB).

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Atualmente, Jorge Messias, que foi assessor da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e é procurador da Fazenda Nacional, é o mais cotado para o posto de advogado-geral da União.

Falta um Modric no Brasil, Tostão, FSP

 As Copas do Mundo atingem dimensões extraordinárias. Detalhes importantes e outros sem nenhuma importância são supervalorizados. Qualquer idiotice se torna uma grande notícia. É também um espetáculo, um teatro lúdico, um retrato dos sentimentos e das contradições humanas.

O Mundial é ainda uma afirmação do orgulho nacional. A derrota brasileira é tratada como uma tragédia, como se fosse mais grave que a violência, a miséria e o baixíssimo índice de desenvolvimento humano (IDH), flagelos que há muito tempo assolam o país.

Perder, quando se tem condições de vencer, como foi o caso do Brasil, é como uma obra inacabada de um escritor, de um músico, de um pintor, embora algumas criações artísticas que não terminaram e algumas derrotas em Copas do Mundo sejam reverenciadas para sempre, como a da seleção húngara de 1954, a holandesa de 1974 e a brasileira de 1982. Não é o caso da atual seleção. O time é bom, melhor que a Croácia, mas não é para ser eternizado.

Modric à frente de Neymar durante vitória da Croácia sobre o Brasil, pelas quartas de final da Copa do Mundo - Annegret Hilse - 9.dez.22/Reuters

Uma grande equipe precisa unir o domínio da bola e do jogo no meio-campo, com muita troca de passes, símbolo do jogo coletivo, como faz a Croácia, com a agressividade e os dribles dos meias e atacantes brasileiros, símbolos do talento individual.

Por isso, por ter as duas qualidades em altíssimo nível, o Real Madrid é o campeão da Europa. Assim, era o Santos nos anos 1960, um time que cadenciava no meio-campo e acelerava no ataque, dentro das características da época. A principal razão do 7 a 1 foi o total domínio do meio-campo pelos alemães.

O Brasil não tem, há décadas, um craque meio-campista, como Modric, que atua de uma intermediária à outra. Não tem, porque, nos últimos tempos, se preocupou em formar muito mais jogadores hábeis, velozes e de ataque do que construtores e pensadores do jogo. Vinícius Júnior disse que aprendeu a dar o passe e o chute de trivela, de curva, com a parte externa do pé, com Modric, que deve ter aprendido com alguém, que deve ter aprendido com Didi, na Copa de 1958.

Evidentemente, muitas coisas importantes aconteceram durante a partida contra a Croácia. Não gostei da substituição de Vinícius Júnior, que não se destacava porque o Brasil não tinha bola e porque ele não tinha a ajuda do lateral. Gostaram tanto dos pontas, que esqueceram do meio-campo e das jogadas ofensivas e das tabelas pelo centro, à exceção do belíssimo gol de Neymar, em tabela com Paquetá.

Casemiro ficou sozinho no meio-campo, contra três croatas bons de bola, já que Paquetá avançava, os pontas estavam sempre abertos e Neymar é um meia-atacante.

Mapa de calor de Neymar na Copa do mundo do Qatar 2022
Mapa de calor mostra em que lugares do campo Neymar atuou durante a Copa do Mundo de 2022 - Opta

Tite não deveria ter abandonado a opção de colocar um meio-campista e adiantar Paquetá, para formar dupla com Neymar mais à frente.

Os jogadores e o técnico devem ser criticados, desde que não sejam transformados em vilões. É apenas mais um jogo de futebol, mesmo sendo em uma Copa. Se Casemiro tivesse feito falta em Modric ou se a bola chutada não tivesse desviado em Marquinhos, provavelmente, Alisson defenderia. Detalhes previsíveis e imprevisíveis e acasos ajudaram a eliminar o Brasil. Agora, "Inês é morta".

Marrocos x França e Argentina x Croácia farão as semifinais. Messi passa todo o jogo à espera de receber uma bola entre o meio-campo e os zagueiros para decidir a partida, como tem feito.

A Copa continua, brilhante e com grandes emoções, como o jogaço na vitória da França sobre a Inglaterra, por 2 a 1, duas seleções claramente superiores ao Brasil.

Tite se despede com dois ótimos ciclos e duas Copas decepcionantes, FSP

 Marcos Guedes

SÃO PAULO

São muito bons os números gerais de Tite, 61, na seleção. Contratado em 2016, para levantar um time em apuros após o adeus desastroso de Luiz Felipe Scolari e a má passagem de Dunga, Adenor Bacchi permaneceu seis anos como o técnico do Brasil, com 60 vitórias, 15 empates e 6 derrotas. O aproveitamento é de 80,2%, com média de 2,15 gols marcados por jogo e excepcional 0,37 sofrido.

Os grandes objetivos, no entanto, não foram alcançados.

Em dias infelizes da equipe, com decisões questionáveis do comandante, a caminhada na Copa do Mundo acabou duas vezes nas quartas de final. Em 2018, na Rússia, a Bélgica surpreendeu com alterações táticas na escalação e venceu por 2 a 1. Na última sexta-feira (9), no Qatar, erros estratégicos cobraram alto preço no empate por 1 a 1 com a Croácia, seguido de derrota nos penais.

Tite gesticulou, mas não evitou mais um fracasso nas quartas - Gabriel Bouys - 9.dez.22/AFP

Como havia ocorrido há quatro anos, o treinador procurou, à sua maneira, com o cuidado de não usar esta palavra, creditar o revés ao imponderável. "O futebol te permite um chute desviado, na única finalização [do adversário], e o teu goleiro não fazer nenhuma defesa durante o jogo", afirmou.

De fato, de acordo com dados da empresa de dados esportivos Opta, os croatas só acertaram uma bola na meta de Alisson, que não reagiu com a agilidade necessária para impedir o gol, já no final da prorrogação. Mas Tite não conseguiu explicar por que o veterano meio-campista Modric, 37, conseguiu ditar o ritmo de porções significativas da partida em Doha.

O treinador também se recusou a admitir as péssimas escolhas adotadas por seus jogadores no lance em que os croatas buscaram o empate, aos 12 minutos do segundo tempo extra. Até Neymar observou o óbvio: atacar com seis homens, vencendo, a três minutos das semifinais da Copa, não foi uma escolha particularmente inteligente.

É possível que proteger os atletas tenha sido uma das motivações da truncada análise que ofereceu sobre o lance, mas a dificuldade em assumir erros acompanha o competente treinador ao longo de sua carreira. Algo que se repetiu no Qatar, na tentativa de justificar uma convocação desequilibrada, mesmo com a inédita possibilidade de levar 26 jogadores ao Mundial.

Foram nove atacantes, apenas quatro zagueiros e três laterais aptos a jogar partidas de verdade. Daniel Alves, 39, só esteve em campo quando o duelo não valia nada –contra Camarões, na primeira fase, com a classificação assegurada– ou quando o dia estava resolvido –entrou contra o Coreia do Sul, no segundo tempo das oitavas de final, com o placar em 4 a 0.

No momento crucial, sua presença em campo não foi nem cogitada. Chamado pela boa relação com os companheiros, viu do banco a seleção ser escalada com improvisações nas duas laterais: a direita ficou foi ocupada pelo beque Éder Militão; a esquerda ficou com o lateral direito Danilo. Se não era fácil prever as lesões que atrapalharam a caminhada, preparar-se para elas estava ao alcance.

Claro, a história seria outra se o chute de Petkovic não tivesse sido desviado em Marquinhos. Se Alisson tivesse exibido maior rapidez para reagir a uma bola que não era indefensável. Se Casemiro tivesse percebido que é melhor estar suspenso das semifinais do que eliminado da Copa –ele teve a chance de fazer a falta em Modric, o que provavelmente lhe renderia cartão e gancho automático.

A eliminação de 2018, como quase todas, também teve os seus "se". Fernandinho, como Casemiro, teve oportunidade de parar um contra-ataque e preferiu não o fazer. Renato Augusto teve nos pés a bola do empate e falhou. Mas a Bélgica –que surpreendeu Tite com Lukaku aberto e De Bruyne adiantado– já tinha construído boa vantagem. Quando o Brasil reagiu, era tarde.

Na ocasião, como agora, o gaúcho evitou apontar erros próprios. Disse que o goleiro belga "Courtois estava iluminado", reclamou de pênalti em Gabriel Jesus (em quem insistiu até o fim, como fez nas últimas semanas com Raphinha, apesar do nível decepcionante) e voltou a falar de azar. Do jeito Tite. Sem usar essa palavra. "Não gosto de falar em sorte...", declarou. "Futebol tem o aleatório."

O trabalho, porém, era sólido. Contratado por causa de seu histórico retrospecto no Corinthians, o técnico assumiu a seleção na sexta colocação das Eliminatórias para o Mundial –após um fracasso com Dunga na primeira fase da Copa América de 2016– e a levou à Rússia como primeira colocada do classificatório sul-americano.

Por isso, tornou-se o primeiro treinador do time nacional a ter o contrato renovado depois de perder uma Copa do Mundo desde 1978. Respondeu com o título da Copa América de 2019, o vice da Copa América de 2021 e a melhor campanha da história das Eliminatórias da América do Sul no formato de pontos corridos, com incríveis 88,2% de aproveitamento em 17 jogos.

Nessa caminhada, virou também o técnico com maior tempo ininterrupto à frente da seleção: 2.290 dias entre a estreia, um triunfo por 3 a 0 sobre o Equador, fora de casa, pelas Eliminatórias, e o fracasso diante da Croácia. E chegou ao Qatar com a expectativa de brigar pelo título, com uma equipe temida.

A lesão de Neymar logo na primeira partida começou a atrapalhar os planos. O atacante de 30 anos voltou para o mata-mata, mas com evidentes limitações devido ao problema no tornozelo direito. Com o craque inteiro, a história poderia ter sido diferente? Mais um "se" para o técnico, que, em Copas, não tem mais do que as quartas de final para mostrar.