sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Sem-teto querem ocupar hospital no centro, FSP

 HABITAÇÃO

Prédio, que permanece desativado desde 1992, recebeu visita de engenheiros da Secretaria de Habitação
Sem-teto querem ocupar hospital no centro

MARCELO OLIVEIRA
da Reportagem Local

Os 180 sem-teto que estão alojados há 15 dias em uma escola estadual na Vila Talarico (zona leste de SP) querem se transferir para o hospital 21 de Abril, no Brás (região central). Eles foram levados para a escola depois de terem invadido o prédio da Secretaria da Fazenda, na rua do Carmo.
O hospital 21 de Abril, fundado em outubro de 1940 por uma associação de médicos, está fechado desde 1992, quando os acionistas resolveram encerrar suas atividades devido às dívidas acumuladas após atrasos no recebimento de verbas públicas.
"Dependíamos do Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social), que atrasava o repasse. Não recebi o que tinha que receber e resolvi fechar", diz o administrador Liyoiti Matsunaga, 60, acionista do hospital e responsável pelo prédio.
Segundo Matsunaga, o prédio foi visitado há três semanas por engenheiros e arquitetos que se identificaram como sendo da Secretaria da Habitação, sem dizer se do Estado ou município, que foram verificar as condições do hospital.
O prédio tem 75 quartos tipo apartamento, que têm o dormitório, sala, banheiro e um closet.
O hospital, que tem quatro andares, 8.000 m2 de área construída e ocupa um terreno de 4.000 m2, tem também 15 enfermarias coletivas que poderiam ser adaptadas.
Matsunaga sugere que a cozinha e a lavanderia do hospital sejam transformadas em dependências comunitárias. "Isso aqui viraria um flat, com comida e roupa lavada. É só o Estado, ou quem for, pagar o quanto vale."
Matsunaga não revela qual o preço mínimo pelo qual os acionistas do hospital querem vendê-lo. "Não divulgo para não atrapalhar futuras negociações."
Desejo antigo
Segundo a UMM (União dos Movimentos por Moradia), o prédio vem sendo sugerido para projetos habitacionais desde que foi fechado.
A advogada Michael Mary Nolan, que defende a ULC (Unificação das Lutas de Cortiços), movimento responsável pelos sem-teto que estão na escola, diz que a proposta de adaptar o hospital para alojamento de encortiçados despejados é antiga.
"Desde o início da invasão do prédio da rua do Carmo (em junho), temos proposto o hospital como alojamento, não só para o pessoal da ULC, mas para pessoas despejadas."
A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) não está mais negociando a questão com a ULC por ela ter se recusado a aceitar a transferência dos sem-teto da escola para o Cetren (Centro de Triagem e Encaminhamento).

A herança do hipódromo na Mooca, Saõ Paulo Antiga, Blog

 O hipódromo de São Paulo deixou definitivamente a Mooca em 1941, com a inauguração de um novo, na Cidade Jardim, em 25 de janeiro daquele ano.

Arquibancada do extinto hipódromo da Mooca (sem data)Entretanto, até hoje, o bairro da zona leste paulistana possui lembranças e símbolos do passado de corridas e competições que marcaram a região, tanto pelo Club de Corridas Paulistano e posteriormente pelo Jockey Club de São Paulo.

Vamos conhecê-las ?

A história do hipódromo de São Paulo começa em 1876, quando o local foi inaugurado oficialmente. O acontecimento marcaria uma profunda evolução nas corridas de cavalo na capital paulista, até então marcadas por eventos amadores e sem uma praça esportiva específica.

ReproduçãoUm grande área na Mooca foi escolhida para receber o nosso primeiro hipódromo. Estet erreno de boa localização era próximo da linha férrea da Central do Brasil (hoje CPTM).

O mapa abaixo mostra onde foi erguido o hipódromo:

Mapa dos arredores do hipódromo em 1913 (clique para ampliar)
Mapa dos arredores do hipódromo em 1913 (clique para ampliar)

O hipódromo trouxe muita movimentação e desenvolvimento para a até então tranquila Mooca. A cada evento ocorrido ali, a sociedade paulistana se deslocava até o bairro para manhãs e tardes agradáveis de competições de cavalos.

Chegavam de trem, carruagens, carros ou bondes (dependendo da época), homens trajando ternos elegantes e usando cartolas, além de mulheres com vestidos finos e charmosos. Cada corrida era um evento único da sociedade paulistana para ver e ser visto.

As corridas de cavalo eram eventos super concorridos.
As corridas de cavalo eram eventos super concorridos.

O auge do hipódromo da Mooca chegaria na primeira metade da década de 1930, quando as corridas de cavalo atingiram seu ápice e o local das competições passou a ser considerado pequeno para as atividades cada vez mais crescentes do Jockey Club de São Paulo.

Nesta época começou a ser discuta a construção de um novo hipódromo, onde seria aplicado o projeto desenhado por Fábio Prado. A área escolhida inicialmente foi o Ibirapuera, porém a doação de uma área de 600 mil metros quadrados pela Companhia Cidade Jardim, mudou os rumos do novo local.

Em 25 de janeiro de 1941 o novo hipódromo foi inaugurado, colocando um ponto final na velha arena de cavalos da Mooca.

Corrida no Hipódromo da Mooca, década de 1930
Corrida no Hipódromo da Mooca, década de 1930

Com a demolição do antigo hipódromo e tendo passado mais de 70 anos da inauguração do novo, em outro bairro da cidade, seria natural que não existissem mais rastros das atividades hípicas naquela região da Mooca. Entretanto, um breve passeio pelos arredores da área onde estava o primeiro hipódromo paulistano pode revelar descobertas interessantes, especialmente relacionadas a nomenclatura de ruas. Vamos conhecê-las ?

RUA DO HIPÓDROMO:

clique na foto para ampliar
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Quando pensamos numa rua que lembra o passado hípico do bairro, a primeira que vem a cabeça de todos é a rua do Hipódromo. Elo entre o Brás e a Mooca a rua é a de mais fácil assimilação a história.

Apesar do nome, ao contrário do que muitos pensam, a rua não terminava no hipódromo, mas sim a um quarteirão de distância. A via que dava acesso as dependências do antigo hipódromo de São Paulo era a rua Bresser.

Peca muito o poder público por não colocar alguma identificação sobre o que foi ali no passado, seja na rua do Hipódromo ou mesmo na rua Bresser

RUA MARCIAL

Rua Marcial (clique na foto para ampliar)
Rua Marcial (clique na foto para ampliar)

Quando lembramos da Mooca, lembramos de Juventus e do Cotonifício Crespi. Esses dois ícones do bairro foram fundados pela mesma pessoa, o Conde Rodolfo Crespi.

Mas engana-se quem pensar que a principal paixão do conde era o futebol. O que o conde amava mesmo eram as corridas de cavalo. E dois de seus cavalos estão imortalizados em ruas do bairro. Um deles, nesta aqui.

OESP 16/06/1919
OESP 16/06/1919

Elo entre a rua dos Trilhos e avenida Cassandoca, a rua Marcial foi batizada com este nome após 1915 (observe que no mapa do início do texto, de 1913, ela ainda não existia) e faz homenagem a Marcial, um dos famosos cavalos do Conde Rodolfo Crespi.

Marcial(*) foi um dos mais importantes cavalos paulistanos da última década do século 19 e teve seu auge na pista entre os anos de 1894 e 1896. Em 1897 foi aposentado das corridas e levado para a cidade de Santos.

A rua Marcial além de ser batizada com o nome de um dos mais importantes cavalos do conde, era bastante conhecida por ser uma rua para compra e venda de equinos de puro sangue. Não era raro encontrar anúncios nos jornais paulistanos vendendo os animais naquela rua, que na época estava a apenas um quarteirão de distância do hipódromo.

Os cavalos se foram, mas o nome da rua foi perpetuado.

(*) Na década de 1940 outro cavalo com este nome fez sucesso no hipódromo, mas sem relação com esta rua ou com o Conde Crespi.

RUA ITAJAÍ

Rua Itajaí e as cocheiras (clique na foto para ampliar)
Rua Itajaí e as cocheiras (clique na foto para ampliar)

Esta rua não tem nenhum nome ligado a cavalos, mas é nela que está a mais viva lembrança do extinto hipódromo da Mooca.

Na foto acima é possível ver as antigas cocheiras do hipódromo. O local que por décadas abrigou inúmeros cavalos e éguas, hoje pertence à Prefeitura de São Paulo. Ali funciona a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

Apesar de tantos anos já terem passado, o local permanece muito parecido ao que era quando a cocheira funcionava.

RUA JAVARI

É na rua Javari, famosa por ser o endereço do estádio do Clube Atlético Juventus, que está a mais bela e pouco conhecida lembrança do passado hípico da Mooca.

Observando a imagem abaixo, de uma das antigas entradas do Cotonifício Crespi, parece que não há nada de mais, correto ?

Rua Javari (clique na foto para ampliar)
Rua Javari (clique na foto para ampliar)

Porém basta observar mais de perto, entre os galhos da árvore, que uma espécie de brasão surge entre as folhagens. Veja mais de perto:

clique na foto para ampliar
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Fixado sobre o portão de entrada, o que parece ser um brasão é na verdade um medalhão. Ignorado pela grande maioria das pessoas que passam diariamente pela rua Javari, está ali a mais bela homenagem a um cavalo que correu no antigo hipódromo da Mooca.

clique na foto para ampliar
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Instalado em meados da década de 1920, o medalhão é uma homenagem ao cavalo Mehmet Ali. Em 1925 este cavalo protagonizou uma corrida emocionante no hipódromo contra um de seus mais importantes adversários. A peleja entre ambos foi muito disputada e acabou com um incrível e raro empate entre dois cavalos.

Correio Paulistano 07/12/1925
Correio Paulistano 07/12/1925

O feito foi bastante comentado pelos espectadores do turfe e também nos jornais da época pelo seu ineditismo. Maravilhado com o desempenho do cavalo, o Conde Rodolfo Crespi mandou colocar o medalhão na entrada da fábrica, onde está até os dias de hoje.

RUA HÍPIA

Rua Hípias (clique para ampliar)
Rua Hípias (clique para ampliar)

Esta rua não ia ser citada aqui, mas resolvemos colocá-la porque muitos escrevem perguntando sobre o real significado do nome dela.

Há quem costume dizer que a rua Hípia tem este nome devido a alguma relação com o extinto hipódromo. Falam, inclusive, que o nome homenageia um outro cavalo famoso. Aqui vamos desfazer este mal entendido.

Apesar de estar muito próximo as antigas cocheiras e também do extinto hipódromo, esta rua recebeu este nomenclatura da prefeitura paulistana em novembro de 1920. O nome faz homenagem ao pensador grego Hípias de Elidas, que viveu no século V a.c.

Passado tanto tempo que o hipódromo deixou a Mooca, podemos dizer que a Mooca nunca deixou o hipódromo. Todas estas ruas com nomes em referência ao hipódromo, a antiga cocheira, e o medalhão de Mehmet Ali são resquícios importantes da história do bairro e que devem ser preservados.

Seu bairro tem alguma rua de nome curioso que te deixa intrigado ? Mande aqui para nós fazer uma pesquisa.

PSDB deve perder comando do Sebrae com Tarcísio e ser compensado com cargos, FSP

 

SÃO PAULO

A tentativa do PSDB de São Paulo de se perpetuar no comando do Sebrae de São Paulo durante o futuro governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) não deve prosperar.

No entanto, o partido deve ser contemplado com dezenas de cargos na estrutura da instituição, uma das preocupações dos tucanos na briga para que Marco Vinholi, presidente estadual do PSDB, continuasse como diretor-superintendente da instituição.

Segundo apurou o Painel, negociações no conselho do Sebrae-SP definiram que o conselho deve eleger na próxima quarta-feira (14) Nelson Hervey para a posição de diretor-superintendente. Ele é ligado a Guilherme Afif Domingos, coordenador da transição de Tarcísio e aliado de Gilberto Kassab (PSD), que é o homem-forte do futuro governador.

Marco Vinholi, diretor-superintendente do Sebrae-SP e presidente do PSDB em SP, durante evento no Shopping Cidade Jardim
Marco Vinholi, diretor-superintendente do Sebrae-SP e presidente do PSDB em SP, durante evento no Shopping Cidade Jardim - Mathilde Missioneiro-1º.out.2019/Folhapress

Liderança histórica do Sebrae e das micro e pequenas empresas, Afif é crítico do que vê como uso partidário do Sebrae-SP por Vinholi por meio da distribuição de cargos e articulou para que o tucano não fosse reeleito para o posto de diretor-superintendente.

Vinholi e seus aliados tem pressionado Tarcísio e dito que a continuidade no comando do Sebrae havia sido acertada como retribuição pelo apoio do PSDB na disputa de segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

A solução encontrada pelos conselheiros do Sebrae foi a de colocar Vinholi na chapa como diretor técnico. Nessa função, ele terá dezenas de cargos de altos salários à disposição para indicar aliados a partir de 2023.

Com a perda de força do PSDB no estado e a derrota de Rodrigo Garcia (PSDB), uma das preocupações das lideranças paulistas da sigla é com a acomodação de tucanos que perderão espaço no Palácio dos Bandeirantes.