domingo, 29 de maio de 2022

Esqueça a geração Z: a geração que está emergindo é a da paralisia, Ronaldo Lemos, FSP

 Há algo de errado. O mundo tornou-se um lugar inóspito para jovens. Quem tem entre 15 e 35 não está em situação invejável, tanto do ponto de vista econômico como social.

Falta de emprego, ausência de perspectivas de mobilidade social e um vazio existencial crescente caractarizam um novo tipo de juventude. Esqueça termos marqueteiros como "millennials" ou "geração Z" que querem apenas vender algo ou dourar a pílula. A geração que está emergindo é na verdade a geração paralisia.

Luo Huazhong, who popularized the idea of adopting a more relaxed approach to life, taking a break in Jiande, China, June 18, 2021. Young people in China have set off a nascent counterculture movement that involves lying down and doing as little as possible. (Qilai Shen/The New York Times)
Luo Huazhong, que popularizou a ideia de um modo de vida mais relaxado, deitado no chão em Jiande, na China - Qilai Shen - 18.jun.21/The New York Times - NYT

O fenômeno é visível em várias partes. Por exemplo, a China está enfrentando o crescimento da geração chamada Tang Ping (躺平). O termo significa "ficar deitado" e se refere a um contingente de jovens cujo mote principal da vida é não fazer nada. A ideia é recusar-se a trabalhar ou a estudar e simplesmente deixar o tempo passar.

Um dos problemas é que essa postura tem sido adotada por jovens de 18 a 30 anos. Esse é justamente o momento em que a pessoa constrói relacionamentos e cria bases profissionais que podem servir de apoio para toda a vida.

O fenômeno agravou-se recentemente com o surgimento da geração Bai Lan (摆烂). O termo significa "deixar apodrecer". E indica exatamente isso, não só não fazer nada, mas também um desejo de que a condição de vida se degringole e saia dos trilhos.

O fenômeno não é específico da China. O Brasil tem lidado há anos com o problema da geração Nem-Nem, que nem estuda nem trabalha. No Brasil o número de integrantes dessa geração é o dobro dos países desenvolvidos, de acordo com dados da OCDE. Em 2020 havia cerca de 36% de pessoas na faixa entre 18 e 24 anos sem emprego e sem qualquer atividade educacional. Na média da OCDE esse percentual é de 15%.

Esse fenômeno leva a alienação, solidão, desagregação social e perda de sentido. Boa parte desse tempo livre pode ser ocupado por mídias sociais, considerando que essa geração não tem trabalho, emprego ou escola, mas tem sua capacidade de atenção intacta, podendo ser capturada por conteúdos digitais.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos com pessoas entre 23 e 38 anos revelou que 22% dos entrevistados afirmaram ter "zero amigos"; 27% afirmaram não ter nenhum amigo próximo e 30% afirmaram viver com um sentimento permanente de solidão.

Outra expressão também originária da China descreve uma outra dimensão desse fenômeno: "geração morango". Um contingente de jovens que busca se destacar ou ganhar a vida projetando sua imagem pessoal. Mas tal como um morango, podem ser bons de ver mas são fáceis de serem esmagados. Não possuem controle real nenhum.

Esse é o paradoxo. Em um momento de hiperconexão por meio de redes sociais, as pessoas estão mais do que nunca desconectadas. Quem interage com o feed de uma rede social na verdade interage com fantasmas. Nada daquilo diz respeito diretamente a você. É uma forma de comunicação que serve mais para iludir e desagregar do que criar laços humanos que sejam reais e duradouros.

Já era Geração X

Já é Millenials e Geração Z

Já vem Geração Alpha

O incrível projeto imobiliário de 2 bilhões de euros em Mônaco, Claudio Bernardes, FSP

 Mônaco, o segundo menor país do mundo, está realizando um dos maiores e mais ambiciosos empreendimentos imobiliários da Europa.

Portier Cove, atualmente denominado Mareterra, é um projeto concebido em um terreno de 60 mil metros quadrados recuperados dentro do mar.

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Portier Cove ou Mareterra é uma zona residencial em construção, prevista para 2025 - Renek78 / Wikimedia

Mais de 20 milhões metros cúbicos de areia siciliana foram importados para criar esse espaço, enquanto cientistas especializados trabalham ao lado da equipe de construção para proteger o delicado ecossistema marinho. Os cientistas rastreiam 70 dispositivos subaquáticos monitorando o impacto das obras no ambiente marítimo.

O traçado do projeto junto ao mar foi elaborado para seguir os contornos da linha da costa existente, de tal forma que as correntes marinhas não fossem perturbadas. A topografia do novo terreno foi projetada para ecoar o resto da paisagem. Uma colina está prevista na seção noroeste, e a área elevada terá um parque público no centro.

Avaliado em € 2 bilhões, esse projeto com término previsto para 2025 criará uma área com luxuosíssimas residências, jardins e espaços públicos, desenhada para acomodar cerca de 3.000 habitantes, e pretende ser o primeiro eco distrito do Principado.

Sistemas de tratamento de águas pluviais, estações de e-bike, painéis de energia solar e bombas térmicas garantirão que o consumo de energia esteja alinhado com o objetivo do Principado de ser completamente neutro em carbono até 2050. Juntos, o sol e o mar fornecerão 40% das necessidades energéticas do novo distrito.

Será utilizado um processo que captura de calorias no mar com estações de bombeamento. Essas calorias serão então transferidas para as bombas de calor. O aquecimento e resfriamento dos edifícios, que contarão com sete pisos subterrâneos, serão controlados 20 metros abaixo do nível do mar.

O empreendimento contará ainda com um parque público de 10 mil metros quadrados, com várias passarelas, tanto ao longo da costa como ao longo do distrito, que farão a ligação com as áreas existentes do Principado.

Como parte do complexo, serão erguidos, ainda, edifícios que oferecem escritórios e espaços comerciais, além de uma extensão do Fórum Grimaldi (centro de convenções).

Portier Cove fará parte do tradicional Bairro de Monte Carlo no Principado de Mônaco - Renek78 / Wikimedia

O projeto se integrará ao litoral existente do Principado, tanto estética quanto ambientalmente. A arquitetura paisagística foi projetada como uma continuidade do relevo existente, atualizado mais recentemente na década de 1950.

Desde o início, cada elemento do Portier Cove foi projetado com a máxima preocupação para limitar as intervenções no meio ambiente. Da avaliação e preparação do canteiro de obras, aos métodos de construção e práticas sustentáveis de fornecimento de energia e utilidades para os novos edifícios, cada aspecto foi cuidadosamente considerado para alcançar um método sustentável e ambientalmente equilibrado para um projeto desta escala.

O enorme custo de construção do projeto se deve em parte ao notável trabalho de engenharia. Além dos complexos aspectos relacionados com o aterro no mar, tecnicamente, há desafios como trabalhar em um espaço confinado e próximo a um porto totalmente operacional. Construir o projeto a partir do mar substituiu um local de construção típico baseado em terra, por uma fábrica flutuante.

Para além de habitação, está prevista em Portier Cove a instalação de edifícios administrativos e museus - Horizon06 / Wikimedia

Villas, casas e apartamentos projetados por Valode & Pistre e pelo arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker Renzo Piano, serão construídos para atender à demanda por propriedades de luxo em Mônaco. As residências oferecidas serão as mais modernas e luxuosas disponíveis na Riviera.

Essas exclusivas propriedades devem custar cerca de € 100.000,00 por m², o que é quase o dobro do preço médio dos imóveis nobres em Mônaco, que custam aproximadamente € 54.846,00 por metro quadrado.

O custo total do projeto é financiado por investidores privados, que acreditam no retorno de seu investimento em função do apelo internacional, da história glamourosa do Principado, e leis fiscais favoráveis.

Mônaco é um local altamente atraente para indivíduos de alta renda em todo o mundo e, portanto, adequado para a implantação de projetos desse tipo.

Colocar gente na rua é importante para proteção de Lula, diz coordenador, FSP

 

Em encontro com movimentos sociais na semana passada, o deputado federal Rui Falcão (PT), um dos coordenadores de comunicação da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que encher os eventos de campanha de apoiadores também é importante para a segurança do pré-candidato.

"Quanto mais gente colocarmos na rua, mais proteção o presidente Lula terá e menos espaço para aventureiros tentarem a sorte", afirmou.

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lado do ex-presidente do PT Rui Falcão. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) - Folhapress

Ele fez referência a um evento na casa do físico Rogerio Cerqueira Leite, em Campinas (SP), quando um grupo de moradores tentou impedir a entrada de Lula.

Ao Painel Falcão declarou que a campanha não quer criar pânico nem intimidar as pessoas. "É apenas uma coisa natural, Lula é uma pessoa muito visada. Ele conta com segurança profissional e naturalmente também o apoio da militância mais organizada", afirmou.