sábado, 18 de setembro de 2021

Nióbio da família Moreira Salles será usado em baterias de ônibus elétricos da Volkswagen, FSP

 


SÃO PAULO

Quem acompanha o noticiário político já deve ter ouvido o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falar sobre o nióbio e suas maravilhas. O uso político não ajudou a levar esse metal a sério, mas agora surge uma parceria que pode mudar essa história. A VWCO (Volkswagen Ônibus e Caminhões) anunciou nesta quinta-feira (16) que o elemento será usado nas baterias de seus veículos elétricos.

A produção está a cargo da CBMM, sediada em Araxá (MG), que é líder mundial na produção e comercialização de produtos de nióbio. A empresa, desde os anos de 1960, tem como controlador a família Moreira Salles, que também é acionista de companhias como Alpargatas e Itaú Unibanco. Os Moreira Salles têm 70% da CBMM. Os chineses controlam 15%, e os outros 15% pertencem a um consórcio formado por japoneses e sul-coreanos.

“A vantagem está na recarga ultrarrápida, o tempo pode cair de quatro horas para seis minutos”, diz Roberto Cortes, presidente da VWCO. “E tempo de parada vale dinheiro.”

Ferronióbio, principal produto da CBMM, empresa do clã Moreira Salles que explora nióbio
Ferronióbio da CBMM, empresa do clã Moreira Salles que explora nióbio - Acervo CVMM/Divulgação

A VW foi a primeira empresa a fabricar um caminhão elétrico no Brasil, o eDelivery, lançado em julho. Apesar do preço alto em relação aos modelos a diesel de mesmo porte —a versão 4×2 com 110 quilômetros de autonomia parte de R$ 780 mil—, há fila de espera pelo modelo. A montadora pretende dobrar a produção assim que o fornecimento de componentes permitir.

Mas o uso do nióbio viabiliza um sonho maior da VWCO. As novas baterias serão utilizadas nos futuros ônibus elétricos da empresa.

“A aplicação inicial será nos ônibus, a ideia é usar um sistema parecido com o pantógrafo para recarga”, afirma Cortes.

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Mas em vez de o equipamento permanecer ligado o tempo todo à rede elétrica, como ocorre nos trólebus, a conexão ocorrerá nos pontos finais de parada, onde as baterias do veículo serão reabastecidas.

A CBMM atua com produtos industrializados de nióbio, que não é um minério ou uma commodity. O elemento passa por diversos processos químicos e metalúrgicos até estar pronto para ser utilizado.

Segundo a empresa, o nióbio pode ser manufaturado a partir de minérios diversos, como pirocloro e columbita. O produto usado na bateria será o óxido de nióbio, com atuação complementar nas baterias de íon de lítio.

Ricardo Lima, vice-presidente da CBMM, explica que o metal substitui o anodo de carbono. Segundo o executivo, a troca elimina os riscos de superaquecimento e explosões, o que permite fazer recargas super-rápidas sem riscos.

Cortes diz que, embora a mudança encareça as baterias, a velocidade de reabastecimento vai reduzir a necessidade de um conjunto muito grande de baterias – o que por si só representará uma boa economia. Os veículos também ficarão mais leves, o que aumenta a capacidade de carga.

A tecnologia foi desenvolvida pela CBMM em parceria com a japonesa Toshiba. O primeiro protótipo começará a rodar em 2022 dentro da fábrica da VWCO, em Resende (RJ).

Lima diz que o nióbio não é um metal raro: há pelo menos 85 reservas conhecidas no mundo. A CBMM tem planos de expandir a operação para atender à indústria global. “Se pegarmos só as nossas reservas em Araxá, temos mais de 100 anos de vida útil.”

Hoje a empresa tem capacidade para produzir 150 mil toneladas de nióbio por ano, e a demanda estimada é de 120 mil toneladas em 2022. O elemento já é muito utilizado na siderurgia.

Uma das aplicações está na construção de carrocerias automotivas. Associado ao aço, o nióbio confere alta resistência com tenacidade, evitando que o componente seja partido ou deformado em caso de colisão, explica Lima.

Se não há ofertas de outras empresas à mesa, há grande chance de você estar fazendo besteira,Rodrigo Zeidan - FSP

 


“Mas por que não se candidatar para a vaga? Vale a pena ter uma opção, mesmo que você escolha voltar para o seu emprego público no Brasil. E, em relação a sua filha, o melhor é receber uma educação no Brasil ou na Europa? Onde é mais fácil virar cidadão global?” Em um restaurante em Madri, parte da conversa com um colega girou sobre como abrir oportunidades na carreira.

Opções têm valor, o que é ignorado por muita gente capacitada, que se entrega de corpo e alma ao seu emprego sem separar parte do tempo para criar planos de contingência. É praticamente obrigação, no moedor de carne que é o mundo corporativo, ter sempre duas ou três boas ofertas de emprego na mão.

O que acontece se você for demitido? Por que fazer um mestrado? Vale a pena vender o apartamento para fazer um curso em Harvard? Qual o tamanho das suas ambições?

Empresas voltam a ocupar os escritórios, agora no modelo hibrido: Funcionários da área de modelagem trabalham no amplo escritório azul da C&A - Eduardo Knapp - 20.jul.2021/Folhapress

Um dos melhores alunos que já tive veio me perguntar, quando estava para se formar, se ele deveria assumir a vaga no Banco Central, em um concurso que ele tinha acabado de passar.

“Você é tão brilhante que a opção do emprego no Bacen vai estar sempre disponível para você. Pense se não vale a pena arriscar, montando uma empresa com amigos, fazendo um doutorado no exterior, ou entrando como trainee em uma multinacional. Você vai decolar, independentemente das suas escolhas. Qual a vida que você quer levar?”

No final, ele escolheu a segurança do emprego público. Não deu outra. Em poucos anos, estava frustrado, porque era subutilizado na instituição, mas, a cada dia que passava, demitir-se para fazer outra coisa tinha custo cada vez maior.

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Uma vida como funcionário do Estado pode ser maravilhosa, desde que seja o resultado de ações planejadas, não somente medo de explorar o multiverso.

Não vivemos somente uma vida, mas sim várias. Em uma, você termina numa empresa global em Dubai. Em outra, como funcionário público em Florianópolis. Em uma, você se casou com o primeiro amor, em outra, continua buscando a pessoa certa, e em mais uma vive feliz solteiro.

A cada decisão relevante, bifurcamos nossa vida. Quando recusei oferta de emprego vitalício na melhor escola de negócios de Roma para renovar meu contrato por cinco anos na China, sabia que haveria o risco de me arrepender. Mas a escolha foi feita de olhos abertos e, desde então, mantenho contatos com colegas para sempre ter ofertas parecidas me rondando, se por alguma razão quiser abandonar a vida na China ou venha tomar uma rasteira.

Opções têm valor, mas você tem que estar sempre as construindo. Nas minhas últimas turmas de mestrado, perguntei quantos estavam lá como etapa de um planejamento de longo prazo. Entre 50 alunos, pouquíssimos responderam afirmativamente. Um dos meus orientandos teve muita dificuldade com sua dissertação, porque admitiu que entrou sem saber muito bem o que esperar.

"Deixa a vida me levar” faz sentido quando, em um país desigual como o Brasil, a única preocupação é a sobrevivência. Mas, se não é seu caso, você é dono da sua carreira. Se não há ofertas de outras empresas na sua mesa, há grandes chances de você estar fazendo besteira, mesmo que o plano principal seja ficar na mesma instituição por décadas.

Quem você quer ser quando crescer? Não é para responder a essa pergunta apenas aos 18 ou 20 anos, ao escolher qual curso seguir na faculdade. Seja aos 30, aos 40 e aos 50 anos, quem você quer ser quando crescer?