sábado, 17 de outubro de 2020

Raízen inaugura maior usina de biogás a partir de derivados da cana do mundo, FSP

 Marcelo Toledo

GUARIBA (SP)

Raízen, principal grupo sucroenergético do país, inaugurou nesta sexta-feira (16) a maior usina de biogás com produção a partir de derivados da cana-de-açúcar do mundo.

Instalada na usina Bonfim, em Guariba (a 339 km de São Paulo), a planta vai produzir o biogás por meio de vinhaça e torta de filtro, dois subprodutos da cana.

O projeto da planta de biogás foi iniciado em agosto de 2018 com o objetivo de diversificar o portfólio do grupo, que já incluía por exemplo a produção de etanol de primeira e segunda geração e cogeração de energia elétrica.

A usina tem capacidade para produzir 138 mil MWh por ano, o suficiente para abastecer uma cidade como Araraquara, de 238 mil habitantes. O plano é atingir essa capacidade na próxima safra de cana.

Desse total de energia gerada, 96 mil MWh serão vendidos dentro de um contrato negociado em leilão de 2016, no qual a Raízen foi a vencedora. O excedente poderá ser negociado no mercado livre ou outros contratos.

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A planta em Guariba é resultado de uma joint venture entre o grupo e a Geo Energética, que já opera uma planta no Paraná. Outras duas estão em desenvolvimento, conforme Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, o que mostra que é um mercado que aos poucos vai ganhar corpo no país.

“No Paraná, ela começou com 4 MWh e está indo para 16 MWh", disse Nastari

Segundo ele, o potencial é muito grande no setor sucroenergético, podendo alcançar três vezes o volume de gás que o Brasil importa da Bolívia.

“É uma importância extraordinária, apenas no setor sucroenergético [potencial de] 56 milhões de metros cúbicos/dia, o que é praticamente três vezes o volume de gás que o Brasil hoje importa da Bolívia, 20 milhões de metros cúbicos. Transformado em diesel equivalente, por que o biogás substitui o diesel, estamos falando de um potencial no Brasil de substituir 44% do diesel utilizado por biogás verde.”

Presidente da Raízen, Ricardo Mussa disse o grupo está entregando “tecnologia aliada à sustentabilidade por meio de uma das maiores plantas de biogás do mundo a partir de subprodutos do processo industrial”.

Com a mesma quantidade de cana será possível aumentar a produção de energia em até 50%, sem alteração na área plantada. Mil toneladas de cana produzem 50 MWh por meio do processo de queima da palha da cana, total que agora ganhará mais 25 MWh por meio da biodigestão de torta de filtro e vinhaça.

homem de camisa branca desce de escada de helicóptero, observado por três militares
O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante desembarque na Raízen, em Guaríba (SP) - Marcos Corrêa/PR

O resíduo resultante do processo de produção do biogás será usado como adubo “turbinado”, rico em potássio, fósforo e nitrogênio. A planta vai operar durante todo o ano, produzindo energia durante a safra a partir do processamento da vinhaça, e, na entressafra, a partir da torta de filtro processada.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou da inauguração e disse que a unidade é a materialização da capacidade de empreender do brasileiro.

Disse ainda, ao se referir ao ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), que a pasta não atrapalha a vida dos agricultores, ao contrário do que, segundo ele, ocorria no passado em órgãos como Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Bolsonaro disse que "o Ministério do Meio Ambiente não atrapalha a vida do empresário" e que seu governo "não cria dificuldades para vender facilidades".

O ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) disse que a planta vai contribuir com a segurança energética do país e também é um exemplo de como ter economia de baixo carbono.

“Essa usina de biogás é pioneira. Em face daquilo que a cana-de-açúcar representa para o país e para o setor energético, tem grande potencial para que isso venha a se multiplicar e possa não só atender a questão da energia mas tantas outras que dizem respeito ao combustível automotivo e complemento ao gás natural.”

Nastari disse que o avanço de usinas de biogás cria uma referência para o uso de resíduos orgânicos em várias áreas. “Não é só no setor sucroenergético. É aproveitamento de resíduos na área de frigoríficos, na área de resíduos de outras culturas, como soja, milho, trigo, arroz. É um potencial enorme, inclusive nos estados em que tem suinocultura, avicultura.”

A Raízen tem 26 unidades de produção de açúcar, etanol e bioenergia, com capacidade para moer 73 milhões de toneladas de cana. Na safra 2019/20, produziu 2,5 bilhões de litros de etanol e 3,8 milhões de toneladas de açúcar.

Durante a solenidade, nenhuma das 16 autoridades sentadas no palco usou máscaras, entre eles o próprio presidente e os ministros Albuquerque, Salles e Braga Netto (Casa Civil).

Bolsonaro e mais quatro políticos usavam camisas do XV de Piracicaba, time de futebol patrocinado pela empresa —a sede da Raízen fica em Piracicaba.

Poço de Búzios registra recorde de produção em setembro, ANP

 O poço 7-BUZ-10-RJS do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, registrou recorde em volume produzido de petróleo e gás natural no mês de setembro de 2020. No total, ele produziu aproximadamente 69,6 mil barris de óleo equivalente por dia, o maior volume já registrado por um único poço em toda a série histórica.


Dos 273 campos que produziram no mês de setembro, apenas 8 registraram volume superior ao do poço 7-BUZ-10-RJS. A produção nacional foi de 2,907 milhões de barris por dia de petróleo e 125,255 milhões de metros cúbicos de gás natural, totalizando 3,695 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
 
As informações podem ser consultadas no Painel Dinâmico de Produção de Petróleo e Gás Natural: http://www.anp.gov.br/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/paineis-di

Alvaro Costa e Silva O pós-turismo de Bolsonaro na 'Cancún brasileira', FSP

 Só comunistas, antipatriotas e maconheiros não admitem: em seu projeto de destruição ambiental, o governo é um sucesso. Bem encaminhados os desastres pantaneiro e amazônico, a sanha volta-se agora para o litoral de Angra dos Reis.

A repórter Ana Luiza Albuquerque revelou que Bolsonaro está de olho na ilha do Sandri, a maior entre as 29 que integram a Estação Ecológica de Tamoios, criada em 1990 como contrapartida à instalação de usinas nucleares na região e em cuja extensão é proibido ancorar barcos, desembarcar e fazer edificações.

A investida —que conta com a subserviência do prefeito Fernando Jordão (MDB)— é parte do plano para transformar Angra dos Reis na "Cancún brasileira". É um velho sonho do presidente: entupir a faixa litorânea de enormes hotéis e resorts com piscinas interligadas e réplicas do Hard Rock Cafe. A sensação do turista, com a cabeça entorpecida pelo reggaeton, é que está não no México, mas nos Estados Unidos. Dá até pena do lindo mar azul do Caribe.

Mas antes fosse só um sonho de jeca. Para variar, Bolsonaro está trabalhando para si mesmo: ele tem uma casa na pequena vila de Mambucaba, perto do centro de Angra. E, rancoroso, não esquece que, em 2012, foi multado por pesca ilegal nas águas da estação ecológica.

Sobre o maior problema de Angra dos Reis, a guerra entre traficantes e milicianos, o presidente não tem planos nem dá um pio. A Cancún à brasileira vai inaugurar o pós-turismo, com direito a tiroteios, sequestros relâmpagos e emboscadas.

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