quarta-feira, 4 de março de 2026

O preço da coerção- Deirdre Nansen McCloskey FSP

 Deirdre Nansen McCloskey

Eu já disse a vocês que nos Estados Unidos a palavra "liberal" significa, curiosamente, "de esquerda", como no socialismo moderado que muitos economistas defendem. E também observei que na América Latina, igualmente de forma estranha, às vezes significa "leis que favorecem exclusivamente os ricos, garantidas pelo Exército". Você sabe que uma liberal tradicional rejeita tanto a definição da esquerda quanto a da direita. Ela acredita que a coerção estatal foi longe demais. Na ArgentinaJavier Milei está implementando o tipo de liberalismo que ela prefere.

O verdadeiro liberalismo pode ser comparado com o estatismo de esquerda e de direita em um diagrama. Imagine alguma medida de progresso humano exibida no eixo vertical, a variável y. E imagine alguma medida de coerção estatal mostrada no eixo horizontal, a variável x. O progresso está sendo imaginado como uma "função" de quanta coerção o governo brasileiro ou norte-americano exerce.

Os liberais percebem que uma certa coerção por parte do governo é boa. Por exemplo, certamente precisamos de uma força policial para nos proteger da coerção privada exercida por criminosos. O México precisa de uma força policial mais eficaz para se proteger dos cartéis de drogas. Sem uma atuação policial, o progresso estaria na faixa negativa —o que Thomas Hobbes chamou em 1651 de "guerra de todos contra todos". Adotar uma força policial adequada, portanto, traria a sociedade para a faixa positiva. Ótimo.

O mesmo se aplica a algumas outras coisas que um Estado faz. Até aqui, o liberal e o estatista concordam. Mas a liberal acredita que hoje a curva na maioria dos países está em declínio, não em ascensão. Ela acredita que os retornos decrescentes da coerção estatal já começaram. A coerção contribuiu muito para reduzir o progresso. Mas os economistas estatistas, como Mariana Mazzucato, Daron Acemoglu e Thomas Piketty, acreditam que mais coerção estatal do que temos hoje aumentará o progresso. O ramo peronista de suas ideias é contra Milei.

Observe que a diferença de ideias entre o liberal e o estatista é um fato. Deveria haver uma solução científica. Pergunte: como estamos hoje? Mais coerção estatal nos deixaria em pior ou melhor situação?
O cientista político ou econômico precisaria de medidas concretas do progresso e da coerção. O progresso poderia ser medido pela renda per capita, mas há outras medidas.

Estou começando a refletir sobre como medir a variável coerção. Coerção é alguém forçar você fisicamente a fazer algo que você não faria de outra forma. Convencê-lo oferecendo dinheiro ou argumentos não é coerção.

Você gostaria de estacionar o carro em frente à loja e sair andando. A polícia o impede. A perda para você é medida pela diferença entre a facilidade de estacionar ilegalmente e o custo de ter que estacionar numa garagem a cem metros de distância.

Sim, outras pessoas se beneficiam quando a lei de estacionamento é cumprida. Mas muitas coerções estatais, como tarifas protecionistas e leis antidrogas, colocam outras pessoas em pior situação. Para decidir a questão, é preciso calcular os benefícios e os custos.

Moral da história? Vamos parar de fazer afirmações políticas e começar a fazer os cálculos.

Nenhum comentário: