segunda-feira, 29 de junho de 2026

Os planos da maior indústria bélica do País para defender o Brasil com mísseis, foguetes e drones, OESP

 Por Marcelo Godoy

Atualização:

Os planos da maior indústria bélica do Brasil

Capa do video - Os planos da maior indústria bélica do Brasil

Sami Youssef Hassuani, CEO da Avibras Aeroco,fala sobre o futuro da empresa e como o País deve organização a indústria de defesa. Crédito: Marcelo Godoy

É preciso interligar os recursos para a inovação, com o dinheiro do BNDES e com o orçamento federal. E organizar as empresas da base industrial de defesa em torno de projetos, um movimento necessário, diante da nova realidade mundial, para garantir a soberania do País, pois sem estoques e capacidade de produção escalável, o Brasil será derrotado. Após José Múcio Monteiro Filho, o ministro da Defesa, advertir que o Brasil está sem defesa, agora é a vez de Sami Youssef Hassuani, CEO da Avibras Aeroco, a maior indústria bélica do País, lançar novo alerta.

Sami Hassuani lidera um complexo de 2,7 milhões de m² com 18 unidades fabris, no meio da Serra do Mar, perto da Rodovia dos Tamoios, onde esconde alguns dos mais importantes produtos militares do Brasil. Ali não se entra com celular ou computador. Ninguém dá um passo de uma unidade à outra sem controle – a maioria dos visitantes é recebida em uma estrutura fora do complexo da Avibras. E o servidor de engenharia da empresa não se comunica com a internet. Nada é copiado sem autorização.

Funcionários deslocam míssel MTC da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, localizada na Estrada Varadouro, no município de Jacareí, interior de São Paulo
Funcionários deslocam míssel MTC da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, localizada na Estrada Varadouro, no município de Jacareí, interior de São Paulo Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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O Estadão visitou o lugar de onde deve sair o novo Míssil Tático de Cruzeiro brasileiro, o MTC, e caminhou entre foguetes de 70 mm e 80 mm que serão enviados a países do Golfo Pérsico e do Sudeste Asiático, bem como viu a modernização das viaturas para o sistema Astros do Exército brasileiro. Ali, em uma área afastada do complexo, está uma das joias da coroa, a unidade de propelentes, bem como a seção das turbinas, únicas na América Latina.

A empresa, que recebeu R$ 300 milhões de investidores – entre os quais os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS –, recomeçou a produzir depois que a antiga Avibras permaneceu quatro anos parada, em razão de dívidas e da recuperação judicial. Noventa por cento da cadeia logística de fornecedores já foi restabelecida e o setor industrial acaba de ser retomado, após o período de paralisação.

As quatro estiradeiras de aço, um processo feito a frio para a construção de foguetes e mísseis, voltaram a produzir foguetes SS-80 e SS-40 – existem apenas 5 máquinas dessas no Brasil, quatro das quais na Avibras. O Prédio dos Estirados é uma das 18 unidades fabris do complexo. Cada peça que passa ali depois é submetida a uma processo de pressurização para o controle de qualidade. Dali podem sair até 5 mil foguetes envelopados por mês.

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Em um prédio ao lado estavam os contêineres com os foguetes de 70 mm do Skyfire-70, usados pelos Super Tucanos exportados pela Embraer e pelos helicópteros do Exército e da Força Aérea. Não muito longe dessas duas unidades, seguindo por uma estrada em meio à Serra do Mar, às margens da represa do Jaguari, está o Prédio do Snif, para a montagem e integração final de munições. Ali estavam duas unidades do Míssil Tático de Cruzeiro sendo preparadas. O próximo lançamento do míssil deve ocorrer em novembro.

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Com alcance inicial de 300 quilômetros, ele pode atingir alvos a até 450 quilômetro com uma precisão de 9 metros, carregando uma cabeça explosiva de até 200 quilos. Faltam mais três voos para acabar o processo de certificação. Seu motor tem a força de oito toneladas para mover o MTC, que pesa pouco mais de uma tonelada. O Exército e Força Aérea devem operar o míssil, que é disparado pelo sistema Astros de artilharia, da Avibras. A empresa espera vender até 200 unidades por ano e exportá-lo para países do Golfo e do Sudeste Asiático.

“Os americanos estão entregando só em 2032 o que é encomendado agora. Nós vamos poder entregar para a exportação em dois anos”, afirmou Sami Hassuani. Atualmente, a Avibras está produzindo dois lotes de munições do Astros para o Exército, fará a entrega de produtos para o projeto espacial da Força Aérea e vai entregar um lote de munições de seu sistema de artilharia já vendido para um país do Golfo. Também está modernizando a frota de veículos lançadores do sistema de artilharia Astros.

O Míssil Tático de cruzeiro, em seu último teste, em 2022, em Natal, disparado pelo sistema Astros: precisão de 9 metros e um alcance que pode chegar a 450 quilômetros
O Míssil Tático de cruzeiro, em seu último teste, em 2022, em Natal, disparado pelo sistema Astros: precisão de 9 metros e um alcance que pode chegar a 450 quilômetros Foto: Avibras Aeroco/Divulgação

Além do MTC, a Avibras vai desenvolver para o Exército um Míssil Tático Balístico S+100. Mais barato que o MTC, o novo míssil será hipersônico e terá um alcance de 120 quilômetros. Além dos mísseis e foguetes, a empresa via abrir um portfólio de drones, principalmente os de maior alcance e autonomia de voo, tanto para vigilância quanto para ataque. “Todos os nossos clientes querem drones”, disse Hassuani. Mais barato que os mísseis, os drones aumentam a vigilância do campo de batalha. “O tempo de resposta para engajar o alvo precisa ser imediato”, afirmou.

A Avibras tem um protótipo de um VANT pronto assim como um sistema antidrone que satura o céu com uma cortina criada pela fragmentação de explosivos para deter enxames inimigos. Em 2027, a empresa deve entregar mais encomendas do Exército e da FAB e fará as primeiras entregas de novas encomendas para o exterior.

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“Estaremos em pleno vapor em 2028, quando nossa previsão é faturar R$ 500 milhões. Em 2029, começaremos a trabalhar em dólar”, disse Hassuani. A empresa já conta com 500 funcionários dois meses depois de reabrir. Em julho começa a montar novos foguetes e cortar chapas para blindados do Exército.

Drone Falcão da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, localizada no interior de São Paulo, retoma a produção de mísseis e drones
Drone Falcão da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, localizada no interior de São Paulo, retoma a produção de mísseis e drones Foto: Daniel Teixeira/Estadão

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Será quando o complexo industrial da Avibras deve ser oficialmente aberto com a presença dos comandantes das três forças – a Marinha tem usado o sistema Astros para disparar seus mísseis antinavio Mansup pelas baterias de defesa da costa do Corpo de Fuzileiros Navais. O Mansup é fabricado pela SIATT, empresa que conta com 50% de participação do Grupo Edge, dos Emirados Árabes.

Em entrevista ao Estadão, Hassuani defendeu que as empresas nacionais, como a Avibras, SIATT e Mac Jee, estabeleçam parcerias ou até mesmo consórcios, a exemplo do que acontece na Europa para que o dinheiro da pesquisa (a Finep e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, do Ministério da Ciência e Tecnologia), da industrialização (BNDES) e do orçamento do Ministério da Defesa estejam interligados e os programas sejam estruturados segundo a capacidade de produção e entrega.

“A soberania industrial define um conflito moderno. Um país precisa não apenas de capacidade de negociar e Forças Armadas preparadas e equipadas. É necessário ter estoques e capacidade de produzir de forma perene e escalável”, disse. Para o executivo, é preciso que o País tenha programas organizados para que os empresários se unam. “Não dá para cooperar sem ter um programa, que nasce das Forças e deve ter inovação, capacidade industrial e compra.”

Sami Youssef Hassuani, CEO da Avibras Aeroco, mostra a retomada do MTC-300, o míssil tático de cruzeiro para garantir ao Brasil a capacidade A2/AD (antiacesso/negação de área)
Sami Youssef Hassuani, CEO da Avibras Aeroco, mostra a retomada do MTC-300, o míssil tático de cruzeiro para garantir ao Brasil a capacidade A2/AD (antiacesso/negação de área) Foto: Daniel Teixeira / Estadão

Recentemente, a Avibras esteve na Eurosatory, feira de defesa em Paris – Joesley Batista passou por lá também. Ali, seu CEO manteve contato com parceiro e fornecedores novos e antigos da empresa. “Não fizemos negócios com ninguém, mas mantemos as portas abertas para estudar oportunidades, tivemos reuniões com MBDA, com a Rheinmetal, em especial defesa érea, e tivemos interações com a KNDS francesa e com a Aselsan e com a Baykar, ambas da Turquia e várias outras, como a AEL e com Elbit, israelense.”

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Abaixo, trechos da entrevista:

Como é que começaram as atividades nesta fase da empresa e como está a situação atual dela neste momento?

Esse é um processo que nós começamos em agosto de 25 com a mudança do controle da Avibras e, na sequência, dentro do processo de recuperação judicial, criou-se a Avibras Aeroco, uma empresa nova que herdou todos os ativos da Avibras. E aí a nossa vida iniciou-se então com todo esse ativo, com toda a propriedade intelectual, com todo esse legado tecnológico, em agosto do ano passado.

O que você já tem funcionando aqui na empresa?

De agosto para cá, nós estamos aí com oito meses, o que nós fizemos? Todas as diligências clássicas, que são a diligência jurídica, a diligência contábil e financeira e duas diligências fundamentais, que são a de tecnologia e a parte industrial. E nós constatamos que a tecnologia estava intacta, servidores, a propriedade intelectual, desenhos, tudo estava intacto e a parte industrial, também todo o maquinário, todo o parque estava intacto. Por último, fiz uma diligência comercial. Nós visitamos os clientes no Brasil – as nossas Forças – e fomos ao exterior e visitamos todos os clientes ativos, que são vários, principalmente no Golfo e no Sudeste Asiático. Todos os clientes estão aguardando com muita força a chegada da nova Avibras. E, de lá para cá, terminamos as auditorias, iniciamos as atividades de back office, instalamos o jurídico, instalamos o comercial, a engenharia foi toda ligada. Em março, nós já estávamos com toda a engenharia ligada, toda parte de compras, procurement e parte das parcerias retomadas. E, nesse momento, nós acabamos de revisar todo o parque industrial. Então, agora, é uma empresa pronta, com todos os processos instalados, com a área industrial ligada e a gente começa a subida de produção. Oficialmente, a gente já iniciou a produção. Obviamente, isso tem de ter uma cadência, um ramp-up.

Funcionários deslocam  mockup do míssil MTC da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina
Funcionários deslocam mockup do míssil MTC da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina Foto: Daniel Teixeira/Estadão

As primeiras entregas vocês farão quando?

A gente vai fazer entregas neste ano e a prioridade máxima será entregar para o Brasil. A gente entrega lotes de munições, lotes de peças de reposição, ainda esse ano para o Exército. Não vou entrar em detalhes de quantidade, mas entregaremos dois lotes ainda este ano de munições, entregaremos peças e entregaremos também para Força Aérea Brasileira a continuidade do programa espacial. Então, temos essas entregas e, no ano que vem, acelerando, vamos subir de patamar.

A gente vai ter entregas muito maiores para o Exército Brasileiro, temos contratos novos, inclusive com desenvolvimentos novos, que é um novo míssil balístico guiado de 120 km, que o mercado todo está esperando por ele, inclusive clientes lá fora. Então, lá fora tem um movimento muito grande para que a Avibras também continue o desenvolvimento do míssil de 300 km, que está praticamente pronto, que é o finalzinho da certificação, e lance esse produto novo.

O míssil tático de cruzeiro de 300 km?

O míssil já está pronto. Nós estamos finalizando a certificação, o mercado quer. E o mercado quer um míssil menor, não de Cruzeiro, mas balístico, que é um pouco diferente da maneira como ele voa, porque ele é supersônico. Ele é muito mais rápido. Mas ele não navega por waypoints, ele vai direto ao alvo, que é o que foi usado muito no engajamento da guerra da Ucrânia e do Golfo. E esse produto nós estamos fazendo junto com o Exército Brasileiro.

Departamento de eletrônica da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, retoma a produção de mísseis
Departamento de eletrônica da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, retoma a produção de mísseis Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Exportações já começam no ano que vem? Como é que está a exportação?

Todos os clientes ativos já estão contatados, nós já tivemos equipes técnicas que foram ao cliente, então, a gente já está atendendo os clientes. Eles estão comprando peças de reposição, que é o mais importante no curtíssimo prazo e estamos discutindo vários contratos de fornecimento, que eu acredito que, assim, no nosso planejamento, a exportação seria para 2028. Mas eu tenho muita confiança de que nós vamos começar a exportar, realmente, não só peças, mas produtos. Talvez em meados de 2027 já estaremos exportando. Vamos antecipar em um ano porque o mercado está bem aquecido.

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Como isso se insere dentro de um movimento maior que atinge toda a base industrial de defesa do País, que é o de garantir o mínimo de defesa da soberania? O que mudou no mundo e como isso afeta o Brasil na forma como o País deve organizar sua indústria de defesa?

Eu diria que nos tempos atuais devemos repensar a soberania. Ela é uma palavra que foi muito castigada, porque alguns acreditavam que soberania era a capacidade de negociar. E lógico que é. E o Brasil tem muito bem isso. Mas outro grupo acreditava que, quando a diplomacia falha, você usa a força. Então, defendiam a necessidade de ter Forças Armadas fortes, treinadas e equipadas. Esse grupo também estava certo.

Sami Youssef Hassuani (ao lado de um lançador Skyfire 70 de foguetues de 70mm para avião e helicóptero), CEO da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina
Sami Youssef Hassuani (ao lado de um lançador Skyfire 70 de foguetues de 70mm para avião e helicóptero), CEO da Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Mas as últimas guerras – e eu acabei de vir de um seminário internacional e de uma feira na França – mostraram que no conflito moderno não basta capacidade negocial e forças armadas equipadas, porque o seu estoque acaba. Então, faltava o tripé que blinda a soberania. Eu o chamo de o triângulo que protege a soberania. O último vértice é a capacidade industrial, que repõe estoque rápido e em grandes quantidades. Quem não tem capacidade industrial está perdendo a guerra, apesar de ter capacidade de negociar e capacidade inicial de enfrentar o conflito. Só que depois de 4 dias você tá desarmado. Aí a indústria passou a ser parte fundamental da soberania, podendo ser escalada em quantidade, entregar lotes rápidos.

Então, isso é o que mudou. O mundo mudou. O modelo que servia até 2022 não serve mais. O modelo atual é a capacidade de negociar e a capacidade de forças armadas equipadas com estoque e capacidade de repor estoque em tempo real, de maneira independente. Tem de ter esses três vértices para fechar e proteger a soberania. E o modelo brasileiro, o que falta para a gente? Todo mundo reclama que falta dinheiro. E falta dinheiro. Mas eu acho que a gente pode começar já no pensamento novo.

Qual é o pensamento novo que o mundo tem? Eu tenho que integrar os três instrumentos que estão disponíveis. Primeiro instrumento: inovação. Nós temos o o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), comandado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), que são instrumentos extraordinários, importantes, que geram muito, muito recurso para a inovação. Mas eles não podem estar soltos. O que os países estão fazendo a partir de 2024, 2025 e 2026? Ele só põe dinheiro em inovação se a perna industrial e a perna de compras estiver absolutamente interconectada e não é interconectada em desejo.

Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, localizada na Estrada Varadouro, 1200, no município de Jacareí, interior de São Paulo, retoma a produção de mísseis   Foto: Avibras Aeroco/Divulgação
Avibras Aeroco, maior fábrica de equipamentos bélicos da América Latina, localizada na Estrada Varadouro, 1200, no município de Jacareí, interior de São Paulo, retoma a produção de mísseis Foto: Avibras Aeroco/Divulgação Foto: Avibras Aeroco/Divulgação

O dinheiro de inovação que pode ser fomento, pode ser encomenda tecnológica, tem que estar ligado às linhas de crédito que tem no BNDES, que são linhas de crédito para expansão industrial, para construção industrial, para criação de novas linhas (de produção) e tem de encontrar com o orçamento federal. Quando esses três estão absolutamente interconectados, de fato, você tem muito mais dinheiro disponível e aí a indústria consegue se planejar.

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Esse seria um caminho para o Brasil tem mais dinheiro?

Esse é o caminho. Eu diria que não é só o caminho para ter mais dinheiro, porque tem dinheiro. Precisa de mais? Precisa, mas o dinheiro do jeito que está, ele está um pouco disperso, porque o modelo anterior, ele tinha uma certa integração, porque todo mundo se falava, mas ele não tinha um ator que obrigava, que dizia que eu só pago inovação se você me disser que dia você me entrega o produto. Não tinha essa demanda, que o mundo hoje exige. A Europa só dá dinheiro de inovação se você tiver o caminho todo mapeado, que é o dinheiro industrial e o dinheiro de orçamento que compra.

Esse é o caminho que o Brasil precisa ter?

Mandatório, porque o modelo anterior era bom, mas não serve mais. Então, no Brasil não tinha nada de errado. O Brasil estava na vanguarda da inovação, mas a gente não estava chegando no mercado com o produto no tempo. Então, se não integrar, na Europa não se dá mais dinheiro de inovação, se não tiver a seguinte resposta: “Como você vai industrializar e quando você me entrega o lote e com que cadência?” Porque eu vou pra guerra. Eu preciso me defender.

Departamento de eletrônica da Avibras Aeroco, em Jacareí, interior de São Paulo: empresa prepara míssil de cruzeiro e míssil balístico
Departamento de eletrônica da Avibras Aeroco, em Jacareí, interior de São Paulo: empresa prepara míssil de cruzeiro e míssil balístico Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A gente não pode mais fazer inovação para estar na vanguarda. Nós temos de ter capacidade de industrializar e ter orçamento para comprar. E aí, eu achei o mais importante, tem de unificar a indústria. Nós temos de chamar todas as empresas e trabalharmos de maneira sinérgica, porque se a gente conseguir organizar esses três recursos, a gente consegue dar carga de maneira organizada para toda a base industrial de defesa.