segunda-feira, 22 de junho de 2026

Economia Regenerativa começa em casa e pode transformar o futuro, Dal Marcondes, in Envolverde

 𝘿𝙖𝙡 𝙈𝙖𝙧𝙘𝙤𝙣𝙙𝙚𝙨  - A Envolverde convida você para uma jornada de reflexão sobre os fundamentos da economia regenerativa, que não é apenas um conceito abstrato de grandes corporações ou políticas governamentais, mas uma prática que começa no microcosmo de nossas vidas domésticas, moldando a maneira como interagimos com o mundo e com os recursos.

Atualizado em 19/05/2026 às 19:05, por Dal Marcondes.

Um ilustração que mostra a economia circular

Por Dal Marcondes - 

A transição para modelos sustentáveis exige uma mudança de mentalidade que permeia todas as esferas da atividade humana, a começar pelos hábitos cotidianos que formam a nossa base de cuidado e responsabilidade. "Se queremos mudar o mundo, comecemos por arrumar a nossa cama," uma conexão do micro ao macro.

Os princípios da economia regenerativa encontram seus paralelos mais potentes nas tarefas domésticas mais simples. É neles que aprendemos a noção de zeladoria, o primeiro passo para uma verdadeira economia ecológica.

Quando as crianças aprendem a arrumar suas camas ou organizar suas coisas, não estão apenas aprendendo disciplina. Elas estão absorvendo a compreensão de que os recursos exigem manutenção, que o ambiente não é externo a elas e que as ações individuais têm impacto no espaço comum. É o fundamento do respeito pelo esforço do outro e pelos recursos que sustentam a vida.

A lógica da continuidade: lavar a louça e o ciclo da vida

Na economia tradicional, o foco é muitas vezes o descarte. Na visão regenerativa, o foco é na preparação para o ciclo seguinte. O ato de lavar a louça após uma refeição é uma metáfora poderosa para a circularidade natural, onde o fim de uma atividade dá o início a outra, que prepara o ambiente para um novo ciclo de alimentação. "Nada pode ser deixado para depois," transpondo essa lógica doméstica para os fluxos de materiais na indústria, resíduos devem ser vistos como insumos para novas produções.

A arte da restauração vs. a cultura do descarte

Consertar um aparelho quebrado, costurar uma roupa ou restaurar um móvel é um ato de resistência contra a obsolescência programada. É uma forma de honrar a energia, o trabalho e os materiais investidos naquele objeto. Esta é a mentalidade de dar valor ao que já foi produzido e evitar o desperdício, é a base para a logística reversa e a economia de restauração em escala industrial.

Transpondo do lar para o mercado

A grande questão é: como esses hábitos informam as estratégias macroeconômicas? A resposta está curar e deixar melhor do que antes.

A trindade regenerativa permeia toda a atividade econômica:

  1. Produzir: Criar valor sem destruir a base de recursos.
  2. Circular: Cadeias curtas, logística eficiente e fluxos de materiais fechados.
  3. Consumir: Escolhas conscientes baseadas na durabilidade e no impacto socioambiental.

A transição gera impactos mensuráveis em eficiência e restauração, como indicam dados de modelos lineares e regenerativos.

Cadeias curtas e locais: a economia ecológica na prática

Reduzir a distância entre produtor e consumidor uma forma de eliminar o desnecessário, aumentar a transparência e fortalecer a comunidade. O localismo na economia regenerativa promove:

  • Menor pegada de carbono no transporte.
  • Transparência e confiança no consumo.
  • Fortalecimento do PIB local e resiliência social.

A Economia Regenerativa é um chamado para uma ação que começa dentro de nós e de nossas casas. Não é um futuro distante, mas uma prática que construímos a cada escolha consciente, a cada ato de cuidado e a cada reparo realizado. É a transição de uma economia de exploração para uma economia de zeladoria, onde cada atividade humana deixa o mundo um pouco melhor do que o encontrou.

O futuro é regenerativo. Comece hoje, comece agora, comece em casa.
 

Envolverde

Relicitação da ferrovia Malha Oeste terá duas audiências públicas, PP - março23

 

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) aprovou por unanimidade, na quinta-feira (30), a realização de duas audiências públicas sobre a relicitação da Malha Oeste. A ferrovia tem 1.625,3 quilômetros de extensão entre Mairinque (SP) e Corumbá (MS) e atravessa Mato Grosso do Sul passando por Três Lagoas e Campo Grande até chegar ao Pantanal.

Relicitação da ferrovia Malha Oeste foi debatida durante reunião de diretoria da ANTT no dia 30 de março de 2023 (Foto: Reprodução/Youtube/ANTT)
Reunião de diretoria da ANTT (Foto: Reprodução/Youtube/ANTT)

Segundo o aviso publicado pela ANTT, as sessões públicas serão realizadas no dia 26 de abril, em Campo Grande, e no dia 3 de maio, em Brasília (presencial e virtual). O período para envio de contribuições será aberto em 10 de abril e seguirá até 17h (horário de MS) do dia 25 de maio de 2023.

O objetivo é tornar público, colher sugestões e contribuições às minutas de edital e contrato e aprimoramento dos estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental da concessão.

Incluindo o ramal entre Campo Grande e Ponta Porã, a Malha Oeste tem extensão total de 1.973 quilômetros. Porém, conforme os estudos, foi definido o cenário de relicitação sem a reativação do ramal de Ponta Porã, por isso o trecho que será relicitado totaliza 1.625,30 km.

Mapa da ferrovia Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)
Mapa da Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)

A ferrovia conecta-se a Bolívia, aos portos de Ladário e Porto Esperança, em Mato Grosso do Sul, ao Porto de Santos, em São Paulo, e ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Atualmente é controlada pela Rumo Malha Oeste, que também detém as concessões das Malhas Paulista, Norte, Central e Sul.

Reunião da ANTT

O relator do processo da Malha Oeste na ANTT, diretor Lucas Asfor Rocha Lima, destacou no voto que os estudos foram analisados pela Sucon (Superintendência de Concessão da Infraestrutura), que expediu uma nota técnica em 23 de março atestando a viabilidade financeira da concessão e apresentando um detalhamento do projeto, identificando as principais melhorias e inovações contratuais.

“Em relação aos meios de reequilíbrio, além da possibilidade da revisão dos valores de outorga, foram incluídas ainda a possibilidade de revisão da tabela tarifária bem como a prorrogação do contrato de concessão por uma única vez, a critério do poder concedente por até 5 anos conforme modelagens recentemente utilizadas. Por fim, considero que a proposta esteja pronta para ser apresentada à sociedade, através de audiência pública, oportunizando a participação de todos os interessados, sejam proponentes licitantes ou usuários da ferrovia, para que possam contribuir para o aprimoramento do projeto”, explicou o relator.

“Voto de acordo, registrando aqui a importância desse projeto não só para Mato Grosso do Sul, pro estado de São Paulo, mas para o Brasil. Temos trabalhado e avançado no processo de relicitação de rodovias e esse processo é mais um passo pro processo de relicitação do modo ferroviário e com grandes e importantes evoluções na estrutura e concepção do projeto”, destacou o diretor Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio.

“É uma honra muito grande a gente estar vivendo uma revolução ferroviária no país, com vários investimentos, modernização da malha existente, e esse é um projeto que contribui pra isso”, afirmou o diretor Luciano Lourenço da Silva.

Ao acompanhar o voto do relator, o diretor Felipe Fernandes Queiroz pontuou que a relicitação é um instrumento relativamente recente. “A agência tem enfrentado diversos desafios na relicitação, e esse é o primeiro no âmbito do setor ferroviário, por isso ele é bastante relevante. Que possamos em breve chegar a conclusão desse processo, com um leilão de fato e a ferrovia operando.”

Por fim, o diretor-geral da ANTT, Rafael Vitale Rodrigues, ressaltou a importância da relicitação. “Importante passo no processo de relicitação, pra retomada do transporte ferroviário no interior do estado de São Paulo, mas principalmente pro escoamento das commodities agrícolas, minerais e outras riquezas do estado de Mato Grosso do Sul. Torcemos pra que essa etapa seja vencida o mais breve possível e a gente possa estar realizando um novo leilão”, concluiu.

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Em 21 de julho de 2020, a Rumo apresentou à ANTT um requerimento de relicitação da Malha Oeste. O empreendimento ferroviário foi qualificado em 18 de fevereiro de 2021 no âmbito do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), da Presidência da República, para fins de relicitação.

Características gerais da ferrovia Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)
Características gerais da Malha Oeste (Foto: Reprodução/ANTT)

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Nova ferrovia com 162 km inicia fase de testes em Mato Grosso, FSP

 

Ribeirão Preto

A Ferrovia Estadual de Mato Grosso, que teve a primeira etapa das obras inaugurada no último sábado (20), iniciará neste mês as operações em fase de testes, e deverá ampliar as viagens de cargas no decorrer do segundo semestre.

Principal obra ferroviária em execução no país, a ferrovia terá, quando totalmente concluída, 743 quilômetros de trilhos. A previsão é que isso aconteça em 2030.

Trem de carga com vagões azuis da Rumo percorre curva em trilhos no interior, próximo a instalações industriais e vegetação seca.
Composição da Rumo estacionada no terminal em Dom Aquino (MT) - Divulgação/Rumo

A primeira fase representou a abertura ao tráfego de 162 quilômetros, trecho que exigiu a construção de 11 viadutos e pontes. A ferrovia estadual, cujo nome oficial é Senador Vicente Emílio Vuolo, é fruto de uma parceria da Rumo com o Governo de Mato Grosso, cujo contrato de autorização para a construção foi assinado em 2021.

Iniciada em novembro de 2022, a obra teve os últimos dormentes dos trilhos da primeira fase colocados no dia 8 e, conforme a Rumo, o terminal de cargas em Dom Aquino, também inaugurado no fim de semana, passará a ter mais relevância a partir do ano que vem, com capacidade de receber até 10 milhões de toneladas de cargas.

A ferrovia passará por 16 municípios entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, com um ramal para a capital, Cuiabá, e será incorporada à malha da empresa de logística, composta por cerca de 14 mil quilômetros de trilhos em nove estados —Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Tocantins.

A fase inaugurada consistiu na conexão do terminal da empresa em Rondonópolis ao terminal da BR-070, em Dom Aquino, e envolveu cerca de 5.000 trabalhadores.

O objetivo é criar um corredor ferroviário para escoar a produção de grãos em Mato Grosso para a malha paulista da empresa e, dela, para o porto de Santos.

O terminal ocupa uma área total de 200 hectares (o equivalente a 280 campos de futebol), dos quais 56,1 hectares de área construída, e tem capacidade de descarregar até 35 caminhões por hora e carregar 16 vagões ferroviários a cada 60 minutos.

Entre as construções necessárias para a implantação da primeira fase estão a ponte sobre o rio Vermelho, em Rondonópolis, com 460 m de extensão, e a ponte sobre o córrego São Paulo, entre São Pedro da Cipa e Poxoréu, com 120 m de comprimento.

A primeira fase das obras teve custo superior a R$ 5 bilhões, dos quais R$ 2 bilhões de investimento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Inserida no Novo PAC do governo federal, a obra tem custo total estimado em até R$ 15 bilhões.

Embora seja o principal estado exportador de grãos do país —responde por cerca de 40% do total—, antes do início da construção da ferrovia Mato Grosso possuía somente 300 quilômetros de trilhos.

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou, durante a inauguração, que a ferrovia permitirá que o escoamento da safra seja melhor, além de ampliar a segurança rodoviária no estado.

"Duas locomotivas puxam 2,5 quilômetros de trem, equivalentes a 300 bitrens nas estradas. Nós vamos evitar acidentes, melhorar a qualidade das estradas, da conservação, vai ter mais segurança para andar nas estradas e o custo do frete baixa muito, além de as emissões diminuírem proporcionalmente também", disse.


Raio-X - Rumo Logística

Fundação: 2008
Controladora: Cosan
Funcionários: 9.244
Receita líquida: R$ 13,8 bilhões (2025)
Principais concorrentes: Vale, VLI e MRS Logística